Vi. Ferro. Correntes de ferro. Barcos metálicos em tons de prata presos por correntes de ferro. Naus balouçando carregadas de cheiros conhecidos em planos paralelos. Pela prata e pelo ferro caminhei, em linha recta, um fito me perseguia. Nitidamente a consciência da presença de outros, alguém, por ali deambulando também. O meu caminho segui, até que umas mãos ignotas apertaram as minhas. De um corpo manifestamente masculino, ou seria alma masculina e sexo feminino, ouvi um nome que não sei dizer. Foi um encontro. Contudo segui. O imenso prisma edil flutuava agora atrás de mim, defronte uma pequena casa de traços conhecidos se desenhou. Entrei. Luzentes e arrumadas, reluzentes e dispostas em pilha, bolachas com passas de uva. Ao lado um pacote de batatas, aberto, ao lado deste um saco, mais pacotes de batatas, fechados. Por trás de mim, num dos cantos, uma divisão fechada com uma janela no topo, da qual saía uma luz opaca, velha. Cheirava a mofo. Estou a olhar para as bolachas e a pensar, olha as bolachas estão aqui. O cheiro a bafio intensifica-se, uma boca que não vi, de um corpo que tive consciência de estar ali, comeu uma batata, depois outra, desapareceram para dentro de si mesmas, comidas pela boca que não havia.
Susto Grito Pavor Perseguição Tormento.
Planos paralelos. Tudo dentro da minha cabeça transportado e sentido pela alma. Perseguição sim, medo não. Medo de quê, Susto, tretas. Sofrimento cansaço, não. Tudo normal. Tudo eu. Aguento comigo, aguento contigo. Encontros. Influências. As pessoas são influenciadas por quem encontram. É que os encontros que parecem ter outro propósito não têm. Ser parte activa na jornada da alma. Através da partilha de experiências de vida, de comportamentos, atitudes, posições, posturas, lembranças, memórias. Tudo aquilo que sou e que num determinado momento é em mim, vai interagir com aqueles que por estar nesse ponto comigo se cruzam. Não, forças visíveis e invisíveis são atraídas por afinidades e sempre neste momento, nunca naquele. Sempre hoje nunca amanhã. Daí ter de compreender que os que estão me são necessários. E as prisões e a dor e aqueles que em nada me ajudam e em tudo me desajudam, ajudar eu, e se não quiserem ser ajudados, não se ajuda, segue-se caminho, ciente de que mais adiante outros encontraremos, porque nos encontros de almas está o meio de evolução, o sentido da vida.
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