Serei eu esta loucura tardia que se apodera de mim, esta divisão daquilo que se passa, daquilo que eu sou, o que eu sou não vive. Aqui construo linhas a partir das coisas, que não são mais do que a vontade das coisas por elas mesmas, não faço mais que dar expressão e cumprir potencialidades de coisas, realizar o potencial dos objectos que me circundam é o que faço. Isso não sou eu. Eu estou para além de todos estes objectos que se me afiguram irreais, não estou aqui e quando um destes objectos me chama, é como quando uma pessoa entra, não há diferença, a afectação que sinto e não é pouca, é de qualquer coisa, uma terceira coisa, que não é nem eu nem os objectos, mas está no meio deles e me pergunta, porque não sou eu que estou, onde estou eu, afecta-me quando esses objectos tentam mexer com coisas que dizem respeito ao ser, quando falam de coisas que estão para lá dos objectos e atribuem aos objectos a proveniência dessas mesmas coisas, mas enfim, pessoas e objectos continuam as suas existências, cuidando uns e outros pertencerem a realidades diferentes, quando no fundo fazem ambos parte da mesma irrealidade.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Diálogos
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