terça-feira, 29 de março de 2011

Diálogos

Ele terá ido onde quer que tenha ido, que me importa isso, tantos outros sítios, onde tanta outra gente foi sem que eu o saiba, porquê ter de assistir ás viagens daquele, seria igual a qualquer outro sim, não, então porquê ele, um breve momento para o voo de um pássaro sem cor que leva com ele algo que me pertence, ele quem aquele, o que fará ele, qual será o sabor depois dele ter partido, vejo o dia em que ele partiu, há qualquer coisa de repetitivo, os gestos o esgar do maxilar as unhas a forma dos dedos o corpo os pés, a maneira de pôr os pés, as axilas as virilhas, o membro, a púbis. Nada me é estranho, tudo me é familiar como se ele já se tivesse ido embora, como se já tivesse seguido o seu caminho não sei para onde, para lá onde tem de ir, eu onde vou com isto, não sei, eu o quê, onde está para onde foi, essa presença de mim que sei sem precisar falar disso, será automático o processo, o que os regula, onde está a tabela o gráfico a sequência, onde estão o que fazem, quem fez de mim isto que sou, onde estão os pais a mãe, o pai o pai a mãe a avó a árvore a raiz o esqueleto, onde está o que teria sido, porquê eles, que escolha essa e qual o grau de consciência, se foi será que posso lembrar-me dele, onde está a memória, onde estão as emoções, de sentimentos a pessoas mortas ou nascidas noutros lugares, mundos como poções metidas em frascos, qual é o armazém, quem lá trabalha ó hierarquização das coisas, sim diluir-me no que poderia ter sido, onde está a vontade para o ser, de onde vem, de onde era suposto que viesse, se não a tenho de quem é a culpa, se optei por não criar de quem é a culpa, quem cria, teremos nós algum poder criador ou só aquele que criou tudo pode criar e criar é uma coisa que só podia ser feita uma vez e já foi feita por ele, então e agora o que fazemos,

copistas somos copistas

Para que lado está, já não sabes de que lado te falam, então pode morrer uma pessoa sem que um se aperceba, o que quererá isto dizer, porque não me cheirou a podre, não te cheirou, se calhar não cheiras-te bem, terás entupido propositadamente as fossas nasais as vias respiratórias para que não te cheira-se, carrasco, quando degolaste mais um, guilhotina, e agora, onde está, qual é o sabor o que deixou e o que é agora,

fantasma

O que era antes, o que de facto muda se as coisas que importam são imutáveis, mudamos nós mudará a nossa percepção das coisas e do imutável, a cada passo uma nova fasquia, como uma miragem que se metamorfoseia, porquê ver palmeiras porquê ansiar água, sede quem tem sede, quem viu palmeiras e camelos, quem não viu antes cactos montes de areia e cactos, terá pensado em abri-los, como faria, onde está a parte a seguir, qual é o seguimento, porque é que não há agora, sempre só uma visão do que tem de ser, qual é a concomitância o grau, onde está, para que quero tanto saber, deixem-me da mão e depois o que faria, o que quero e se quiser não querer e querer, qual é a periodicidade, calendarização do absurdo, quem previu os meus devaneios, o que é que isso faz dele, quem pode julgar, então está ou não presente o derradeiro e o único, será lícito, esperar pelos tempos do apocalipse, ver anjos papudos de caracóis loiros tocando trombeta em cima de um candeeiro de rua, passarinhos deambulando em fios que ligam postes de electricidade, uma concentração por baixo da ponte, os errantes, os pactos entre as hostes, não fui eu que vi, eu não estava lá eu não fiz nada, eles chegaram e depois foi o que aconteceu, que poderia eu ter feito, não, não me interessam as razões, será possível, a interrogação da possibilidade das coisas é demasiado coincidente com a sua confirmação, será a mesma coisa, Pingo Doce e Gestiretalho, até quando, porquê, pergunto perguntas perguntam, brecha na sucessão para deixar passar a caravana, os índios a índia cheia de índios a lavarem os corpos as vestes e as almas no rio onde os cães a matarem a sede, convivem todos de joelhos o tempo inteiro, um dia com a adaptação evolutiva devida, deixarão de ter membros inferiores, por comodidade do processo, e depois as alegrias, terás alegria ó autóctone, em pôr o pezinho na água, em ver se está fria ou quente ou como está, onde estará a tua alegria, se me dissesses talvez eu a descobrisse, e viesse a concluir que nenhuma das duas me deixa alegre, poderás tu sentir alegria em molhar o pezinho, porque não me dizes, passa lá, não há deserto, não há cactos nem montes de areia, não há, foi uma miragem, continua o teu caminho.

Diálogos

Poderá alguém dizer-me o que se passa, como vim aqui parar, de quem se trata quem é esta pessoa que oiço, o gestos não eram dele, não era aquela a sua maneira de agir, porque é que te dói o pescoço, quem te pôs a mão, quem te empurrou, quem te pôs a mão na garganta, asfixia, raciocínio sequencial, expansão do cristianismo, onde estão e quantos são os teus seguidores, onde está a crise nominal por que atravessamos, haverá alguém para quem o sol não brilhe, onde está onde estão, venham até ele, sentem-se, eu sou a vontade que tereis em levantar-vos, ou poderá um sentar-se sem que jamais tenha vontade de se levantar, pergunto perguntas perguntam encadeamento das coisas, metamorfose, quando é que me cai a carapaça, quando porque espero, onde está esse dia para que aconteça, porque não realizar o pensamento já quem impede, onde está qual é o seu nome, o tempo essa possessão a todo o tempo das coisas, não sentem sentes diz diz-me fala dela o tempo inteiro não te cales, quero ouvir-te parece que só isso me interessa.

Diálogos

Batam palmas e abram alas vai passar a pessoa importante, levantem-se saiam dessa posição descontraída ponham-se em sentido, não fui eu que disse, é a presença dele que no-lo impõe, onde está a pertinência, inquéritos de rua e pretas de barriga inchada com moscas como abutres em redor da boca, quem te escolhe o que é o presente, contra-ataque contratempo quem encheu as definições do que elas têm dentro, sequências raciocínio lógico, princípios dedutíveis, concreto. Chama por ele que ele ainda te bate à porta, cada qual recebe quem quer em sua casa, esta é a casa, as paredes já caíram onde está o amor, onde estão as coisas boas, o que está por fora, de que são feitos os espaços, estou no fluido e no impalpável, larga-me da mão, corta-me as unhas dos pés apanha as unhas unta-me unge-me índia, quem é que vai de barco para a índia está-nos tudo no sangue, cuidado com esse macinho que te atrofias, eu espero, ele espera, não vamos a lado nenhum, remerreme.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Diálogos

Roeste a corda, o que poderia ter sido resolvido com um golpe sofreu vários sim, assim é, o que importa se no fim o resultado for o mesmo e se eu desse uma volta a tudo isto, assim daquelas de cento e oitenta graus, ficava virado para ele e as voltas de trezentos e sessenta fazem-nos voltar ao ponto de partida, mas será que eu volto ao ponto de partida será possível, acho que não, não importa. Esta foi uma volta de cento e oitenta e está dada. Agora o que mudou, para vos dizer é necessário que passe, que passe tempo sobre ela, um não consegue falar do presente, desse tempo que vive porque não vê, se visse não o viveria ver é não viver. De que forma, então quando vejo não estou vivo, estarás vivo, mas estarás vivendo, é essa a questão, estarás vivendo, enquanto vives vês, verás o que vives ou será preciso que passe que passe o tempo por ti e pelas coisas, que passe para que vejas o que passou não o que vives porque se o vês já não o vives ou ainda não o vives estás a ver e não podes fazer as duas coisas ao mesmo tempo, não poderei, quem me diz que não posso, que impossibilidade é essa, onde está qual é o sabor, as voltas de cento e oitenta graus, quer-me parecer que o ponto de partida já não é o mesmo, será outro, será outra coisa, esta é a casa é o sítio é a base, a partir daqui tudo será diferente, poderá dizer-se e será lícito, diferente de quê em quê como e porquê, já não volto ao ponto de partida é outro ponto, sequências base caminhos alternativos, onde está o níquel, já leste a escala, onde estão essas reacções, respostas às pessoas e aos acontecimentos o que é, porque digo isto e oiço aquilo, como foi que disse, és um reles um ordinário um chulo um imbecil ameba protozoário não fui eu que disse e tu ouviste e eu ouvi porque estava lá e nada fiz, nada fez porque não lhe competia fazer então ficou calado para fora sentado por fora ouvindo até que me disseste eu não vou, isso vi eu que tu não ias, que não vais que não sais do mesmo sítio e eu o que lá estava a fazer e porque vi, agora tenho a certeza sim a experiência das coisas será lícito, ouvir e nada fazer sentir e nada dizer o que dizemos, o que dizemos de nós o que dizemos dos outros onde está, serei capaz de viver uma vida como a tua, qual é a vida que vivo, é através de vós sem dúvida, qual termo de comparação é a engrenagem da maquinaria mesmo, são as peças vitais para que se movimente e rode a roda da vida o que determina, a fortuna a desgraça o que determina, quem determinou porque reages reajo reagimos assim às coisas, pergunto perguntas perguntam, eu não quero reagir assim dizia ele, eu não quero isto eu já vi este filme, já passei por aqui o que estou aqui a fazer, não queria ter cá voltado, quem me trouxe o que fiz de mal não, um não se interroga sobre o que fez de mal, um não vê o que fez enquanto não passar o tempo por ele e pelas coisas, de quanto tempo precisas quem to dá e depois de tudo o que fica, a morte e uns sapatos, os mais belos da tua vida calçados para entrares no céu, memórias da meia-noite, quem rouba vai para o inferno para a rua, mas que aparato, o material os produtos as luvas de borracha e os produtos dentro do saco de plástico, ele na rua ladrão bandido terrorista, ainda cortava aqui o pescoço a algum, volte lá para a terra dele, os bandidos vão para o inferno e para a rua, mas onde estavam os bandidos e quem me diz que este bandido não estará melhor no inferno ou na rua do que no sítio onde estava de onde veio ele, do céu não foi de certeza, e para onde vai se é bandido e os bandidos vão para o inferno ou para a rua, então o que é isto, quem é o juiz, onde está, porque é que há céu e quem os dividiu, contentem-se com o que quiserem eu pergunto compreendem. Masturbem-se bebam álcool consumam drogas vejam televisão desinformação cultura armas de destruição maciça, eu também o faço e depois se no fim o resultado for o mesmo o que interessam os meios o que está pelo meio, quem avalia a acção, quem são os espectadores da nossa vida que olharão para ela como uma memória para acharem bonito ou feio o que acharão, quem serão eles para achar alguma coisa, então haverá mais do que uma natureza de seres e o que é que isso faz de nós compreendem, raciocínios sequenciais método lógica estatística e métodos quantitativos tira o gorro da cabeça rapaz, não comas pastilha elástica ou se comeres não faças balão, e tu onde estás como será a nossa vida, mudar de página por aqui ou por ali que diferença faz, sim tu sabes tudo, mas tenho de dizer-me tenho de ver-me tenho de saber o que se passa, viver sem saber o que vivo, sem ver, sem ter a consciência toda, a lucidez toda o tempo todo, o que é isso, onde está o níquel, por quem me tomo, de quando em vez olho para as mãos e vejo o tempo, que coisa tão directa que de tão directa ser só a percepciono com qualquer coisa de indirecto, o que importa se no fim fica a noção com que a penso, são as mãos que me fazem ter o pensamento ou é o pensamento que faz com que olhe para as mãos enquanto estou a tê-lo compreendem, galinhas malucas e ovos postos por libélulas gigantes onde estão, só tu me compreendes, já te devo ter tecido uma elegia noutro sítio qualquer, mas a minha paixão por ti afinca-se, se é que esta frase faz sentido para alguém, também o que quero dizer não tem assim muito sentido compreendem, não esperes de mim, porque esperas de mim não, não vou dizer, não vou fazer, não me vou mover, não sairei do mesmo sítio, estou sentado levantar-me para quê, porque ímpeto por quem vos tomais te tomas se tomam trauma de vós reflectido na cara dele, onde está já engoliste, o outro injectava, injectava o quê, veneno queria ele dizer, sim pois de que outra injecção falaria ele senão essa, andam lá muitos e estão no meio de nós pois sim, sim pois, como disse, como desculpe não percebi, de onde vem, leste para lá frio câmaras frigorificas bebidas brancas e gelo, já fizeste gelo já, fizeste ou não fizeste, já devo ter tecido uma elegia à paixão que sinto por ti, o pior é a diarreia cerebral, as bufas, onde está o ânus, por ventura ter-se-á tapado com a falta de vontade.

Diálogos

As vidas dos outros como conversas sempre com os mesmos termos, os temas de discussão, se é que pode ser dado esse nome à troca de palavras entre esses seres que vão e vêm de e para as suas vidas, onde está a vida desta gente, o que querem dizer quando dizem, quando falam da vida dos familiares, dos conhecidos como da delas, a desgraça ou a distância impossível, inveja ou preocupação, as vidas onde estão, para onde vão e de onde vieram, o meu caminho dito pelas palavras dela, que proferi e nada que ver com isso teve o que sucedeu como qualquer outra coisa podia ter sucedido, olhos que se revelam observadores que mostram fazer parte de um corpo ou de corpos presentes na anulação de uma suposta linha imaginada em segredo, não falar porque dói se não falar não deixa de doer, que metamorfose é esperada que continuação, consequências raciocínio sequencial, onde está e o que mudou agora, como será a partir disto, o que dirá o outro de tudo isto e será que sei o caminho de volta para o que deixei, claro que quero companhia, então se eu nunca vim para estas bandas e a minha casa está longe, qual delas, a única que tenho. Penso em equivalências em compensações em portas que se fecham e janelas que se abrem, o preço certo para que a roda da vida possa girar, no que aconteceu ontem e na tua visão do que aconteceu e agora o que vês, o que lhe chamarás, será irresponsabilidade, será desvario o que será, azar o que é, e a sorte onde está, o que será alterado ou porque é que alterou, e em ti o que mudou, mudou alguma coisa, era suposto ter mudado, para onde vamos agora, para o mesmo sítio de antes, a táctica o não merece a pena, mais do que isso para quê, não é isso que já aprendemos, aconteceu o que está acontecido e agora, continua continuarão a acontecer as coisas, umas a seguir às outras e nós os agentes e nós no meio delas e nós aqui ainda juntos e para sempre.

Diálogos

Estamos através dos outros, vou através de ti, tu és para mim uma diferente noção de tempo, ele é para mim outra noção de vida, do que sou, disseste-me, as coisas por fora são diferentes do que quando as vi quando estava por dentro, as coisas a casa, aquela era a casa suja, não quero usar do sentido pejorativo, o que tu me disseste, ontem é para mim importante, hoje o que vivi a base do que viverei, como digo verdadeiramente as coisas, o saber por mais lúcido que seja, não consigo ver estando por dentro, o que vejo quando estou por fora, constato as paredes sujas o cheiro, o cheiro, escadaria acima o cheiro, qual é o sabor, de não se saber onde se está, quando não se está em parte nenhuma, deixem-me ir a parte nenhuma, deixem-me estar.

Levanta os braços levanta os braços,

Consegues sentir a presença pois sim, queres anulá-los a todos, eles que te mostram as horas, o passar do tempo, a vida como o que está por fora, ou será o que está por dentro, o que será que mostram, dão-te certezas dão-te confirmações dão-te o quê afinal, é por eles que o quê, e aquilo que está para além deles, aquilo que está para além de tudo isto, que vocês me dizem, sim vós outros gente da minha vida, do meu mundo, existências que concebo ou não, existindo ou não noutro lugar, a mais do que a minha mente, vocês que me dizem coisas, que me mostram o tempo de diferentes maneiras e a vida de diferentes prismas, os vossos prismas, do meu prisma afinal o que vêem, o que me dizem, onde está a verdade, não se esqueçam ou esqueçam, esquecem o porquê disto, do que está para lá de vós, nunca jamais foi tocado pelos vossos olhos ou pelo vosso pensamento sim eu onde, para quê esse mundo que ninguém habita, para quê as conversas que ninguém ouve, para quê os discursos que ninguém segue, para quê as palavras, a força infinita que nada move, ó Índia ó forças ocultas ó imaterial não vos conjuro não vos peço não vos nada pergunto perguntas perguntam como juntar as peças, onde está o mapa a escala, no mesmo sítio de tudo, mas sim é através de vós, o transe, o tempo, as pessoas, os olhares, o raciocínio lógico, ele disse coisas que eu não sabia, o que é a descoberta, ela mostrou-me o que precisa de ver, a confirmação nas palavras dela, sim e a continuação, como estabelecer a ponte entre toda esta gente, a questão que quero responder, eu onde, para vós escondido onde ninguém me ouve, e se ouvissem que fariam, e que adviria do que fariam, consequências, medidas não medidas, sequências, onde está qual é o sabor, trauma, traumas, trauma de vós ó gente, porque tudo converge para essa união, que não se sabe como, opostos, dizer-vos qualquer coisa na abnegação dos instintos inferiores, na renúncia do animal, bichos somos bichos, antes que o espectáculo acabe o tempo acabe, onde está a ampulheta infinita, o espectáculo, o que sou o que somos, porque não pensam, para onde vamos, quem é ele que não se esquece de nada, a ponte a sequência compreendem, descobres o que dizes nas palavras dela, na atitude dele, avalias perante que escala o meu ser na tua mente juntar crescer sem nexo, para depois tudo se encadear através das palavras dela dele, num dia em que não esperavas nada, depois de te deixares ir pelo que pensas e pelo que não pensas, a vontade imensa de negar de te negares até ao cúmulo da não existência, da anulação desse corpo que encarnas, pela absolvição do sangue em dependências, das dádivas em podridão e processos desencadeados por mentes corrompidas, quem é essa força que corrompe, quem é essa que mostra a unidade, afinal de que falamos, ponham-se bem no que dizem, no que pensam, para que ajam em conformidade e não mais se desperdice esse tempo que nos mostram, envelheço nas palavras não ditas, nas noites de desespero, nos dias de ânsia, nos opostos que não se revelam, que não encontram, expressão, porque afinal dizemo-nos através das palavras de outros, das expressões do mundo, das gentes nos dizemos e se eu quiser dizer algo de novo invento expressões que outros utilizarão para dizer coisas completamente diferentes e depois irrito-me com isso, quero dizer-vos do que está para além de vós em mim, reflectir-vos até que não reste nada de mim para que possa ver e ser, para que possam pensar o que verdadeiramente sou, para lá de vós a verdade, uma tarefa uma missão um dever, algo de novo ou nada há que seja novo e tudo vem de outros como de vós ó gente, para mim para quê, concentração ou dispersão se o resultado for o mesmo o que interessa, o método índia queimadas a cheirar a borracha pingo doce Gestiretalho tudo é a mesma coisa.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Diálogos

Talvez sejas parte do meu caminho não sei, talvez não te tenha encontrado por acaso. Penso que não. Estás demasiado dentro de mim e eu demasiado dentro de ti ou então não, não estamos dentro de nada mais do que daquele que cada um de nós criou, feito da substância de si, para apresentar ao outro. Que tens tu de mim, o que é que eu tenho de teu, onde está qual é o sabor os laços quantos são os canais os braços que nos unem quantos são onde estão sob que estruturas assentam, porque te vejo como vejo, porque vi o que vi vivi o que vivi porquê qual é o sabor o saldo é negativo ou positivo, onde está a escala quem a leu, quem a ouviu a ler a quem a tenha lido, onde foi quem estava lá, pode ser que um amigo do amigo tenha ouvido e me diga como que por acaso, aquilo que preciso saber, saber para quê, para me evaporar gasoso nas tuas palavras e tocar o báratro de mim, cuidado com os gestos sôfregos, com as ânsias o espasmo do maxilar, o foco no peito bem ao nível do pulmão ou do coração, dos dois, ou navegando no plasma sanguíneo, como uma nova plaqueta ou célula anónima e clandestina. A água ferve a cem graus centígrados e cem graus é muito quente muito quente muito, para a próxima o corpo reagirá antecipadamente, mantendo-se afastado da água quente a uma distância mínima, aquele se que divide a acção da não acção, vai, vai lá agora é melhor do que daqui a pouco, amanhã porquê se ela está lá agora e esse sentimento é bom, vai já, e depois o reconhecimento, ou lá o que é que virá depois, erro, se disse errou, é assim é assado como é, vamos ver vamos fazer, consequências, porque agora só mesmo amanhã não há outra hipótese e o que está feito está feito e não tem emenda, ou terá, de que servem as conjecturas em cima da bosta, merda mesmo, erro se disse errou cometeu um erro pois porque leu e não viu não disse errou e agora só amanhã e até lá conjecturas e ela não terá razão, claro que tem razão ela tem sempre razão, e tudo isto é tão próximo, mas não pode ser, porque o tempo não pára o resto galopa amanhã acordará aquele que agora vai dormir para que outro acorde para esta realidade que galopa, sim porque é aquilo em que eles acreditam que se torna realidade, a minha adormeceu a nossa escondeu-se e ficou com ele que terá ficado em casa a dormir ou a pensar no erro que cometeu, ele não pode ir ter com eles ele fica a pensar sem orelhas de burro, no meio não no canto, mas fica dorme, outro acorda, quantos são qual é o sabor, quero tudo isto, passado ido e o futuro o que será, as coisas voltam quando são temidas, não era para já não serem cometidos erros, tratar-se-á de uma reincidência recaída já lá estiveste, porque voltaste porque não viste quem foi, não quero saber não o quero reconhecer ele quis apressar precoce o que não se diz, porque transporta, agora já está feito abóbora, não gosto de falar contigo assim, não gosto de te ouvir assim, isto não passará, voltará sob todas as formas até que deixe de existir dentro de nós, porque se existe dentro de ti existe dentro de mim eu estou dentro de ti mais do que dentro de mim e estou aqui e ele foi dormir, sim posso rir sim posso agir, de contrário não poderia é por isto que sou o que sou, senão não poderia ser nada, se é que sou alguma coisa compreendem, é de facto necessário, mas que importa isso agora, ele estará no mesmo sítio e ele vai ter novas forças trazidas do ontem antes do erro e do amanhã depois do erro, é um lapso será engolido, mas voltará. Mas realmente não sei como dizer-vos que é infrutífero. Ponderar conjecturar sobre as consequências de determinada acção, ai para quê, como saber quais são, depois não é bem assim, porque não foi tão grave ou foi mais grave ainda, pensar antes ai sim, sim pensar muito bem antes de fazer e até durante a realização do acto e aqueles actos que se fazem sem pensar e correm bem por assim dizer, então é porque alguém os pensou não, ou é esse inconsciente maior do que o consciente essa parte inactiva noutras alturas que é activada pela despreocupação, digamos assim, como dizer-vos que não vale a pena, não a merece essa revolução que operam ou deixam vir ao de cima de vós, à flor por assim dizer, dirão então mas se isso está cá dentro porque motivo é, de onde vem, ai terá que sair e será essa a altura como reacção a isso que reage, pois é mesmo isso que vos digo que na altura ou fora dela eliminem, será possível pergunto perguntas perguntam eliminar essa e outras coisas como essa, por sê-lo ou tê-lo sido uma vez não quer dizer que agora o seja sempre ou que se possa dizer que é, mas isso com tudo ou com mais coisas, acreditem não é necessário e sim um deve reger-se pelo que é necessário não fui eu que disse o necessário o essencial é quanto baste para que um viva o resto é supérfluo pois sim, algumas flores para animar a paisagem, tudo verde quem o fez porquê o verde e porque é que não o posso mudar onde está qual é o sabor, sim as pessoas perdem-se no novelo do supérfluo. E eu onde me perco, deixem-me ser claro para não mentir dizer-me perdido ou dizer que não sei se estou achado será a mesma coisa, sim falta qualquer coisa serei dependente de tóxicos e não tóxicos, quero dizer a verdade, tenho que me prostrar diariamente diante de uma divindade que não vejo para me sentir bem, é tido que um deve sentir-se bem, a voz diz que um tem de se sentir bem, então um não é feliz, não tem aquilo que pediu pede mais pede mais quando deixarei deixarás deixaremos de pedir, só ele não pede porque já tem tudo, não consigo não, abstrair-me dessa condição que é a nossa, seres imperfeitos em busca perpétua, sim fala-me de caminhos orientação, como saberei, sei o que sinto é como se as tais ideias de que se fala felicidade sentir-se bem é tido que, fossem para mim extensões intermináveis de céu negro daquele de que é feito o universo, o espaço sem fim, terá ele fim compreendem, sei da impossibilidade não sei da possibilidade e a realidade é que só vejo impossíveis que se vão concretizando para mostrar que a verdade ainda está um pouco mais além, não me falem em realização, não me falem de nada se vos mando calar, o que é feito de mim se eu só me vislumbro nas vossas palavras, de quem falo, precisamente disso. Sempre alguém assim por detrás como que acompanhando não sei para quê, mostrando sempre esse espaço sem fim à frente e por detrás de mim, perseguição, sem o ser, uma visão terceiro olho, sem o ser, será que as coisas são o que parecem, o que serão, tudo está aqui tão perto qual é a distância a que se resumem as coisas como dizer-vos sentir primeiro uma coisa e depois outra lembram-se, eu tenho dificuldade e todos eles, voltas e mais voltas mais uma volta, sempre a pensar a todo o tempo, sempre a ver tudo o espaço sem fim e não querer deixar de ver, para passar a não ver nada e depois como seria, tornar-me-ia igual a tantos outros, se a minha diferença reside nisto que me atormenta, porque digo que me atormenta, será a mim que atormenta ou ao que de meu têm os outros, desse espaço entre mim e a ideia de mim dentro das cabeças deles, livre ser livre sem precisar de falar em liberdade, não ter de explicar nada, dizer não falar para quê falar, para quando uma nova forma de comunicação um novo sistema de símbolos, que explique que exprima mais qualquer coisa do que sentimos, que seja mais explícito menos dúbio sim múltiplo sim dual perenemente até quando, o plano dele para nós e o nosso plano para a vida onde está qual é o sabor.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Diálogos

Haverá quem se divirta e tire realização desta brincadeira eu não lhe acho graça nenhuma. Uns alheiam-se, entregam-se às armas de destruição maciça, aos monopólios, ao terrorismo, toxicodependência, o mais fácil, quando não se concorda vira-se costas, deixa-se andar, o mínimo para dizer que se anda, que é como quem diz que não se faz nada, anda-se por andar, eu não gosto disso, eu gosto de paixão e de fervor nas coisas, onde fica o desapego, cuidado com os extremos, onde está o centro, compreendem.

É tido que um deve sentir-se bem.

Que entraves encontras, é da tua vontade ou é a voz que pede, porque pede, qual é o grau de importância, que prioridade primeira de quê, o quê esse pedido de ti ou a ti, se de ti porquê, nem adiantará perguntar se de outrem, talvez obtenhas uma resposta perguntando, mas e os entraves, onde estão, objecções dificuldades violência, onde está, sentirmo-nos bem, é, connosco, com a vida, com os outros, ou posso ser egoísta e sentir-me bem, e terei cumprido o que me pedem, o que me peço, sim pois, de uma maneira ou de outra é a mim que é pedido, quem mais faz parte, tu, a multidão, que me queres que me querem que pretendem de mim, não fui eu que disse, onde estão os rituais sagrados, gestos simples, tornados complicados pela ausência de tradução, ideias pensadas por outras raças, inscritas em símbolos indecifráveis na mente de entidades errantes pelo espaço, código de conduta do ser, ninguém te escreveu como te leio, oiço-te lido por quem te lê lá onde tu estás, é sempre, é circular voltas, voltas sim pois, não te obrigues, um deve achar o seu próprio espaço, deve fazer-se sentir no complexo do mundo, o que és se ninguém souber de ti, o que sou se ninguém souber de mim, o meu saber de nada vale se ninguém souber que eu sei, não fui eu que disse foi ele, quantas mais melhor sim, o que era ontem o que sou hoje o tempo sim as pessoas e o tempo por nós o espaço e um, é aquilo que passa como o tempo dentro do espaço não consigo centrar olho e fujo do que vejo como um sol ardente, não se pode olhar para o sol, não posso olhar para o que vejo, mas vejo-o e isso impele-me a agir. Acordo e não olho, mas sei que nada mudou e que ele está lá e vocês no mesmo sítio. Tudo depende do ponto de vista sim, mas estamos, porque um não faz mais do que pensar se estamos, haverá quem saiba onde está, mas e quem não sabe, não lhe interessa, estará e vive na mesma, eu sei, interessa-me, deveria dizer-lhe pergunto perguntam, dizer-me coisas, quem vos perguntou se quero saber quem, hierarquização das coisas como uma entidade, onde está esse indivíduo, não é, então porque escala se regem as coisas se ele é um e nós outros, não, tudo é a mesma coisa, onde está a lei, que justiça esta, andamos aqui a brincar às mamãs e aos papás, terrorismo, al-quaeda, bin laden arafat uns morrem outros ficam assim, armas de destruição maciça onde, desinformação palavra nova conceito apocalíptico precisa-se para justificar os actos destes indivíduos, fé absoluta crença, a morte é o melhor remédio, o fim o mais nobre possível, a nação, Alá, a promessa a nossa senhora, a quermesse – cinquenta cêntimos para rifas, atravessa a velhinha, dá o braço ao cego, apanha os cães vadios e leva-os para casa, onde está qual é o sabor, dá todos os dias cinquenta cêntimos ao mendigo do metro e mais cinquenta ao da porta da igreja, come sopa e fruta, vegetais legumes cereais em abundância, prefere o peixe à carne e tem calma, muita calma nessa hora porque os tempos estão chegados, a idade do ferro, vivemos o regredir daquilo que não regride, vem mais atrás sem se mexer, espera que ele passe que tu passes que eu passe passemos, espera e todo o mundo espera, mais a humanidade inteira e o universo inteiro, os planos astrais esperam e eu espero.

E apetece-me gritar, inverter a ordem das coisas, mudar o coração dos homens, abrir-lhes as mentes purificar-lhes as almas, mas quem sou eu, por quem me tomo, desintegrar a perfídia, inspiro a poeira dos cadáveres que alguém deixou esquecidos, ele e os cadáveres esquecidos à minha beira, cheira-me a perfídia locus horrendus da minha alma nas bocas deles, do meu nome nas suas páginas de arquivo morto, das minhas células a animarem-lhes o gráfico de produção que não fazem e os outros, afinal são pessoas, mas afinal o que é isso de ser gente, trabalhar e obedecer, mas a quem, onde está o código de conduta, que direitos são esses que tenho de descobrir, informar-me ouvir a quem leia, a quem tenha o conhecimento, a quem tenha lido, onde está, será lícito apetecer-me gritar, apetecer-te gritar comigo, qual é o sabor onde está o código de conduta, não sabes, não sabem compreendem, parem pelo menos um momento antes de pisarem o risco, antes de me dirigirem a palavra, pensem, se querem falar comigo se devem falar comigo, só um momento, o suficiente para que vos possa ver, estudar-vos analisar-vos, observem sintam vejam quem eu sou, depois falem.

domingo, 13 de março de 2011

Diálogos

As pessoas tratam os cães como, como é que as pessoas tratam os cães, em que porta é que entras nas engrenagens do mundo da vida em que porta, porquê porque portas entras na vida, queres todas, tens de escolher, tens de optar, decidir bastar tratar, como é que as pessoas tratam os cães, dificuldades de discernimento, terá cada coisa o seu tratamento especial ou deverá tratar-se tudo de igual maneira para assim ser justo compreendem.

Não sei o que seja neste momento, não sei o que me apetece ou o que me apeteceria se me apetecesse alguma coisa. Estou precisamente na ausência de tudo, ao contrário das coisas, digam-me quando é que a vida começa para me vestir. Afinal se as emoções passam e só deixam réstias, se os sentimentos se misturam e se anulam, se os valores se perdem em nome do primeiro instinto, se as ilusões vão crescendo exponencialmente à medida que se vive e se ganha posição, se quem rejeita tudo isto não é nada ou é alguma coisa, mas só quando está morto, onde cabe o meu ser nesta misturada sem lei nem rei, onde a justiça é a chacota do povo do clero da aristocracia das classes, absurda hierarquização das coisas, ó como confrontar o mundo com ele próprio, como mostrar ás almas que a terra sofre como uma perdida, como, como. No fim é o que nos resta, comer e dormir e trabalhar para comer e dormir para trabalhar porque se trabalhou para comer e dormir até morrer ou isso ou o prazer efémero, o deleite das coisas que se esfumam, o que se peca e erra pelas vísceras, os momentos o ócio o ópio o diabo as tentações ou isto ou aquilo ou nada disto, não fui eu que disse.

Começar tudo desde o princípio, acender a luz mais uma vez, mas manter acesa a vela tudo o quê, as contas as velas as opções os extremos, não sei se ando nas extremidades e não sei, não me apercebo do que se passa ao centro, ou se estou no centro e não sei não me apercebo do que se passa nas extremidades se nenhuma destas ou as duas onde está a razão, quem a tem tu tens razão, se dizes que tens razão, sim pois tens razão, ele tem razão pelo que diz sim pois tem razão, ele teve razão no que disse, pois teve, e tu ouviste o que ele disse, e tinha razão e então é por isso que o quê, qual é a mais qualquer coisa que, a razão para tal. Acorda outra vez põe-te de pé, começa do zero, irás sempre dar ao ponto de partida, voltas e mais voltas, a dualidade é eterna, sempre os dois, se éramos um porque somos dois, o caminho a corrida de encontro ao nosso centro, o confronto com o si, com o que somos, o confronto a busca a perseguição o ser o quê, o que se foi o que se é o que se busca, tudo é a mesma coisa, e está neste sítio, não fui eu que disse, chamam-lhe cabeça e o resto, e os outros corpos e o invisível, os planos paralelos, os outros corpos invisíveis, o principio que anima tudo isto, e a mim onde está, invisível, deram-lhe um nome, não fui eu que disse, foram eles, há muito tempo atrás muito, muito tempo atrás que disseram que tínhamos mais corpos e disseram que nesses corpos se passavam coisas, que afectavam este outro corpo, que sempre se viu, mas eles que viam, porque viam a mais que nós, nós o que somos se nem existíamos, ou existíamos, onde, pergunto perguntas perguntam, e agora quantos somos, qual é o sabor onde te dói essa dor inexplicável essa mágoa esse amor isso que sentes onde sentes, nesse cérebro massa cinzenta dentro desse crânio que alguém chamou cabeça, não fui eu que disse, onde estás o que és, quantos já foram abertos, tripas sistemas carne morta, onde estás, foste para onde, acabaste por onde começas-te, de onde vens, bichos somos bichos, nada mais que bichos, e então o que estamos para aqui a fazer, o que estou para aqui a fazer, o que fazes pergunto perguntas perguntam, então porque não falar porque não assumir as dúvidas, e as certezas também já agora, não custa nada dizer que sim, porque sim, porque eu sei porque estive lá, porque vi, porque sou de lá, é a minha terra, porque contemplo nisto que alguém chamou de tempo, contemplo dentro do templo, as coisas não nos trazem nada, mas nós trazemo-nos através das coisas, damos-lhes vida, como nos contos, as fadas a fantasia o sonho o homem, bichos somos bichos, quantos já não foram abertos e onde está, qual é o sabor, homem ou mulher, afinal andamos aqui a brincar a quê, reparem que a carne tem um outro sabor, o sangue carrega o peso do que sente, quem sente é o sangue compreendem, o feijão o arroz a carne, os pensamentos poéticos, qual é o sabor, sabem donde vem, eu conto, era preta ou branca já não sei, tinha os dentes tortos tinha piercings, não nessa altura ainda não se usava disso pelo menos por estas bandas, que bandas, e lá usava-se lá, usavam os autóctones os que faziam chover dançando, esses, mas ela não tinha ainda, não tinha chegado cá, donde ela era, porque isto de ser de tem muito que se lhe diga, sinceramente não me lembro da cara dela, lembro-me que vi ferro muito ferro tipo um aparelho nos dentes ou assim, não, o que seria, procuro procuras procurem, tirava as bolas do gelado, afinal havia gelado sim pois, para perguntas ridículas respostas ridículas quem é ridículo é quem as não tem, não fui eu que disse.

Será que o que viste foi igual ao que vi, ao que eu vejo, será que vês como eu, será lícito perguntar, poderás perdoar-me por não saber, por não ter a certeza, porque subsiste esta dúvida em mim, do que sou e não sou, do que quero para mim, então não estou formado, de que ponto de vista, onde está a escala, quantos anos tenho, qual é a idade do mundo, galinhas e ovos quem os gala, qual é o sabor, psicose neurastenia muitos, muitos quantos são, quantos são venham, venham todos que ele é o primeiro a fugir e eu fico, aqui onde estou a ver-vos passar. Quero que testemunhes por mim os teus e o que os meus sejam teus, então se é isso que queres que vão contigo onde tu fores e te acompanhem, eles não, eu, onde vais, qual é o teu caminho, ir contigo onde, porque esperas, é suposto que caminhe, quem busca opta e o poder está no domínio sobre os outros, quem tem poder é quem pode, então e o que tudo pode, é omnipotente, pode tudo, tem o poder todo, então que poder têm os outros, o domínio sobre os outros, e como têm domínio, sim pois uns submetem-se de livre vontade e outros não, então há que fazer submeter os que não se submetem compreendem, guerra caos destruição terrorismo armas de destruição maciça desinformação transe, qual transe, então e quando é sóbrio e tudo já passou e não há mais e mesmo que houvesse, é nestas alturas que se realiza que o haver é uma doce ilusão, um retardamento um atraso do que queremos que venha, não, o que desejamos vem até nós e o que não desejamos também, pois, o pior que puder acontecer vai decerto acontecer, por vezes não é bem assim não, nem sempre tudo se passa nas extremidades, extremos, mas também não se passa no meio, qual equilíbrio qual dualidade qual quê, qual é o sabor, acordo e vou e visito lugares e fico lá nas extremidades ou no centro ou nos dois ou em nenhum, vou e fico e venho e estou em casa e depois vocês que estão sempre no mesmo sitio quando aí chego, sempre a mesma coisa, não deixaram desta vez um bocadinho ou simplesmente deixaram não querem tudo outra vez, até parece que se esquecem, outra vez mostrar o que deviam ter visto antes de terem aberto a boca, andamos aqui a brincar às mamãs e aos papás, ao faz de conta, não me contem histórias da carochinha, cala-te mais o teu frio e a tua filha no Brasil que não quero saber disso para nada, e tu que me vens exigir e que exijo eu de ti, que palhaçada vem a ser esta, não gosto disto assim, transe, qual transe, então e quando é tudo nu e cru e sem graça nenhuma e mais transes para dispersar para conseguir ver outra vez a beleza das coisas, onde estou eu, onde estás tu, anda cá, dá-me a mão, logo tens de ir para lá outra vez, que roda-viva, que brincadeira de crianças, e envelhece-se assim, criam-se os filhos assim, afinal o que pretendem com tudo isto, e eu que digo que não, para onde vou, se o ir está no ficar, onde estou, não ir a parte nenhuma e tu que pensas que as coisas são como tu queres, o teu si acima de todos os outros, tu é que estás a ver o filme, as coisas acontecem porque tu viste, então e o egocentrismo o egoísmo, nem de ti próprio és centro, onde estás tu, onde está o centro da tua vida, se há leis e são iguais para todos, onde estão elas, e porque só se vê o que não é, não gosto disto assim, transe qual transe, duro e cru e nu e sem piada nenhuma. Este cansaço não tem remédio, amanhã parece que virá o outro que não acha cansaço nenhum em nada e assim lá vai amanhã posso mudar, vou sempre a tempo de mudar, o medo as ânsias o cerrar dos maxilares os gestos sempre iguais denotadores de uma raça perdida ou achada em tempos remotos que me lembro, para quê, ferro trazer a palavra para dentro de tudo isto, cruzar os mundos, dá-me é vontade de cruzar os braços, então se tens de ser tu a fazer e nós nada, o amor sublime é ser-te, não fui eu que disse, foi ele o que também disse que não podemos cruzar os braços, quem foi, em que acreditas, porque te reges por nada, então para quê acordar, eu não consigo, preciso de algo voltas, voltas e voltas sempre o mesmo ponto, evoluir assim, mas que coisa, apetece-me pedir tirem-me daqui, mas e depois como vejo tudo isto, como se não fosse eu a vivê-lo e sei que é isso que me faz estar aqui. Mas que sei, não sei nada, estou para aqui a mentir, cuidando procurar a verdade, ó infortúnio, porque te lembras-te de te esconder, não me agrada nada andar à tua procura, a culpa sempre a culpa, que carregas nos ombros, do acidente que nos vitimou a todos, criaturas vivas, a morte tem em si algum descanso, descansar é uma coisa que acaba, e as coisas que acabam são boas, onde está, isto assim não tem jeito nenhum, não vale nada, tirem-me daqui, ó pensamentos derrotistas, cordas penduradas no tecto, nós no pescoço na garganta no estômago no cérebro onde tens nós, ó atilho porque tenho que gramar contigo, que preço este por uma viagem, haverá tempo para voltar para trás, não, então e para a frente, não estão interessados em ir, sei lá, qualquer coisa, mas vamos ficar aqui, especados a olhar uns prós outros, e a ver os anos passarem, queixando-nos, traindo as nossas mulheres, e drogando-nos, vida, quem, como faço, mas fazes o quê, por ti acima comprar uma arma, não é para andar com ela, mas dou um tiro a alguém, encostou, então o que é que se passou com ele, não sei, vá lá ver, deve ter caído aí para alguma valeta, um tiro no pé a um dou, ai pois dou, e depois vêm-me com ideias destas, e eu que ideias tenho, em sonhos púrpuras e sapatos de velcro veludo cristal, quereria mais nada sentir, porquê vós no meu caminho, qual é o sabor, e se eu disser que não quero e me for embora, e se eu achar a borracha que apaga tudo, querem fazer o teste, e me for embora para não mais voltar, do outro lado outros como vós ou piores, por isso fico e arranjo outros para não me cansar tanto. Mas isto assim não tem jeito nenhum e esta providência tem que providenciar algo de mais interessante que só será interessante enquanto for novo e me der nós no estômago, oscilação entre isto e o tédio, um qualquer ponto de equilíbrio, é uma coincidência que se esquece facilmente, não se sabe o caminho para lá voltar, fica-se parvo e tudo se mistura porquê, não me apetece dar razões, mas cheira-me a fraqueza no meio de tudo isto.

Falar de nós, o que nos faz falar de nós aos outros, dizermos mentiras, o que faz, e as verdades, fará alguma coisa, de nós falarmos dizermos, será que esperam, é isso que esperam, que faça que diga de mim alguma coisa, e o que dizem de vós mentiras verdade o quê, importa dizer quando se diz por se dizer, será que verdadeiramente vos importa ou altera a imagem que fazem de mim na vossa cabeça e que tenho eu com isso não quero saber do que vos aconteceu e o vosso passado não me interessa, porque não falamos do futuro, do que temos que fazer cada um de nós, quando é que aprendem aprendes aprendo a falar, de que vale dizer mentiras ou verdades que se digam acerca de nós para que serve, qual é o sabor, não quero saber de ti e do teu passado, parecem gostar disso, de se contarem as vidas, o passado mentiras verdade gostam de contar de ouvir, mas mais ainda de contar, o que fizeram e aconteceram, ás vezes apetece-me contar-vos qualquer coisa, mas sabem que só vos falo àquele sitio e essa é a ideia que farão de mim, o que serei feitas as contas nas vossas cabeças, isso importa, sim, porque decidem por mim e da minha vida e dizer-vos que não é o meu último reduto, porque este não é o tempo de vos deixar, eu sei, então influi, sim, aquilo que pensam de mim, será licito que vos manobre então, não é disso que se trata, o jogo do poder e do domínio sobre os outros, não tem eles tudo na mão, e manobram, olha que não, olha que não, eu também sei manobrar, será lícito, vamos lá ver, e medo tens, não, mas também não interessa ir por aí agora, de que se trata, de que isto assim não tem piada nenhuma cru nu sem graça.

Diálogos

E cá estamos nós, raça da vaidade lutando pelo seu pedacinho de horizonte no meio da massa, os fluidos dos corpos dispersos pelo mar juntamente com os óleos e as algas que a maré traz e leva, mar reciclador até quando estarás aí para nos banhar, até quando haverá sol capaz de estarmos debaixo dele. Atenção ao pézinho que levanta areia, é por baixo que ela se quer não por cima, atenção ao pézinho que levanta água, ainda não se quer, lá iremos a seu tempo. O pitéu, a merenda, a sandes mista, olha a batatinha frita e a pipoca, o gelado olá tenénéu o gelado olá, roupas afora imperfeições ao léu que todos somos iguais e o sol a todos banha e o mar tudo recicla.

E agora, pega na última gota de orvalho e converte-a num espelho e compara, o que eras naquilo que te tornaste, confronta-te contigo próprio e atinge o ponto lúcido a visão primeira, no bem é que está o sossego, a paz o teu caminho fomenta-o planta-o semeia-o, vive para ele para que ele seja a tua vida.

Diálogos

Minha mãe do céu virgem santíssima como vim aqui parar a este lugar onde tudo tão absurdamente me faz lembrar alguma coisa sem deixar de parecer réplica barata de coisa nenhuma, da ideia que tenho na cabeça do quão melhor poderia ser. Sempre, a cada imagem, a cada novo encadeamento de pensamentos, a cada recuar na acção, esse voltar para trás no tempo, essa memória de tempos idos, de passados perfeitos, que passa nas nossas cabeças. É um juntar de peças, é sempre a ânsia de qualquer coisa. É o converter naquilo que se espera, na demora das coisas que tardam. Aquelas coisas que lembramos desde ontem e que parecem morar num amanhã que nunca mais está para vir. Criaturas fedorentas e sujas sustentadas por ferros ferrugentos, ossadas putrefactas em movimento de vaivém para dentro para fora para dentro nesse desembarcar irreal de coisa nenhuma. Começo pelo princípio e vou caminhando, mas quantas vezes e quantos princípios já lá vão sem que tenha chegado a parte nenhuma, mais, quanto mais avanço mais tenho a certeza, sim, é directamente proporcional, de que nunca chegarei a lado nenhum. Vou chegando, chegarei apenas e só vou chegando, livre de tempos de espaços e de cadeados, vou chegando ao meu ritmo, ao ritmo de ninguém ao ritmo de nada, vou chegando onde tenho de chegar, rápida e assustadoramente por vezes, lenta e dolorosa e enfastidiantemente por outras, vou chegando activa e passivamente quem é a dominadora, vou mergulhando e pondo a cabeça de fora, com os dentes brancos marfim África Angola todos pró chão vem aí.

Sonho com domínios passados na primeira pessoa. Acredito num amanhã envolto nas trevas, num caminhar rápido do mundo e das almas para o sítio que devem ir. Se quiseres para se quiseres para o acaso, para um buraco negro, para uma força qualquer que nos atrai, é para lá que caminhamos, não, não vamos à toa, não vamos à deriva, evoluímos. Através de tudo, o meio, que provoca, que implora, exige demanda ordena impõe sorteia, o meio que é a causa das adaptações, mutações e evolução das criaturas, somos moldados em função do meio e quando não somos ou cuidamos não ser, cedo o meio nos mostra o contrário, ou nos pomos de acordo com ele ou então, atrasamo-nos nesse caminho, nessa procissão excursão romaria viagem luta labuta nisso que é a vida, porque no fundo é uma só coisa, que não era mais que isto, assim comprimido, e agora já vivemos de e para o comprimido, tudo é a mesma coisa. Pensar que existem infinidades de coisas, não, não é egocentrismo, não é, para além de nós não existe mais nada é tão-somente tudo a mesma coisa e não te assustes porque é mesmo assim, porque é que eu tenho o ímpeto de agarrar nestas coisas e pôr onde devem ser postas, porque este ímpeto de conferir ordem àquilo que realizo, àquilo que sei estar em desordem, como sei até onde é que vai, até que ponto é que não quero, depois modificar pela simples rotina, porque afinal tudo está mal, se não estiver do meu jeito, não, sei reconhecer o que está em ordem, tenho a capacidade de discernimento adjacente ao facto de ser quem sou, inalienável de mim, que jaz cá dentro como um circulo preto.


olhai e vede