Ansiedade ânsias estás ansioso, não anseies, corta a pressão mantém o ritmo, escuta os sábios conselhos da mãe natureza que se pinta de verde e faz piu-piu para te ensinar, olha não vês, o voo dos pombos o brilho dos astros o que te espera, é por isso que esperas, sobes à estrela e vês os romanos, execuções e sandálias de couro de boi, o atilho de tudo é a mesma coisa, o tempo é todo o mesmo e o que esperaste ontem já está esperando no que tens de esperar agora, espera só uma vez, só dói da primeira das outras não é que não doa ou possa doer, mas já sabes o que te dói, quando és surpreendido pela dor mais uma vez tudo cai tudo renova como as estações elas em si reflexo do que sentes sentimos, nada é sempre igual no complexo do mundo tudo se transforma a todo o tempo, preguiça inércia deixa para lá aquilo que de menos humano temos de mais primitivo, preguiça inércia a opção máxima na sua simplicidade, não faço não vou não entro, percebem percebes, não pode ser sob hipótese alguma inclinação tendenciosa ou margem para dúvida, compreendo perfeitamente todas as tuas razões sem que para isso seja sequer necessário que mas expliques, porque para mim tens razão em todas elas se achares que tens razão em todas elas, não é relevante, pois são as tuas razões, tu tens as tuas, eu tenho as minhas e não há interferência, a menos que eu queira, compreendes compreendem.
Como tu, como as folhas e as árvores e os pássaros, os cães as moscas o vírus a bactéria a morte, nada escapa, não te iludas, tudo tem um depois, é fatídico, o fim é um véu com o qual a ignorância te aflige, aquele que tem o poder de te afligir é porque te cega, se visses bem ele não te afligia, vai-lhe direito ao fulcro ao ponto nevrálgico, aniquila-o, não lhe dês tempo de respirar de recuar de acenar e fazer de conta que é verde e que te vai devorar não deixes passar, sê, passa das palavras aos actos na leitura perpétua do que não perece nunca, eleva-me essa alma além da impaciência e nada esperarás tudo virá até ti tranquilamente e quando te impacientares lembra-te, que ele está à espera, eles estão à espera, todos te vêem, todos esperam que passes que passe que passemos para eles passarem também, rumo à nova encruzilhada por isso a espera de agora nada é, nada se torna à luz deste tudo cruz que cada qual carrega na medida do que pode pois não te é dada mais carga do que aquela que podes suportar, não fui eu que disse foi ele o que espera e se vês o que vês é porque queres ver um só vê aquilo que quer ver, aquilo que gosta de ver, também não fui eu que disse porque não, porque não desde já criarem-se as asas brancas, brotarem de mim ossos carnudos cobertos de penas, asas já, porque não, para quando essa metamorfose sublime, essa evolução material das coisas, porquê a passagem pelo meio porquê assim e não de outra forma, porque desta maneira em que as coisas nos fogem e escapam, nos superam, esse algo que está para além de nós já existia antes.
Quero descobrir a bondade em tudo isto para que possa sê-la, mas mais que isso quero saber porquê, venha de lá essa lucidez, essa percentagem de massa cinzenta que não usamos venha, venham essas asas. O que é preciso, é preciso interrogar-mo-nos do que é preciso e é preciso que alguém nos responda, ficamos na mesma, o que é preciso, viver é preciso, diz uma voz tímida, não tenhas medo, di-lo com convicção, viver é preciso, pois que a vida é sem dúvida o mais nobre e alto dos valores, outros há que se lhe antepõem, mas o seu gesto é encobridor, é contrário à verdade pois a verdade é reveladora, a verdade é o passo pelo qual tudo transitará um dia, é o enclave rústico do mecanismo, é a chave mestra que ninguém possui, algo me diz que as coisas são cíclicas, e que uma renovação cíclica está prestes a acontecer, onde, em mim, na terra qual é a diferença, o passado ressurge metamorfoseado, camuflado, reveste-se e renova-se como que se houvesse uma determinada quantia em jogo e o jogo fosse jogado com essa quantia, crédito após crédito, chapa após chapa, sempre as mesmas chapas que entram e saem, são débito e crédito nos bolsos de todos, se eu ao menos pudesse reflectir-me inteiro dentro de mim para assim me confrontar comigo, teria a certeza do que sou, sem a mácula dos outros, espelhos por onde passa a minha sombra, não posso conhecer-me se nunca fui, se tudo o que tenho sido é nada e tudo o que jamais foi dentro de mim não atingiu nunca mais do que a categoria de flash, do espasmo momentâneo seguido da tontura febril de ter sido e voltar a não ser.
Caminho pela terra no núcleo da abóbada escarlate, sou elemento fundamental com o ferro e o fogo, terra Mãe possui-me, tu disseste que as coisas se dividiriam e elas sem mais demoras dividiram-se, porque o que as une não as anula e elas vibram independentemente entre si, misturam-se as vozes da multidão, a entrega é uma coisa sublime, sim um acto sublime, apenas umas as mãos capazes de nos receber, devotos de um céu intra- mental, unificador das coisas com carácter fragmentário, tu existes, és o lado oculto de tudo, cada vez mais o momento presente se resume a muito pouco, manda o passado no tédio que sobe por mim acima, no horror dos círculos monótonos que se repetem, nas expressões e gestos de todos os dias que fazem das pessoas o que elas são a nossos olhos dentro da nossa cabeça, fora as suas acções que lhes dizem mais respeito a elas do que a mim na medida em que só em conjunto com a minha vontade me provocam alguma coisa, no resto manda o futuro e o que há-de vir, o grosso de nós está no que não temos, o resto cai no esquecimento ou na recordação tardia aquando da confrontação com qualquer outra coisa, o que bem medidos os alqueires vai dar no mesmo, pergunto perguntas perguntam, o porquê destas expressões todos os dias repetidas o porquê desta parecença da estabilidade com a monotonia, quero ser um abalo sísmico nisto tudo, quero ser a terra e sentir abrirem-se-me fendas e rachas que engulam o podre e o são numa mistura de cadáveres com coisas onde não se distinga o santo da besta.
Mas porquê, o que pretendemos nós com isto, pressão incontornável, atenção focada no que há-de vir, só que o que há-de vir não há, não existe, é o nada, a ele oponho o infinito, uma mistura do nada que há-de vir, com o nada que sou perante ele, e a partir daí está criada uma corrente, cujo centro é este tudo-nada, e as criaturas gravitam em redor dele, bambaleando entre o tudo e o nada que se apoderou delas.
Estar em virtude de alguma coisa faz com que estejamos para lá e para cá dessa coisa, não estamos nela porque ainda não veio, não estamos em mais nada porque estamos nela, nem em nós estamos para estarmos no que ainda não veio.
Por vezes antecipamo-lo (ao que ainda não veio) criando uma torrente de gestos e vícios típicos de quem espera; mas já tarda, diz que vinha mais cedo, mas não vem, espera.
Há sempre qualquer coisa à frente que é suposto vir até nós, o dia seguinte, o depois de almoço, as horas, a locomotiva, o autocarro, ele ela eles, o fim do mês, aquele mês, aquele dia, o dia em que, aquela marcação, aquele compromisso, aquele encontro, aquela hora, a morte, depois vem o desespero, a angústia, o desassossego, então mas nunca mais, mas eu tenho, eu preciso, será tão bom tão mau como será, ai que medo e agora oxalá não venha, acabe depressa, dure a vida toda, porque é que não vem, e subitamente tudo isto nos encarcera, e outra coisa os olhos avistam, um ponto indefinido na massa heterogénea, a consciência do espaço envolvente como uma raiz quadrada qualquer, imposta, por quem ou por quê, para quê, por nada, contudo espero, e é aí que percebo o quão próxima está a relação, a vida e a espera, e pergunto-me se gosto disso, cisma para dentro de mim, contemplação de interiores, todo o enleio sendo dentro de mim como se a dor pudesse passar se eu fosse tudo.
A prova não terminará enquanto não passares todas as provas quem terá dito, prove-se o contrário e a vida perderá sentido, nasce e prova-me o contrário, ó morte, se o filho, aquele que carrega com ele todo o peso, nascesse, como está previsto, o que sucederia, tornar-se-ia mortal como eu e tu, que poderes teria, caminhar para a morte, e esperar também, interminável vaivém das coisas, num sentido de micro e macro cosmos encerrado, ora tudo ora nada, saudades do futuro, planos que se escondem porque não sabemos o que é real, se somos nós que queremos ou se é outra coisa que quer por nós, como conviver com a veracidade disto, não estou a dizer que sim, nem que não nem que nada, são vários os tentáculos que se entre-cruzam, o passado está sempre presente o futuro, é tudo uma tremenda ilusão de óptica, saber viver, ó arte que não se aprende, quantos morrem e não a conhecem quantos a pintam e não a sabem. Distancio-me vejo que flui através de mim, não a sei sinto-a, sou usado não uso, é maior que eu, assim também deve ser a vida, ser vivido pela vida, de um dia a outro quanto tempo vai, quantas décadas há em cada minuto e onde as guardamos, saber esperar é uma vitória e a vitória está em não esperar nada, se esperamos e as coisas vão acontecendo, outra coisa virá para que esperemos, o ciclo não tem fim à vista, é antes uma interminável sucessão, mais vale nunca, não confrontes desvia, vivo mais em sonho do que em vida, sobreviver ou viver, de que se trata, volta lá da pausa e dá inicio à audiência, os senhores façam favor de se levantar, não há cadeiras, o sonho é indissociável da vida, dormimos e sonhamos para acordar e mais um dia, quando não espera vida, quando espera sonho ou será ao contrário, outro nome de outra maneira uma coisa ali assim, ente na rotunda e saia na segunda à direita, o transito é feito em sentido giratório mas é obrigatório seguir em frente, sonhar que outro lado, a vida resumida a uma espera a um sonho o que sobra qualquer coisa de indefinido vontade de voltar a esperar e a sonhar porque é bom como o acto da criação não como a dor de cotovelo de não termos participado, qual é o plano porque está oculto, pôr na vida o sonho trazer a verdade para a realidade e não esperar, sangue ou anemia no sangue que corre nas veias da alma, a realidade como uma outra coisa, a cada momento as criaturas buscando mais sonho mais espera a vida não é vida é ilusão de óptica, caleidoscópio da feira de Azeitão, no desvendar de uma grande ilusão o espanto como uma regueifa, a incerteza de tudo sobre a magnificência de nada, conseguir algo é aniquilá-lo, viver é descarregar da substância de nós, até ao pó, o que disse foi outra coisa, mas esquecer o sonho é impossível, esquecer que a vida é mentira, esquecer a dualidade, um banho maior de água benta, conceitos enraizados na superfície das coisas, desprovidos de fundo, pensamentos estagnados que formam vidas, ilusão colectiva, estupefaciente dos estupefacientes estupidificante inebriante e vulgar, tomado em sobre dosagens de pais para filhos sem que ninguém acorde, sem que ninguém caia da cama e desperte da letargia, deite a droga na sanita como uma revista pornográfica que se leu cedo demais, o que fazem eles um em cima do outro, o que são, querer ser saudável correr aos domingos de manhã beber sumo de tomate, bichinhos cabeçudos que carregam a vida daqui para ali, um nome e o mantiveram, repressão crítica e descriminação em nome duma isca morta, areia parecida com açúcar amarelo com larvas, caminho circular a velhice trará sabedoria vira tudo para a direita torce distorce, desprezo pelas idades da vida, não disse nada disto morre-se mais cedo e mais estúpido.
Vivendo lentamente dentro de mim deixando espaço para que os outros se desenrolem e atacando apenas nos momentos fulcrais, espera de cócoras, encurta e excita o penar da convivência, os processos porque eles passam têm lugar e tempo para acontecer, aprender a saber, diz assim tudo o que deve acontecer acontecerá com o maior dano possível, foge depois dos quarenta para o meio da selva, junta-te com os gorilas e volta para me dizeres não domines, não sejas arrogante, és parte de alguma coisa, o plano será cumprido nas tuas costas, compreendes, a passividade de um momento de espera, a antecipação surda do burburinho projectado aos ouvidos, qualquer coisa que se consome a si própria na ausência do que consumir, ignoro, o que leva as crianças a serem impacientes e os adultos a impacientarem-se com elas, a paciência que não há, quando é que perdemos a inocência, será o recém-nascido um inocente completamente inocente, terá o velho perdido toda a inocência, qual é a idade da inocência, encarará ele a morte sem inocência, pensar em quê enquanto não é chegado o momento, no plano que não me é revelado, estou a fazer tudo ao contrário porquê não sei, a multidão que está de roda de mim sussurra o que ouviu quando estava de roda dele, procurar o princípio da incerteza, eliminar todas as peças, gotas de azeite à tona de água, perguntar onde está o sangue que corre nas veias da alma, perguntar, este estado de abulia, trono que herdei duma linhagem morta, árvore genealógica sem nomes, sem ramos, só tronco; raspa as casquinhas do tronco e despercebidamente urina, esperar o quê, quando vou fugir do momento seguinte, vou por os dedos no mostrador e fazer força para rodar os ponteiros, como roda o tempo, será que nos foge será que me cansa, quanto mais tempo mais cansaço, menos um dia, a contagem é decrescente, quando acordar será tarde serei velho terá passado tudo e eu sem tocar em nada, não mais assustador do que sete palmos ou sete pás de cal debaixo da terra e nada mais, cinco anos e os bichos ainda não comeram, a terra deve ser húmida, dona Manuela estamos húmidos, continuo sem ir ao doutor dona Manuela, continuo a fugir dos meninos que agora já não jogam, mas falam de quem joga, evolução das coisas e eu ao lado, com as fadas sentadas no meu colo cantando, não há receptáculo, ligação entre o estômago e a cabeça, límpida dor no estômago, relação de causa e efeito, um futuro vestido de fato de treino e sapatos de ténis com a patilha branca para fora, deixa crescer o cabelo atrás para tapar a almofada de jade e manter o equilíbrio, era o peso de uma raça a gritar de dentro para fora das trompas de Eustáquio, decibel a mais decibel a menos que diferença faz agora Alexandre, tudo perde a importância quando visto do cume da montanha, olhar universal do complexo do mundo, como mantê-lo quando o cheiro a enxofre, partículas de criaturas do inferno dispersas na atmosfera, a imaginação só mais um degrau da escadaria em caracol, o descer toda a gente se lembra subir é que ninguém sabe, parece que o corrimão escorrega os degraus mudam de sítio, terá sido só ele que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta, lembrar e copiar que mais posso fazer, isto e aquilo e nada, abrir as palmas em cima do mostrador e força para rodar os ponteiros, o tempo mais depressa ou parado, quando morremos pára, quem nos vem buscar, para onde vamos, quem está interessado, terra húmida e sete palmos ou pás de cal, sete palmos o teu padrinho que está enterrado bem fundo.
Assim que me é dada a antevisão de uma coisa, como a esperança, como uma possibilidade, começo logo a esperar, ligação entre o estômago e a cabeça aperto contorção, espero que se concretize, espero pelos sinais de mudança, de renovação, de ciclo, cabalística do plano ignoto, penso em como será, antecipação de tudo e de início não me vejo em nada, só síncope, só perguntas, e eu fora de contexto, os outros esperam e eu sem respostas, os comos os porquês Carvalheira, na tua casa três para três e o lavador de cavalos chegou e nós escada acima, os passos dele galgando atrás e vocês no elevador e tu no elevador Xixa e tu no elevador Matos e eu escada abaixo enrolado, murros na orelha pontapés no estômago sem ligação com a cabeça, porquê eu, porque fui eu que disse, temos que enfrentar as consequências das nossas acções, ninguém me ouviu, nenhuma multidão de roda de mim, ninguém me disse porquê, não percebi o erro, se disse errou, partículas de criaturas do inferno dissolvidas na atmosfera, aperto enquanto não vem o momento seguinte, planos de mentalização, a melhor forma, a luta pelo bem-estar, troféu obrigatório da existência, é através de vós, copista de posturas assim consigo, copista de tudo que mais posso fazer, para que as coisas se passem para que o discurso brote, para que aquilo que quer exprimir se exprima, para que as coisas se passem, passe o som, a vibração, a essência do que quero, queremos, queres exprimir, para que eu me dê e tu te dês, para que possamos dar-nos, juntar o um ao teu e o um ao dele para que formemos um trio e depois exprimir, formar um dueto contigo e exprimir, formarmos um que exprima, que exprima a essência do um, para que o discurso brote e se fale verdade, borbulhas do sangue da alma.
Parece-me que o momento presente é sempre uma preparação para algo que há-de vir, a vida como treino, o quê depois não sei, o sonho, projecções do desejo, revelação do plano, só quando receptáculo apropriado e até que preparado vida, não inferno, não céu, vida, atrás de vida, tudo aqui, umas e outras, acontecimento e ciclos, saber aprender, quando passa o tempo da espera ultrapassa o obstáculo, a visão, que tudo é preparação, nada realizado, tudo caminho, correcto porque igual a outro, no calejar, no moldar, no limar, expressões que nos aborrecem, uma frase que se diz e que não é esquecida e fica na cabeça de quem depois a retribui, processos porque eles passam, paciência que não há, mais vale nunca, mais vale não dar nada, à primeira gota ebulição inevitável e irreversível, escapam-se evaporando de mim para essas paredes em que se colam e depois respostas e depois frases coladas na cabeça, cobras e lagartos cobras, exiges exigem, esperam e pretendem revelações, discurso botado para fora, bota discurso bota discurso, levanta o copo não sabem o que é tradição talvez, querer deixar algo para trás quando nos vamos embora porquê esse desejo de querer ser lembrado, equilibrar os pratos da balança um íman, isto é preciso é calma que bate sempre tudo certo, não fui eu que disse, um ficou o outro voltou, diferentes as mãos de uma só vontade em dispersões que se unem para que equilíbrio dos pratos, sim pois nojo, sem gota de sacrifício que se visse, um alastrar de fluidos negativos pela minha permeabilidade acima, já passou, podes fazer força, palmas no mostrador que os ponteiros não rodam, tantos indivíduos o que os caracteriza, por dentro diferentes e gestos iguais, qual é o traço, um dos muitos detalhes que nos basta, que sempre têm, pelos quais os identificamos, porque não outras coisas, seres alienígenas ou implantes que os valham, mas diferente da ancestralidade das tribos, do mutilar do corpo, primeira forma de arte conhecida primeira forma de beleza conhecida quem tem o maior buraco no lóbulo, quem tem o pescoço mais comprido, quem tem mais cicatrizes no dorso, qual das meninas tem o pezinho mais pequeno, outra coisa, caras diferentes outros traços, para quê a necessidade disto, sempre os mesmos gestos, por dentro diferentes, injectando de si ao primeiro contacto, pretendendo revelações ao primeiro contacto, mostrando o avesso em mentiras com fraca arquitectura, por dentro e por fora outras coisas, seres alienígenas não vindos do espaço, nascidos aqui, ovos postos por libélulas gigantes, o que advém é sono, cansaço, falta de posição no trono da abulia, não sei de quem o herdei, onde está, o que fez, que fiz eu qual é o sabor, depois tudo igual, oferendas a ele que concebeu o plano que ignoro, passagens de degrau em degrau, quem pôs glicerina ou terá sido vaselina no corrimão, descer todos sabem, subir é que ninguém se lembra como, quiçá por nunca termos subido, ser esta a primeira vez na universalidade do tempo, árvore genealógica sem nomes nem ramos só tronco, não percebia ainda hoje não percebo porquê Clara, porque bebias o copo de água no fim da refeição, lembro-me de te ter perguntado vi e estranhei porque bebes isso tudo no fim não bebes com a comida bebes tudo no fim, porque é no fim que tenho sede, ‘tas embuchado bebe água, queres uma maçã rói, é para isso que elas aí estão como as uvas e as peras, frases que aborrecem, porquê a necessidade disto, quando acaba a infância, hoje os desejos reprimidos de então, excesso transformado em equilíbrio ou será desequilíbrio, mesmo desde as canções na marquise, ele sabe a cassete toda, canta mais alto, e calava-me como me calo agora quando me pedem canta, quando peço querem que cante e não receptáculo não púlpito trono de abulia como vim aqui parar de quem o herdei não subi escadas estive sempre no mesmo sítio, mundo pequeno como qualquer coisa que pequena, o filho do dono primo dos primos ou filho do primo ou irmão do filho do primo, agora está alugado, pois está, e não é de agora, outra gerência outras gentes diferente no tempo em que frequentava frequentávamos, e á horta da fonte que nunca fui mas é como se tivesse ido, porque relatos porque semelhanças nos habituais da casa, a loira das calças pretas do sorriso, a óculos e ganchinhos na cabeça, o careca, larga-me deixa-me calma que não te vou morder a orelha, sempre à espera de alguém diferente ou de algo diferente destes alguéns, mas sempre a mesma coisa, o mesmo vazio no fim letargia de cérebro adormecido sono de pálpebras abertas nunca mais até à próxima.
Sou eu que de guardar e não dar agora não tenho, parece que fico a assistir-me tentar, cópia e sincope, vou construindo às apalpadelas porque deitei fora o modelo não sei porquê, porque deitei fora o modelo, agora construo às apalpadelas, o cérebro como um armário, abrir e fechar de gavetas, portas de correr, sempre fechadas, para não sair o cheiro, há uma portazinha assim do lado direito, canto superior direito, à retaguarda, uma portazinha, veste a roupa veste a roupa, a outra coisa que entra, mais o ar que se respira, preciso inspirar dessa coisa por essa porta para vencer o rei, o que se instalou no trono que herdei duma linhagem morta, seres andróginos assim se explica, o porquê desse teu corpo disforme, em qual dos pratos, dizes que equilíbrio, o que sucederá, é a segunda vinda, agora pela boca de muitos, vai-se a ver e todos dizem a mesma coisa, já dita no século dezanove e que há dois mil anos ele disse, os apóstolos estão aí, com outros nomes, estavam mal, não multidão de roda isolamento, depois ele veio e os consolou e os abraçou e lhes mostrou o caminho, mostra o caminho ele disse, eu sou demasiado, porque não assumo as coisas que não assumo, porque não entrego, ser errante pela pluralidade do espaço, onde está a hierarquia, que posição ocupava na escala dos anjos, quem se preocupa com a verdadeira posição, o ascender até ela ninguém sabe, descer todos soubemos, só eles não, os que ficaram lá, nas posições que lhes eram devidas, pergunto perguntas perguntam, como sermos todos iguais quando tivermos chegado onde temos de chegar, quem nos considerará iguais, os que desceram e subiram e os que ficaram no mesmo sítio, não há céu nem inferno há isto aqui, a pluralidade do espaço, o que faremos quando tudo acabar, agora espero por isso, espero pelo fim, quando o fim chegar o que esperarei, como aprenderei a viver sem esperar nada ou será que a espera continua e para a próxima vêm eles, os que lá ficaram, ver como é, como são as coisas no complexo do mundo, não, que eles sabem, não é preciso lama, não é preciso fundo do poço, ou será, é pouco tu nas bocas deles, é pouco uma ou outra voz que se levanta e que te revela, é pouco, é muita a obstrução, os filtros os engodos, porquê assim, não sou eu que vou dizer de que outra forma, o plano é teu e eu ignoro-o, como dois diálogos em simultâneo, um em que se fala o outro em que se diz e o que se disse esteve nas entrelinhas de um e outro, não foi resposta à pergunta, respondeu às perguntas que não foram feitas, está para além compreendem, é um espectáculo permanente para um público que sempre existiu, que existe connosco numa unidade que perdemos algures numa queda ignota, empurrões de precipícios, abismos que atraem almas desalmadas para a perdição original, quem a inventou, quem foi a criatura que prevaricou antes de todas as outras, onde está o juiz dele, do que carrega nos ombros com o peso da humanidade inteira, é o mesmo sim pois e não está, ainda não voltou da pausa para café, porquê mais importante ele do que o que sofre na caldeira da primeira cidade do mundo, quem é ele para julgar a nós seres doridos da dor de cotovelo de não termos participado do acto da criação ou dor perene como um cansaço de grupos e de raças, de feitios, de individualidades socializadas, operadores de máquinas, preparadores, cumpridores de tarefas, até onde posso esticar a corda sem que alguém caia do lado mais fraco, onde estou quando eles sentados nas máquinas, a substância onde está, para onde foge, aquele que sabe de que se fala que poderia, que quereria, diria alguma coisa acerca do que se fala, do que eles falam, do que os une e os desune numa comunhão de pensamentos em colectividades mais e menos estruturadas, para onde vou, o que em mim foge que poderia dizer as palavras que os meus minutos de silêncio trazem pela boca de alguém que entretanto disse o que eu poderia ter dito, não diria portanto nada se tivesse dito alguma coisa, fiz melhor em estar calado, em ouvir no silêncio que me entrou pelos ouvidos o individuo que disse o que pensava, o que ele pensou, o que os outros pensam e estão à espera que seja dito, ouço-o mas não o digo, e quando ele diz abano a cabeça e escuto o que eu responderia se tivesse falado, a mediocridade afirma-se inevitável na ausência de expressão do que não exprimo, dos pensamentos que ficam sublimes por dentro, não quero inverter, o que é ser transparente, carácter dizes tu carácter, brio profissional, eis como te respondo, cópia e síncope, pensamento por dentro mediocridade por fora, curso de desenvolvimento pessoal, contacto com o eu superior, largas os óculos e ganhas nova postura perante a vida, carácter obsessivo das coisas, ter massas compactas de sentimentos como partículas de criaturas do inferno não dispersas pela atmosfera, cá dentro de roda de mim, necessidade de dar corpo, indivíduos sem rosto, só massa compacta de sentires estranhos ou não tão estranhos como isso, mediocridade por fora, ser-se para o complexo do mundo não transparente, personalidade, estás um pouco mal aqui, será porque sou transparente, será que sou facilmente confundido não com o que já deu no cavalo e na coca, drogas duras por assim dizer, os dentes deteriorados o cérebro queimado maço agarrado, não sou Ricardo sou outra coisa e o que quer dizer o nome que me chamam, as voltas que tenho de dar à cópia e à síncope para que expressão, quem sabe, quem me vem medir os alqueires e dizer, não passas de mediocridade por fora, equilíbrio para que pensamento por dentro, mas depois saco roto poço sem fundo, onde está o receptáculo, o reflexo o eco, a mais qualquer coisa do ar que respire e que me encha para que não síncope discurso fluido, oralidade transparente eu opaco, eu um nome ou uma cigarreira, onde está o espaço para os meus gestos para a presença, que é feito quando me ouves com os ouvidos dispersos, fora de mim, não como a ele lá dentro roçando amando, tenho inveja sem a ter, torrente de sentimentos baixos que não o são porque não os tenho, porque são um individuo sem cara, são massa compacta que precisa de corpo, onde está, se não crescimento do que se passou, não pontes não continuação, onde estão as ferramentas para a sequencialização, ninguém mas vem dar nem eu as quereria, presença morna sentada a meu lado, está velha, um dia destes morte e depois presença ou fuga para que desgraça, nem doces ilusões só espaços vazios, só ausência, abstinência na prática afirmativa de determinadas acções como um ritual a um deus com cabeça de um animal qualquer num templo construído por um povo desconhecido e se eu disser que sou transparente porque preciso, que sou sombra porque quero ou porque não sei ser outra coisa, o que farás quando o teu discurso infrutífero sair pelos meus ouvidos como pelos bocejos de todos os que te ouviram e quando te vires reflectido na minha sombra pensarás qualquer coisa e isso que pensares serei eu, será a minha personalidade a correr-te nas veias da alma e olharás novamente e não transparência, opacidade velada aos teus sentidos embrutecidos pelo carácter, não quero inverter as coisas, até porque não paraíso verde não criaturas vestidas de branco, sim carácter sim brio, mas como ele disse, amor a todas as coisas, tu tens brio para que posição, para que hierarquização, esse respeito feito de cifrões e que faz a tua peça na extrema engrenagem, existe um plano que desconheces, de que te vale cumprir ordens de quem não o conhece, de que nos vale, que evolução esta, os mais industrializados do globo, é este o caminho que ele mostrou, é isto a verdade e a vida, porque seguem por ele os destinos do mundo e mais um dia todos acordam para gastar vidas neste tumulto, como posso conformar-me, dirigir-me ao gabinete de expedição entrar em contacto com a extensão nove cinco sete, abastecer as vossas dispensas para que as minhas prateleiras de ferro, os blisters e o profissionalismo na extrema engrenagem, fui eu que pedi e agora não vejo, terei de consubstanciar ou estar ainda mais calado por dentro na dúvida de não saber o que dizer, capacidade de discernimento entre as árvores e o fruto, quando não levam pesticidas degeneram em fenómenos inúteis porque apodrecem antes que alguém os veja e muita casca pouco sumo, mais vale outros caminhos, ilusão no complexo do mundo, em casa de frei Tomás, eu aqui porque assim quis, agora antes de querer qualquer coisa tenho que assumir o que quis ou repetição e não repetição porque mecanismo, astenia primaveril no desabrochar como na queda da folha, são pessoas assim, apensas a este tipo de fenómeno, parece que não descansam o corpo, o outro corpo fica ali colado não vai a lado nenhum, depois despertar e cansaço tédio e monotonia, algo de novo, não paraíso, campos verdes com criaturas vestidas de branco, não inferno, nem partículas de demónios dissolvidas na atmosfera, isto outra vez com mais trauma e drama e dor de cotovelo, até onde será possível manter o termo de comparação e não pisar o risco, manter a empresa virgem na construção que é sem roçar nos pontos em que a anterior falhou, aplicar o conhecimento que adveio do erro, equilibrar os pratos, se forças e energias tão díspares em criaturas com gestos iguais, ir pegando daqui e dali como um tacho quente sem pegas, muito tempo gasto quando bolo, nenhuma hibernação para o digerir, afinal ela estava só a hibernar, elas no Inverno hibernam, não morrem, escondem-se dentro da carapaça, se tiverem o corpo mole e à vista estão mortas, cuidado não deites nenhuma fora só porque está a dormir, seria como enterrar alguém vivo, sem febres que a terra cure, areia até ao pescoço só um buraquinho para o nariz, foi assim que te salvaram, se hoje tubos e antibióticos e ataque ao sistema imunitário, tudo custa dinheiro chapa, mete chapa, umas atrás das outras sempre a mesma chapa débito e crédito nos bolsos de todos, será que ninguém acorda ninguém atira a revista pornográfica para a retrete, não há pudor, o papa morreu, outro se lhe seguirá e quando eu morrer, até lá sonho, há escolhas permanentes, opções vitalícias, onde está a capacidade de discernimento, quem comeu a maçã, o que terá pensado quando defecou, como terão sido as primeiras sensações, a primeira vez que, terá sabido a cópia tão cópia como agora, quem mo vem dizer, quem me vem apagar os pontos de interrogação e pôr virgulas, ele já voltou eu é que não o oiço, sou demasiado, não assumo as coisas que não assumo, não sou constante o suficiente para que vibração correcta e sintonização, como poderei ser emissor se não frequência, falta receptáculo ou faltará estruturação, não posso duvidar de tudo, quem está do meu lado para ir dizendo sim e não aos pontos de interrogação, que multidão de roda de mim pondo virgulas, o que farei depois de a conseguir erguer, os joelhos esticados, o peso nos ombros, para onde caminharei, quantas formas de fraqueza existem, será que as distingo a todas, a gordura é a flor da carne, a concentração é a melhor forma de alheamento possível e a imaginação é mais poderosa que a força de vontade, não fui eu que disse, só comprovei, quem o disse foi um dos que fugiu para a selva e viveu no meio dos gorilas e depois voltou para dizer não domines, foi para o cume de uma montanha gelada fechou-se numa gruta a comer uma folha de chá por dia, a beber a água que brotava da rocha para conquistar o direito à critica, para ser duro, o que mais é preciso, para que raios de sol pela minha alma adentro, será que sou sempre digno de me prosternar diante dele e pedir, como ganho o direito a possuir, quão sujo posso estar, sei o que não posso, ele diz que não medo e sim a observação e a experiência, verificam-no tantas criaturas no complexo do mundo, que o usam como mecanismo de defesa, mas ainda assim acabam comidas por aqueles que puseram ferramentas e força no lugar do medo, se te mostro medo vais pisar-me, se sinto medo vais subjugar-me, sim sou bom em correspondências, é pertinente porque é o que diz que se deve, ser bom é bom, ser mau não presta compreendem, ele tem uma índole boa, não faz mal aos outros meninos e não responde quando lhe fazem mal, não retorna as ofensas, não bate a quem lhe bateu, assim eles vão sempre batendo gozando cada vez mais e no fim, depois de toda a distanciação estamos todos, eles e eu, no mesmo sítio, diz que nós é deus e eu é do diabo, então porque criou ele a individualidade, as formas de ser de cada um e o complexo da sua colectividade na persuasão perpétua de precisarmos uns dos outros, de brincarmos às mamas e aos papás, criaturas copistas jogando um jogo criado noutro lado, um texto escrito para outras personagens, ponham-se os senhores na posição indicada na hierarquização das coisas, eu mando tu obedeces, eu sou senhor tu o que és, quem se subjugará à lei do mais fraco, porquê a ausência de força vital, porque a trama que nos impele para posições que são tomadas pelos outros como uma intenção nossa, como a expressão de alguma coisa, quando não passam de reflexos, um institui um sistema, criam-se os lugares, atribuem-se funções a números e depois representa-se, lê-se o texto que alguém escreveu, é-se o que é suposto ser, porque senão não presta e acabou e não pode porque precisão, disto e daquilo na trama da vida e ele vem ver, um dia aparece à paisana, sorrateiramente sem se fazer anunciar e vê o que quer ver, vê que tu deste uma segunda oportunidade ao teu menino Palmira, porque malandro não lhe renovaram o contrato, mas tu couro cabeludo cor de marmelo e violência doméstica e ele de volta, o malandro que sempre foi com o mesmo número, o plano é daquele que já se foi embora porque já viu o que queria ver, curso de desenvolvimento pessoal Rosário, são gentes do Ribatejo, têm filhos para criar e receitas de bolo de chocolate, diz que não perdem a loucura nem a boa disposição, qual é o plano dele, não do que veio ver o que queria e se foi embora, do outro, do que está a ver tudo o tempo todo e concorda e diz que sim com a cabeça ou dirá que não, e sopra o jogo nos ouvidos de quem não tem armas, apela à paz no meio do conflito e atira pedras a telhados de betão, é pouco essa tua voz sempre mais fraca, é pouco que se dilui em que se solvente, dele são os poderes do outro, que teria de existir antes de tudo isto para tentar, como é, estou cansado, não vens como aos outros explanar e discorrer, sou demasiado, não assumo as coisas que não assumo e quereria dizer outras coisas, mas nada mais me vem à cabeça senão como é que é possível que eu ainda não tenha descoberto nada desta situação, então e morrerei assim porque passa o tempo sim pois e um dia morte e eu sem descortinar o plano soberbo e os passos que marcaram o trilho do infortúnio, da odisseia idílica de chegar a qualquer lado, porque é que tudo tem de ser pedido, implorado rogado, mãos para o alto em súplica a todo o tempo, para merecer ser merecedor, qual é o grau de purificação, até onde posso conspurcar as minhas mãos de vício, até onde a minha mente perdida pelos baixios da ignorância e mesmo assim clamar por possuir, clamar pelas respostas que não vêm, clamar pelo absurdo de ser dúbio, de ser mais que uma coisa, de sentir assim desta maneira, antecipação da morte pai, sentir-te do outro lado há muito tempo, sentir-te dentro de mim como nunca antes estiveste porque agora morreste e estás junto de mim, junto deles que andam por aqui e por aí neste complexo, quando fores de verdade vem dizer-me depois de já lá estares, vem dar-me a tua palavra, sim, mais que sete palmos ou sete pás de cal, pó e mais qualquer coisa que se respira, além do ar, de que nos enchemos quando nos dizemos vivos, para dizer qualquer coisa encher-me da substância de mim, que é o quê, sensações e sentimentos emoções, isto é a geometria da alma, raciocínio e capacidade de sequencialização, mais do que pó, mais do que sete pás de cal sete palmos debaixo do chão será suficientemente fundo, quanto tempo, é preciso que todos os dias a todas as horas te reverenciemos, reconhecendo a nossa posição submissa, onde estiveram as oportunidades, em que virar de esquina que virei para o outro lado ou que segui em frente, convencido que em frente é que há caminho e afinal era lá dentro, era aquilo mesmo e agora estou aqui e não lá e não volta, ou será que volta, qual é o sabor, ou a diferença, execuções, cabeças a cair dentro de cestas cortadas na guilhotina, mais um pelas mãos do grande benfeitor, deturpem-se os conceitos até ao limite máximo, façam-se as gerações vindouras acreditar que tudo está certo, armas de destruição maciça, o lucro e o capitalismo, o ódio a guerra e a opressão, dominem, acreditem no domínio, voltemos à idade das trevas se for preciso, mas deixem-me ver depois quem virá dizer não, quem irá para o meio da selva viver com os gorilas para voltar e dizer não domines, quem se pregará na cruz para salvar os mortos e depois de eu erguer os joelhos e a ter levantado, com o peso todo nos ombros, para onde devo caminhar, qual é o primeiro passo, quem mo vem dizer, quem vem tirar os pontos de exclamação e pôr virgulas, porque é que é através de vós, porquê nada uns sem os outros e porque é que não nos convencemos disso, qual é a estiva de quantas precisas, as prateleiras os blisters os escaparates para que as minhas prateleiras de ferro com alguma coisa que se coma e rua e de cá para lá e de lá para cá, para que tempo, para deslindar o plano, antes que tarde demais e eu velho e sem tempo, mas a sentir qualquer coisa mais do que nunca, próxima, e dentro de mim serão as respostas, será a luz o que será, ser do som, não querer saber das damas, droga e som no adiamento do espaço, no adiamento do compromisso que se tomou com o juiz, eu faço eu pago, acertem-se as contas que não gosto de ficar a dever nada a ninguém, gosto de andar de cara levantada pela rua, não passes para o outro lado do passeio quando eu passar por ti, fala-me, queres o quê, reverência porque feitos, estátuas e o teu nome em ruas e em aviões que ficam com a estrutura abalada porque aterraram em cima dos motores, o que aconteceu ao trem de aterragem, será da falta de pessoal no banco de ensaio, entraves inultrapassáveis, será que a minha atitude me conduziu ao ponto em que estou, dizer nunca mais é mentir não se quebram as cordas do passado que nos sustém, querer cavalgar pelo tempo encontrando viajantes como o vento que passa, viver na superficialidade ou estar sentado sempre no mesmo sítio sentindo tudo, foi o que se criou, lidar com bebés é bom porque não precisamos de construir nada, vemos tudo o que está criado e contentamo-nos com isso, será porque não sabemos a dimensão ou porque perdemos a visão de que tudo está criado e só nos resta observar, quando crescemos sentimos a necessidade de construir, estar com os outros apresentando estruturas, mostrando portas jogando o jogo dos espelhos, porquê não só respirar e partilhar da alegria de estarmos vivos e juntos, ver que vemos a mesma coisa ou descobrir no reflexo dos olhos de alguém o que de outra forma não reconheceríamos, aprender assim, modo contemplativo, criar para quê, iludir a quem, a contemplação nunca terminará, não será um erro, um pecado, pensar que criamos ou podemos criar alguma coisa, birra de criança que ao aperceber-se que é suposto que participe imita, antes de buscar da substância de si imita, faz como viu fazer, que gracinha, que piada tem fazermos tudo uns como os outros, quem foi o primeiro a fazer, como se evolui, o que será evoluir, quem terá de fazer outra coisa, o que fará, estará o destino da humanidade ou da sociedade nas mãos dele ou só alterará a sua vida, já será bom, ao mudar-se a ele mudará a face do mundo, não fui eu que disse.
Para encher definitivamente os pulmões daquilo que preciso, será que demasiado, não consigo porque excesso e então síncope, não entendi favor falar um pouco mais alto, mais alto Nelson, se não copiamos então o que fazemos, o que vais fazer, ganhar experiência sim, volta para me dizeres não domines, eu fico andando de cá para lá na luta de assumir o que não assumo para que mereça descanso, até lá labuta, como companheiro do sol e a substância vai ardendo, será que aguentarei o suficiente para que cumpra o desígnio dele para mim no complexo do espaço, do plano que concebeu e não me disse, da água que me lavou, agora devo lembrar, permanentemente perguntar, entrar em contacto com a parte de mim que lá ficou, excesso carácter fraco ou opacidade da alma, limpo para que não sombra, quem me vem por as palas nos olhos para que não os veja de roda de mim, querendo o mesmo que eu quero impulsionando, deambulando sem querer nada, passando os dias que nunca mais passam e as horas que passaram revividas na síncope de quem não sabe dizer como foi, o que terá sido, o importante é sentir ou o que é importante, da subjectividade da importância quem me vem dizer, as uvas a dona Manuela o terraço o muro de pedra, nunca saí do mesmo sítio, sempre estive aqui e o público é o mesmo, as mãos no mostrador para que os ponteiros mais depressa, atento ao tic-tac para que concentração, a seriedade dele, a minha verdade com gotas de suor na testa, com cheiro a suor nas marcas do lombostato, foi assim que eu quis assim me veio, quem manda afinal nisto que é suposto ser bom, é só o que fica, a imposição do sentir bem, porque o mal é a força a eliminar, partindo do pressuposto que duas forças dominam o mundo, como considerá-lo certeza absoluta, quem vem dizer eu sou isto e só isto, quem nega, quem procura provar, ainda assim pressuposto, qual é a penalização por uma jogada ilícita, estou preso às concepções antropomórficas, levem-me para o alto da montanha, para o sítio onde possibilidade de verdade real, então busco e excesso, por fora mediocridade, fraqueza e dor sem perdão, na reviravolta da passagem do tempo, quantos anos, quantos alqueires, onde está a fita métrica, vou palpando terreno em redor de vós, os outros da minha existência, das vossas existências, nesta unidade que concebo, nesta inconformidade que detecto, apliquem-se as medidas correctivas, cumpram-se os procedimentos, faça-se revolução e mude-se de sistema, ache-se a compatibilidade disto com aquilo, na raiz quadrada de um número irracional e assuma-se o que é preciso ser assumido.
Uma certa nota vibratória, na qual vibro e me sinto em casa e me sinto bem, a procura dessa nota, a extensão do tempo, camada sobre camada no fuso de tudo, a plaquinha quadrangular de madeira com o espeto de aço, depois papeis, folhas em branco, nas quais escrevo, escrevemos o caderno do tempo, um estar no branco da folha sem nada para dizer, lendo através da opacidade revelada aos olhos do silêncio, não ir para fora não há paisagens nem viagens nem descoberta, quem tudo criou, como é esperado que se veja, o plano, se soubesse era só realizar, a ordem secreta, não maçonaria uma outra ordem, hierarquia das coisas, eu mando tu obedeces, o ter de, o único caminho possível, a bóia, o descer o rio, onde está, para onde foi e eu o que fiquei aqui a fazer, que nunca saí do mesmo sítio, esta coisa que está por dentro exigindo mais, mais que eu e que tudo, apagando as vozes do mundo, calcando, trazendo água para diluir a sedimentação dos milénios de informação genética embutida, o preço, o sabor, criar, ficar lá nesse sítio donde vim, onde moro e para onde vou, e criar, expressar exprimir experienciar, propósito da existência, recriar quem somos, como não plagiar, quando o que se quer dizer é a mesma coisa, sim plagiou, prejudicou, e assim venceu, vendeu o peixe que não pescou, não era seu, e vendeu e ganhou e hoje é pivô, e ele o que é, o que criou o que trabalhou, é tudo o que seria, é a mesma coisa não compreendes, que aceitação tão complicada porquê, não está bem esclarecido o porque esquecemos, a necessidade, tão belos como tão poderosos como, a aceitação da vida do nosso ser da nossa condição, e as tentações que as há, o que nos tenta se o diabo não existe, as coisas por si a escolha o livre arbítrio, resumindo tudo é o que melhor me exprime e tudo mudará quando eu mudar e crescer e escolher outros parâmetros para medir o infinito e quantificar o absoluto nesta tentativa de ser o que realmente sou, primeiro tenho de lembrar-me, esquecer o resto, as cadeias de informação gravadas no código genético, essa massa compacta de pensamento colectivo, lembrar-me para depois ser quem sou, escolher aquilo que melhor me exprima, não do leva e trás da matriz da existência, tecido inimaginável que nos cobre por cima de tudo e por baixo de tudo, influindo eu sinto, sempre senti, a totalidade do padrão ainda não, mas retalhos, não sei de outra forma, primeiro isto depois as outras coisas, para perder-me, se me perco quando não estou sentado na cadeira, peça e lugar único, qual é o conselho, assim frente a frente olhar-te nos olhos e ver que verdade, exprimida e sentida, por cima das máscaras por cima de tudo, verdade com verdade formando um corpo, da energia que emana do meu centro para a vossa para a tua, que emanas e que sinto e que se enreda na minha e novos seres a cada pensamento, consubstanciações que desejo, na complexidade do espaço, a verdade que precisa ser dita para que seja reconhecida, tu a entrares por uma porta em que te vês perturbada com acontecimentos escritos em folhas de que já não te lembras, esqueceste-te do fuso, do ferro de aço pertuberante da placa de pau, não tens as mãos sobre coisa nenhuma, os ponteiros giram agora aleatoriamente não forças ocultas não acaso, uma aleatoriadade prevista, concebem, uma novidade de que tenho consciência desde que tenho consciência da consciência, chaves mestras para perguntas que crescem como os bichos, num sentido que lhes brilha nos olhos, longe do bem e do mal polaridades da vida, nada está certo ou errado não fui eu que disse, não te percas com certezas não duvides, aqui e ali o equilíbrio do universo, a voz constante dessa qualquer coisa que conspira, a todo o tempo o um irradiando na matriz absoluta, o que seria do que foi dito se não tivesse sido apagado, agora dizer outra vez, onde está o texto, freneticamente o frémito de te sentir nesse teu mundo, nessa parte da teia, sou como uma aranha, sinto a tua vibração, não te vejo não te falo não penso em ti sinto-te na tua ponta da teia e sei que continuará a subir por mim acima, descargas energéticas de corpos que se criam, de multidões que giram em torno de nós, do lá e do cá como uma só coisa, uma pomba recortada numa sombra azul, quem se lembra primeiro se o pensamento é o mesmo e a corrente une quem se deixa levar.
Agora assim aceitar os desafios, a cada novo acordar repleto desse mesmo sentimento, ainda não totalmente descodificado, não porque sou desafiado porque o desafio é uma oportunidade para exprimir melhor quem sou e quem quero ser, a única coisa que realmente importa, tudo o que há para fazer, não acreditaria se ele me dissesse cara a cara frente a frente com olhos de verdade, não tens mais nada para fazer, ser quem realmente és é tudo, não acasos não há e todos, as relações são anjos enviados do céu que é só o que há, não existe mal só ignorância, apelos pedidos de socorro, ligações que não se perdem no complexo da matriz, da teia infinita de tudo o que existe, compreendes, eu preciso de me lembrar qual é o sabor, preciso saber de que se trata, por todas as formas de todas as maneiras, sentir e inteleccionar, sim todos precisam, saber quem sou, isto implica saber de onde vim onde estou para onde vou, qual é o propósito o propósito é este, quereria não necessitar de mais nada, sim ter as necessidades básicas providenciadas por uma qualquer providência, não ter de me levantar ir trabalhar gastar tempo com esses meios para atingir o fim de ter uma casa de ter o que comer quem disse que o propósito era esse mentiu errou, empecilhos entraves à verdadeira realização, não descanso, acordo com ele emprenhado embrenhado o sentimento do que preciso fazer, do que precisamos fazer, descobrir o papel descobrir o como, cessar o quem me vem responder, já eles diziam desde os tempos remotos as primeiras folhas escritas, a verdade é uma e está acima das opiniões, acima das opiniões e dentro de nós, buscá-la é nadar através do mar dos opostos, mundo criado por Ele para que pudéssemos experienciar, descobrir primeiro experienciar depois, manter o pensamento centrado numa outra coisa, é sempre o último que prevalece, a última imagem, a concepção mais sublime que tenho de mim, que temos de nós, enlace na dicotomia, na polaridade neste confronto e encontrar de opostos e de iguais, quem somos, individualidades partes peças de um todo que é nós que é deus que é tudo o que existe, eles do lado de lá, no reino do que é invisível, nós do lado de cá mortos e vivos na comunhão do que é e do que vai sendo e do que não é, é através de vós, pensar em ti como em mim, quando deixo os sentimentos centrados no meu eu, quando deixo de viver para me alimentar para que carro e casa e contas a pagar, nada cairá do céu enquanto esperar pelo que nunca há-de cair, nunca me libertarei desta roda interminável enquanto esse pensamento focado em mim, na prestação do carro, na prestação da casa, no emprego instável, não é o estado que tem de mudar embora tenha de mudar, não é o governo que está mal embora esteja, não são os patrões que me tiram os direitos embora tirem, não são os poderosos que me têm de fazer chegar as últimas novidades que beneficiarão a mim e ao ambiente do mundo dos meus filhos, embora tenham a obrigação de o fazer, sou eu que tenho de acordar, de despertar de abrir a minha consciência, de pensar dizer e fazer de acordo com quem sou, de acordo com o que quero ser, se me preocupam todas estas questões não espero que nada caia do céu, não maldigo a vida e o universo, não culpo os outros pelos fracassos da minha vida, não culpo os outros pelas minhas frustrações, compreendes, onde está a verdade ó sustentáculo de tudo, até onde posso ir sem que te sintas desconfortável com o que digo, eu sinto-me desconfortável pela cama de ilusão em que vivemos vivo vivem, porque não me liberto, o último pensamento, renovação reestruturação, se não me serve mudo, se não exprime a ideia mais sublime de mim mudo, se não gosto mudo, se não estou de acordo luto, se quero adquiro, se não quero não tenho. Está tudo nas minhas mãos eu sou deus, tenho todo o poder que quiser, partilho-o, com outros deuses que como eu têm todo o poder, não permito que aqueles que o detêm e o não querem partilhar me subjuguem, eles mandam eu obedeço, faço uma revolução dentro de mim, descubro quem sou quem quero ser e digo-o, Sou-o. Ou então encolho-me, porque medo, de inúmeras coisas, porque há de facto, uma hierarquia que arruma as pessoas, porque por mais alto que sonhe custa sempre acordar, de olhos abertos quem posso ser, como transformar a raiva em produtividade, como brotar discurso da síncope, como confrontar-me com, deixar sair os monstros do armário, será tudo uma questão de vontade, em que focar a tríade, o corpo a mente a alma em que pensar, como entreter a mente enquanto a alma é, como ser três, compreendem, porque objectos e dispersão, concentração em quê, uma coisa defronte da outra, coordenadas sem nomes só pontos no espaço, horizontalizar o pensamento, por momentos concentrar a energia naquela esfera que então se forma, um ponto e depois traçar uma linha, horizontalizar o pensamento, é sempre o novo que interessa, é ele o que melhor me exprime se a cada momento não fizer mais nada do que ser aquilo que sou, sempre tentando ir mais além, mais fundo e mais dentro para descobrir, para lembrar, para representar criar e recriar quem sou, focar em quê, qual é ponto de absorção, se os factores externos são perenes, movimento de vida que evolui, a concentração em todo e qualquer ponto que não seja eu é dependente de outras coisas para além de mim, é o espaço vizinho, é o poder que partilho com tudo o que existe, poder que é meu e de mais quem o tenha, não exclusivamente meu, penso que sou todo-poderoso, na minha vida mando eu, eu é que sei o que quero e para onde vou, nada do que ninguém me diga será a razão porque eu faço digo ou penso seja o que for. O meu pensamento é um reflexo de quem sou, pretende ser o mais puro dos reflexos a imagem mais sublime de todas as que posso fazer de mim, isso pretende ser o meu pensamento, digo-o em voz alta para que os outros saibam que sou, falo verdade e a verdade de mim, que é verdade porque diz respeito a mim e só eu sei o que se passa comigo para que servem as coisas, qual é o propósito das minhas palavras das minhas acções e dos meus pensamentos em relação a outrem, centro de mim, centrado em mim, sempre no mesmo sítio onde sempre estive e de onde nunca saí, contudo é através de vós que chego lá, vós fazeis parte de quem eu sou, vocês fazem parte de mim, tu fazes parte de mim, da minha verdadeira essência e eu uno e indivisível como sou, faço parte de ti uno e indivisível como és, fazemos parte da mesma coisa, do eu que és tu e sou eu, do eu que é e nunca pode deixar de ser, do eu que é ingénito eterno único, da peça fundamental da engrenagem, tu eu todos os que te rodeiam todos os que me rodeiam todos os que conheço e os que não conheço moscas ou aranhas na outra ponta da teia, onde está a mente em todo o processo evolutivo, o que passa através dela quando a adormeço, quando a calo para me poder ouvir mais alto, onde está essa que me transmite os meus desejos mais básicos, instintos primários os bichos a selva inteira dentro de mim, rugindo e piando dentro de mim, olhando com olhos de verdade a vida, lutando pelo único bem que ambiciona possuir, vida e mais vida, o que são os meios o que é para um bicho matar o que é para mim, um meio onde está a diferença, o que me distingue, ser defecante e urinante que caminho, tendo a noção de que caminho, saberei para onde vou, saberei o que faço, saberei o que penso, saberei quem sou, ele sabe, o bicho que está dentro de mim, eras defronte de eras, pontos e mais pontos no espaço, coordenadas com nomes de gente, mais velhos que a idade, recortes de sombra na luz branca, o voo perpétuo, o que se atinge nunca.
O que é que tens para dar, mais do que o que eles estão à espera, é o que move, o que tens para oferecer, para que os outros possam comprar, tens que vender tens que negociar, mostrar o que queres que se saiba ou mostrar quem verdadeiramente és, o que é preciso para que isso aconteça, se te parece fácil vê outra vez porque não é, se pensas que é o estás a fazer pensa outra vez porque podes não estar, se perguntássemos, muitos estariam, se todos estivéssemos as coisas não eram como são, portanto é porque andamos enganados andamos a brincar com isto às mamãs e aos papás a fazer de conta, eu mando tu obedeces e tu não queres obedecer queres ser quem és e queres que eu oiça que eu veja queres exprimir-te segundo a tua realidade, mas depois vêm contas e créditos e débitos e recuas e duvidas e já não sabes o que fazer o que está certo de onde te vêm as sensações, porque eles são muitos e querem todos a mesma coisa e dão-te na proporção do que lhes convêm e eu que não sou a teus olhos aquilo que sou, talvez pela imagem que criei aquela que tu ainda queres ver, mas muita engrenagem depois disso e agora uma outra coisa que preciso de assumir para que tu vejas se eu não assumo não poderás ver, continuarás a ver o que foi assumido, assim é, mas assim não seja porque eu não quero, quero que vejas o que sou e não o que te quis mostrar um dia e a tua abertura para isso está onde começar a minha, no principio de eu assumir, por isso estou calado para ver bem o que digo mas não resulta porque o silêncio é mal interpretado e depois sincope e esforço desmesurado para chegar a parte nenhuma ou a essa parte que sempre se quis chegar, o que é definitivo, dar sempre o melhor de mim, neste momento que é tudo o que existe, é agora que tenho de ser não amanhã não no dia em que, agora e preciso agora desse momento que concretizo, desse espaço depois de todas as outras coisas que preenche o vazio que não suporto, se um dia tudo por água abaixo não faz mal porque estive e fui o que era preciso para que tivesse sido, o mesmo não posso dizer das restantes esferas ou poderei, quem pior do que eu para me analisar, pelos vossos retratos não vou nunca chegar à minha imagem, quero calar-me para vos apagar, para apagar a minha mente nas vossas imagens nas vossas palavras nas vossas ideias nos vossos pensamentos de mim, todos vós apagados para eu ver, para onde preciso de ir para que suceda, gorilas no meio da selva eu não voltava porque nunca chegava a ir via o sol e o mar e os reflexos doirados no meu corpo e pensava corpo e pensava-vos e os milénios de informação genética contida no código, quem vem decifrar o código e dizer-me somos todos uma grande família, fazemos todos parte da mesma raça, indivíduos da mesma espécie, seres humanos o que é isso, partes de um todo que concebo. Não ia para o meio da selva viver com gorilas porque preciso de vós para ser quem sou, os gorilas na selva, eu convosco nisto a que resolvemos chamar terra, eles connosco na sapiência de viver em harmonia com o planeta, essa independência de considerar a existência de outros seres, este ser especial a esfera borbulhante e viva que piso que pisas que pisamos sem saber sem lembrar sem reconhecer que está viva e que existe, sentindo assim por ela respeito e amor porque é uma das nossas, tem existência como eu e tu ó todo-poderoso que tens tanto poder como eu tenho no poder que partilhamos de sermos um, consegues conceber a linha orientadora de tudo isto, consegues, até onde posso esticar a corda sem que ela se parta do lado mais fraco, para quando o equilíbrio para quando a horizontalização necessária para que eu estique e diga o que precisa ser dito, a verdade de mim para que tu saibas, a consciência de que és tão verdadeiro e possível quanto eu nesse espaço que é teu nesse pensamento colectivo entre ti e eu, o todo e as partes em uníssono, ir para lá e ficar escolher o sítio, mas não posso, vou contornando sim e não como um labirinto que se desenha à medida que avanço, se eu dissesse acabou, acabou-se o tempo, não posso mais escolher entre uma coisa e outra, estou condenado a levar a cabo a escolha que não fiz, por não escolher nada ou por não escolher o que era suposto agora acabou-se a escolha há este caminho que trilhei este momento que vivo, ou um novo acordar a cada começo, sempre a possibilidade de, tudo para o alto e gorilas e becos sombrios ou o sol da minha vida, se te dissesse larga, larga tudo e anda comigo vamos à procura até acharmos tudo, que não nos falte nada nem as forças para continuar porque estamos juntos e é essa a razão de tudo, por isso é que nada importa. Risco, não corro risco nenhum, não posso fugir do que nunca procurei, não correrei o risco de ser uma coisa que não quero, ganho sim um direito à parte, um lugar só meu no acontecimento das coisas, o encaixe que só eu preencho o elo de coesão, não quero outra coisa, quero esta repetida até que perceba, até que realidade e experiência que é o que nos interessa, escolho este caminho em detrimento da fama da glória do reconhecimento e até da arte se precisasse de abdicar de ser artista para ser aquilo que sou e dizer aquilo que penso, deixo para os outros escreverem o que não pensam ou inventarem para não pensar, eu quero pensar e escrever a mesma coisa, porque quero fazer aquilo que penso, quem não compreende, há espelhos reflectores à entrada de vós, é por ser fiel que os vejo, sou fiel a mim, ao que acredito ao que penso e ao que escrevo que é tudo a mesma coisa, um novelo sem fim uma historia feita de milhares de anos de experiência embutidos no código genético, vimos dos macacos papá, somos macacos que falam compreendem, esqueceram-se de onde viemos para onde vamos o que fazemos aqui, pois eu não faço outra coisa, é isso que há para fazer, lembrar e ser, criar e divulgar porque ainda há quem rasgue a revista pornográfica e a deite na retrete, porque cedo demais, porque falta de abertura para perceber o que ainda não percebe, o carácter sublime de andarmos em círculos entre as antagonias da vida, um ser que só é no espaço do que não é, para que uma coisa necessariamente a outra, opostos que se entrecruzam nos planos paralelos do tempo, paralelos e sobrepostos no fuso de aço espetado na placa de pau, onde está esse mundo onde os pensamentos sublimes são acções e o resultado nas caras deles, nos olhos rasgados numa aceitação plena da existência, para quando isso entre nós neste terreno nesta criatura com existência como eu e tu, tudo é a mesma coisa somos um, é isto que tenho para dizer e que vou repetir até que se torne realidade manifesta no complexo do mundo.
Esta inquietude no pólo oposto ao sentimento crescente de sentir a eternidade da vida, a vida é eterna, não acaba só se transforma, essa permanente transformação de tudo e a minha inquietude, um tempo que quero que seja permanente como a transformação, não é necessário justificar-me, repetir-me é necessário, até que perceba, quantas vezes já ouvimos, eternidade o carácter daquilo que é eterno, mas quantas sentimos verdadeiramente o que isso significa, que estamos aqui para sempre vivos na nossa forma essencial, mudamos de corpo como mudamos de roupa como mudamos de ideias e de vida e de pais e de mães e de tudo nas mais perfeitas condições para sermos e experienciarmos quem somos, ó propósito da existência, tudo depende da perspectiva, da forma como se olham esses acontecimentos sensações e sentimentos, aquilo de que a alma se alimenta e como uma planta cresce e folhas caem e flores morrem para que frutos e tudo na terra para que mais verde e mais planta e árvore e milénios para descobrirmos o propósito de tudo isto, não quero esperar mais, eu sei aqui e agora o que estou a fazer o que estamos preciso que me oiçam, porque para o fazer tenho que mudar a face do mundo, tenho que mudar os pensamentos pelos quais regemos as nossas vidas, se todos quisermos se todos pensarmos e dissermos a verdade e nada mais que a verdade de quem somos, nós como único juiz de tudo, deixei de esperar que acabasse a pausa, ele foi e não volta, não há razão para mais esperas, o momento é chegado. E a vida corre nessa tremenda engrenagem, com uma força motriz imparável, recosto-me para trás na cadeira e observo, até que chamamento imposição, dever de fazer alguma coisa para que tudo continue a correr como é suposto, acção para que consequência diferente, porque se me apresenta a inércia com resultados trágicos, dificuldade em poisar a cabeça na almofada, inquietude da irresponsabilidade, algo semelhante a medo, um caminho, um sentido do propósito, deve ser por isso que existem duas maneiras de se fazerem as coisas, uma está certa a outra nem por isso. Mas o livre arbítrio permite-nos errar. Permite-nos sermos ignorantes e falhar. Permite-nos repetir, repetirmo-nos. Contudo não posso ignorar quando me é dada a conhecer uma antevisão das coisas. A maior parte das vezes a vida carrega-se a ela própria e só tenho de me levantar da cadeira em pequenas acções para evitar consequências trágicas e conseguir pousar a cabeça na almofada. Quando a horizontalidade permite respirar fundo almejo a outras conquistas, pesquisas no desconhecido, expressões do eu, porém consigo manter-me inerte nesta manutenção do absurdo á espera do dia em que.
E quando tu vieres o que sucederá será que conseguirei fazer o que penso e nada mais e os milénios de informação genética embutida e os traumas, o trauma de vós ó gente, a sincope, o que querem receber, pronto a qualquer momento para o momento seguinte, mudar tudo e realmente começar, foi tudo um ensaio agora é que é a sério e pontes sobre tudo isto, de ti para mim e de mim para ti apesar de estares longe e de não contactarmos contactamos, nesta dicotomia que aceito como aceito a vida como aceito o certo e o errado o bem e mal, no fim concepções antropomórficas desta sociedade que se diz evoluída e não sai do mesmo sítio e milénios e nada de evolução, por mais vaivéns que, há mais que uma esfera, não me esqueço do que realmente importa enquanto viver vou lembrar-me, porque o que dizem que sou é o espaço que há entre vós, as coisas secretas, os intervalos por onde tudo passa, as correntes de ar, as linhas orientadoras ou o brilhar de qualquer coisa no fim dessa recta estreita e precisa, continuam sempre a dizer-me, mantém-te centrado no teu objectivo, sei que me encontro no pormenor, é através dele que verdadeiramente experiencio a visão global, por vezes irritação, ira cansaço de tanto pormenor e de tantas coisas pormenorizadas, o que me queres mostrar, essa tua reacção que não consegues conter nas paredes do teu ser, energia emanada dessa fonte perdida que és tu, eco esquecido no virar de mais um corredor, como é possível perguntas pergunto perguntam, só estando aqui posso estar convosco, nada de caminhos perpétuos feitos de verdade, isso é uma outra escolha, tão mais sublime, ainda assim a mais sublime aquela que escolhi, estar aqui sentado sem nunca sair do mesmo sitio, tendo os púlpitos e a gloria e a fama, numa lembrança daquilo que é, será que te lembras como se faz, como se cria, é isso que tu és, é isso que eu sou, somos criadores da realidade que vivemos, não gostas altera-a, e eu altero, conseguirei lembrar-me como se faz, para que temos as ferramentas para que servem, se um momento de luz e clareza lucidez se torna numa outra coisa, aquilo que possibilita que exista, é isso, damos seres e mais seres na divisão do indivisível compreendem, o diálogo a conversação a expressão de tanta coisa, que não pode haver tanta e desperdício, não o silencio o desperdício da palavra, em oratórias supérfluas e circulares, magnetismos egocêntricos para que todos juntos alguma coisa, tudo ao mesmo tempo nas folhas sobrepostas e espetadas no fuso, uma coisa leva a outra, um novo pensamento a cada frase repetida, estou a ouvir-vos pela primeira vez embora não esteja, para vós é repetido o que eu descubro nas linhas que vos atravessam e reflectido nos vossos ouvidos esse som, as imagens do que escondem, tornam-se uma personalidade que admiram, pois não admiram outra coisa que vós mesmos. Eu sou um de vós, mas falo sentado daqui de onde nunca me levantei, de onde nunca saí para vos poder falar assim com todo o direito de quem está no meio da selva e agita com os gorilas uma cria nos braços, alguém sairá despedaçado, quem invade quem quando nos aproximamos tão perto que parece que nos entram pelas casas adentro e nos levam os filhos e nos tiram o sustento e a alegria falo dos lobos ou dos homens qual é a diferença quem invadiu a propriedade de quem, se tudo é de todos onde está a linha que se trespassou para que morte e sofrimento porque morte onde está o mal na morte ou no sofrimento de quem fica, quem perde quem tem ou quem nunca teve, quem perde o quê quem é quem no jogo das individualidades, na escala ascensional sem topo, nós um ponto no espaço uma coordenada sem nome uma coisa defronte da outra, se lá chegares avisa-nos dos verdes pastos e dos indivíduos vestidos de branco, uma nova forma, aquilo que sempre quis desde que quero alguma coisa, a lembrança, o porquê das coisas de estar vivo de tudo isto, sempre me quis lembrar sempre soube que sabia mais qualquer coisa que havia mais qualquer coisa que ninguém me dizia porquê, porque é que ninguém me disse, que isto durava para sempre, vida após vida crédito após crédito chapa após chapa sempre a mesma chapa nos bolsos de todos, memória de tempos numa realidade paralela convosco o meu público dos concertos na varanda, o apresentador está nu, todos de roda de mim e eu sem perceber nada fazendo tudo como os outros, copista de posturas e de comportamentos, cheio de dúvidas e conflitos interiores, já foste ao médico por fazeres isso assim com a cabeça, fui sim dona Manuela fui ao médico que me perguntava coisas, lembro-me de lhe ter explicado onde ficava, um prédio ao pé de uns caixotes do lixo, está mais ou menos passa para cá três contos e volta para a semana, imbróglios que nunca se resolvem a sincope, uma razão para existir para a forma de ser das coisas, tudo de novo um novo pensamento e tudo de novo eu alguém que imaginei quando era criança, quanta lucidez é precisa para saber quem sou, ainda mais para manter viva essa lembrança quando enleio e água benta para que esquecimento, é o processo que ninguém pára, acordo cheio de um sentimento estranho, estive toda a noite a ler o código de conduta, acordo e sinto a distância que vai da minha interpretação lúcida do que li à realidade opaca que os meus olhos vêem, os meus pensamentos a milhas da vibração que senti, as minhas acções a milénios da expressão dessa essência que quero desenterrar do mais profundo, que tão frequentemente é esquecida porque ensejos do corpo, necessidades sobrepostas, tempo em que nada se passa, as emoções dispersas e emoção nenhuma, até que por fim tudo passou, a hora passou renovou é outra e agora o que é, qual é a preparação, a aceitação final de que não modelámos as coisas, esperando pacificamente pelo desfecho pretendido como uma bênção uma benesse algo que está para lá das nossas mãos e cabeças, os nossos actos uma revelação, qualquer um sabe queixar-se soluções apresentem-me soluções onde está a solução se não houver problema, o que é preciso ossos e asas carnudas para sair da água para a terra e colonizar novos mundos, lulas gigantes caminhando no que outrora chamámos casa, que o fogo não a consuma que é tudo o que temos ou teremos mais, casas bens propriedades imobiliários crédito e débito onde está a chapa, há o suficiente para todos, concedes-me mais um, a mim que nada possuo, que garantias te posso dar quanto ganho agora neste jogo de entretenimento onde alguém vai perder sempre até que deixe de perder e passe a ganhar na inevitável roda da fortuna, os cântaros ora vazios ora cheios ao sabor do vento e da vontade dos homens.
Ele está no meio de nós. Ele é a realidade pensada por todos aqueles que partilham da essência única que os criou e nos criou e criou tudo, porque nada mais há senão uma presença criadora manifestada em diferentes e diversas realidades, multiplicada, mas una, cara a cara comigo próprio, nos comportamentos nos trejeitos nas faces no pensar da gente, ele é o único, o porquê não se sabe, mas nem intento compreender, são degraus para lá do patamar do meu discernimento ou da minha vontade de discernir, onde estão os limites deste veículo começa outro veículo, mais subtil noutro plano noutra escala vibratória, parte integrante do ser que és tu veículo daquilo que tu és, sucessão de materializações do que alguém pensou, porque não estabelecer uma ponte um cordel uma corda, que penda de cima para baixo, pela qual flua esta podridão viscosamente, agarrada à fibra ao tecido tornando-o orgânico à passagem dos milénios de informação genética embutida nas lembranças de passados robóticos e naves espaciais comandadas por pretos de três metros e vinte, tudo misturado ou sobreposto no fuso do tempo, folha após folha como camadas geológicas daquela consubstanciação, onde está o fio-de-prumo, qual é o sabor, para onde vão as coisas na co-existência de tudo com tudo, quem poderá fazer o ponto da situação para que eu perceba, isso ou eles canalizados em enviados para contacto, anjos que falam pela boca de homens, revelações em tiques e processos para ultrapassar barreiras tudo experienciado em figura de gente, carne e osso para que palpemos e conversa fútil para que temas sublimes, sempre uma coisa defronte da outra, coordenadas sem nome só pontos neste espaço sem fim, semanas de leituras e pensamentos filosóficos ou um encontro imediato do mais básico dos graus com um terráqueo ou extraterrestre que demonstre, nem preciso de aplicar o que aprendi, bastou-me recordá-lo e de novo os pratos equilibrados da balança, porque tanto desequilíbrio e incoerência que pergunto como pode caber tudo num veiculo físico, que sejam mais os corpos que carregamos entre astrais e causais numa hierarquia desconhecida e velada aos iniciados o que é preciso, não a humanidade toda, apenas aqueles que tenham despertado serão resgatados pelos comandantes das naves espaciais, vivos e mortos ninguém escapará e o mundo nunca mais será o mesmo.
Esse entrelaçar de pensamentos que formam o nosso mundo de ilusões cordas, cordas distendidas sobre cada um ou espelhos para reflectir os pensamentos e os micro universos que se criam, ele com ele nós connosco é impressionante, então e não acessamos ao registo à recordação, termos estado ali e agora vermo-nos como se lá estivéssemos ou estarmos lá vendo que também estamos aqui, onde estamos pergunto perguntas perguntam, aqui lá e em toda a parte que quisermos estar, como podemos compreender mediante a relatividade da nossa cabeça o absoluto do que nos rege, como pode o corpo ter sede e a alma não ter sede, deixa tudo deixa tudo cativa cultiva escala e tudo o mais desconforto nos conselhos de um comandante inter-estelar, o fio-de-prumo, voltas e mais voltas quando sucederá, não, não me perguntem porque não já porque não saberei o que responder porque espero por quem espero se tudo sou eu e a minha vontade neste caminho que trilho esse sítio a que quero chegar, mas só depois de ele chegar de tu chegares e os passados com barriga de cerveja ou os meninos negros com barriga de escorbuto e moscas de roda da boca, para onde irão, tudo desprogramado abaixo dos cinquenta por cento, é muito fácil deixarmo-nos cair para o outro lado, deixares-te cair compreendes, és tu que na direcção do meu discurso, um ponto ligeiramente mais além atinges, escolhes ficar quieta no mesmo sítio escolhes não ir, não te deixas cair, mas onde estás onde sempre estiveste de onde vens para onde vais perguntas mil vezes sem conta e todas as respostas do outro lado se te deixares cair se não te deixares cair, a orientação o ritmo a que vibram as tuas células a que pulsa o teu coração parecido com o quê, qual é a vibração e a escala quem ou o quê a vem medir e dizer-te mil vezes sem conta não é preciso, qual é o propósito quem o instaurou, tudo é a mesma coisa. Das escolhas que fazes a cada minuto, da tua existência, parece que ele disse, que será real aquilo que escolheres, de todas as realidades possíveis qual é a tua, o porquê dessa opção num momento normal, diferente de um momento crítico que se auto justifica, as medidas e o fim, o presente é tudo o que existe, esse momento eterno para o qual vivemos, o passado é a cidade subterrânea, o presente sou eu a pisar este chão que piso, por quanto tempo mais o pisaremos, a cura chega para quem está preparado para a receber, assim como os mestres a iluminação os momentos oportunos e o resultado, o desdobrar depois do símbolo, não toques nessa parede se não sabes o que ela é, vai primeiro informar-te ou sentar-te no silêncio para saíres da tua mente e acederes às respostas, estão todas lá, no sítio onde tudo já foi feito pensado e acontecido, que realização esta que nos falta, sermos quem somos é o propósito, ponha-se então a humanidade a pensar nisto, larguem tudo o que estão a fazer e sentem-se com o vosso silêncio, todos em toda a parte, agora, já, façam-no e então qualquer coisa sucederá, mudaremos a face do mundo quando mudarmos a expressão de quem somos, quem não compreende o propósito, tudo cá para fora para que possa ver-se, tu, tu, tu e ele e todos os outros para que se veja quem são, levantem-se agora que encontraram a vossa alma, já sabem onde ela mora já sabem, podem então levantar-se e dizer quem são, romper o silêncio e falar, criar a vossa realidade de acordo com o que são, exprimir a nossa unidade através da multiplicidade do que somos e a face dele revelar-se-á.
E eu cantarei as palavras da boa nova, mais uma revelação que é neste momento implícita à minha condição de estar vivo, nada importa. O ser é. É uma coisa para além de todas as outras coisas, para lá do tempo e do espaço da nossa realidade tangível, deste tempo efémero desta ilusão colectiva auto-induzida, ser aquilo que somos no que fazemos é que importa não importa fazer não importa aprender, não estamos vivos para aprender nada, viemos ao mundo por uma outra coisa, ser quem somos é o que é preciso, usar das ferramentas da criação, bem-vindos ao mundo dos criadores, os convites foram colocados à porta do vosso ser utilizem-nos e apareçam nessa realidade eterna que mais uma vez vos convida pela voz de muitos alguéns que vos dizem para que o propósito se cumpra, para que ele venha, desta vez pela voz de muitos para dizer que nada importa, para dizer que na realidade somos um, partes integrantes do mesmo ser, a nossa realidade é múltipla e una concomitantemente é essa a criação original o dividirmo-nos, o dividir-se o um em muitos para ser experiencialmente aquilo que é, o acto de amor que nos permite o termo de comparação, a benevolência de considerar um cancro num ser macrocósmico de uma pluralidade de universos paralelos de criaturas em existência seres viventes que caminham, a chegada ao sítio onde gosto de estar acreditar que as condições são as perfeitas para experienciar aquilo que quero, sempre sem excepção à regra, quando as pequenas observações tomam grandes proporções e nos atingem como o fim de tudo, a insegurança de estar dependente da acção de outrem, dos interesses de outrem, balançando quebradiço como uma cara de cristal, entre a confiança e a dúvida, onde estou nesta escolha que me define onde quero estar perante isto, perante a tua aparição na carne diante dos meus olhos e fluxos e refluxos de correntes energéticas de ti para mim, aquilo que tens de fazer, a realidade do sítio onde chegas e as implicações das tuas palavras ou dos teus actos alguns dias mais tarde, naquele momento crítico, onde o que tu decidires estará decidido por ti e por mim, aceitar que o meu destino e o teu são o mesmo, muito embora na ilusão sejamos de mundos diferentes, hierarquias diferentes nesse mundo, tu mandas eu obedeço, o que sinto é complexo porque é imaginado, os sintomas são os mesmos a causa é bem diferente, para aceitar as consequências do que penso, onde actuo na sequência desse pensamento, a reacção à acção que pratico, o medir dos alqueires, o momento em que te é dado medires-me os alqueires e dizer estão bem medidos não estão bem medidos, as perguntas que todos podemos fazer, o registo comum que te permite chegar aos sonhos de infância plenamente conhecidos numa imagem que se materializa para que vejas como era, como sonhavas então em ganhar asas e voar, ir rodando a maçaneta rodando realidades paralelas vivendo em todas elas ao mesmo tempo, ao mesmo tempo que dormes e acordas e te alimentas, viajas em múltiplos universos conheces criaturas fantásticas que fazem parte de ti e vens cá para fora e cruzas-te com outras pessoas, ser humano é apenas um aspecto da minha realidade, na verdade sou muitas outras coisas e os bichos e a complexidade das tarefas que produzem e a beleza que só o pode ser enquanto também é outra coisa, algo de viscoso arrastante e sombrio, que paira por sobre tudo e que também lá está à espera do teu chamamento para se materializar como os anjos que também lá estão e tu a omissão dessa personalidade que te criaram, a recusa desses valores que te incutiram, a discórdia das ordens que te impõem não tens nada para fazer não há nada que precises de fazer para sobreviver, a questão não é como sobrevives a sobrevivência está garantida a morte é um horizonte desde sempre que o soube não foi preciso aprendê-lo é preciso relembrá-lo a cada instante e são poucas as palavras dele as imagens dele tudo o que me vem à cabeça é pouco para lembrar o que sempre soube, até onde a memória alcança tudo é a mesma coisa, na perscruta do que é, sempre o mesmo que se encontra, é tudo uma questão do quão bem o enxergas do quão bem te apercebes de quem és, não preciso perguntar onde estou não preciso perguntar para onde vou preciso de ser onde estou e para onde vou sempre da mesma forma de acordo com quem realmente sou. É isso que preciso de fazer, a minha realização o que é, se chamamento das realidades que pedem para ser concretizadas o que fazes, sucesso a quanto obrigas, o que importa quando realmente queres ser bem sucedido no que estás a fazer, até onde vão os teus limites para te cumprires ou para cumprires aquilo que queres aquilo que pensas que és aquilo que queres ser, como te recrias, à imagem dos teus múltiplos pensamentos acerca de como ganhar mais com menos esforço amealhar mais, mais trabalho agora para que depois descanso, para que melhor descanso e alheamento do trabalho que aumentas na ânsia do possuir, depois de todos os bens depois de todos os caprichos vais em todos os comboios que te esperam que te chamam, anda compra veste paga investe realiza, reconheces o chamamento do dinheiro, do poder de comprar tudo o que é passível de ser comprado mais o que tu acreditas que podes comprar quando tiveres já comprado tudo de aceitável parecer-te-á aceitável comprares o inaceitável, que manto envergarás para dizer obedeçam agora é a minha vez de mandar, é a minha vez de gerir os acontecimentos, uma separação enorme como um fosso um vale uma distância, do outro lado quereres ser o que és, quereres ser agora uma nova coisa, pergunta, no momento do agora se queres ser uma outra coisa, se podes ser outra coisa no momento actual então és livre, se não podes então algo te aprisiona, consegues libertar-te, ou a visão da ultima ideia que tiveste acerca do que queres para ti é mais uma consequência da tua possessão múltipla pelos agentes degradantes da tua alma, que escorre por ti abaixo a cada nova atitude arrogante de te julgares dono de alguma coisa, nada do que tens é teu, tudo te foi dado para que saibas para que te lembres, mas tu não te lembras, que crias, que mundo queres criar para viveres o momento do agora, está tudo na consequência da tua próxima decisão, recua até ao ponto em que tu és o homem que nada possui, que nada ambiciona porque sabe que já tem tudo o que precisa para obter aquilo que realmente quer, quanto mais, quantos mais mundos e saltos quânticos precisarás, a nossa vibração vai mudar, tem que mudar se tu e eu somos um, para que o experienciemos como realidade comum, o que precisaremos de fazer, senão ajudar-nos mutuamente a lembrar, devolver-te a sabedoria que nunca perdeste, que não podes perder, o amor que é o que tu és, por cima de todas as outras coisas.
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