À medida que o tempo passa, e que as coisas umas passam outras vêm, súbitas, e nos ligam como cordas a um passado que pensámos que tinha sido esquecido por todos embora nós nunca o tivéssemos esquecido. Não lembrado talvez, mas esquecido não, esquecer é não ser capaz de lembrar, e tu, se fizeres força, vais ver que te lembras de todas as situações que te quiseres lembrar, ao mínimo detalhe, para que serve isso, não faças perguntas para as quais não há resposta. Amanhã. Amanhã saberás. Hoje tens a consciência de que é assim, só não sabes porquê, mas isso quiçá, poderá ser uma lei da vida. Uma restrição inerente ao carácter imperfeito do ser humano, e falam-me em não melhorar, então que diabo ando cá a fazer, a empacotar caixas não, interrogo-me, interrogo, interrogo-te, quero que interrogues, que interroguemos numa interrogação constante ponderação constante sobre a vida e sobre as coisas, só naquela, para não deixar esquecer.
Tenho na boca o gosto amargo de um dia que não quero que acabe.
Sinto-me dilacerado mas estou sarcasticamente a rir-me do que sinto por fora de mim e para lá de mim a ignorar-me porque não presto e a seguir em frente sem ligar ao carrossel.
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