Como pode um querer ser reconhecido pela sociedade, querer sair da sombra, querer ser ouvido, querer ser, se não se reconhece a si próprio. Falo de integridade, sejamos íntegros, sejamos verdadeiros para connosco, não falo das relações interpessoais, não falo de relacionamentos com os outros, falo de uma outra coisa, fechada no imo de cada um, se um não se reconhece, não se define, não é para si verdadeiramente, que se aceite que se conheça que seja verdadeiro e integro, longo é o caminho que nos levará à comunhão com os outros, sou imperfeito e a minha imperfeição deverá manifestar-se, a raiva a ira e a peste, monstros de mim, porque eu sou muitos, a manifestarem-se, se têm de se manifestar que respondam àqueles que comigo se cruzam e que são bichinhos do mato, pássaros passarinhos e passarões aves de capoeira e cucos, que eu lhes responda na medida do que querem, na medida que lhes é cabida, não falo de relações, falo de encontros fortuitos, falo de convivências, de presenças, de seres com e sem alma, falo da multidão, de entre a multidão algumas caras se destacam, conhecidos de outras eras, experiências dentro de corpos e dentro de corpos e dentro de corpos experiências vivências convivências, não falo disso, falo de ti, parte de mim, à qual responderei na medida do que te cabe, e como a ti cada parte de mim porque eu sou muitos, cada vez mais e cada vez mais profundos os uns, quando aprender a dizer-me compreenderás compreenderão compreenderei e só depois de compreender poderei reconhecer-me, na medida que me compreendo assim sou, na medida da consciência, reflexos, reflexos de mim dos uns, quando um fala não se calam os outros, quem é chefe dentro de mim, quem tem a última palavra ou a primeira ou quem fala, quem não fala, quem sabe falar, eu não me sei dizer, mas falam, falam e vai-se vendo qualquer coisa reflexos, reflexos de mim espelhados por entre os reflexos dos outros, mais os reflexos de ti espelhados dentro de mim, os reflexos de mim espelhados dentro de ti e nós, não me sei dizer-te.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Diálogos
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olhai e vede
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