quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Diálogos

Cada pessoa, cada alma, tem o seu caminho, a sua maneira de ver as coisas. É preciso portanto viver sentindo tudo aquilo que é suposto sentirmos dada a nossa essência. E a nossa essência é aquilo que mais temos de nós mesmos, é o mais profundo, o mais claro, o mais límpido, a nossa presença em nós, sem mácula, sem ouvidos de ouvir aquilo que é diferente de nós, aquilo que não nos é compatível, com ouvidos de ouvir aquilo que é feito para nós porque eleva a nossa alma. Porque o resto que se ouve e não o faz é mácula, é véu que não nos deixa ver para dentro de nós próprios. É por aqui que vou e não posso deixar de ir por aqui; calem-se todos de uma vez por todas, ou aprendam a falar, aprendam a dar em vez de tirar. Claro, tenho de dar primeiro, mas como dar a quem não dá espaço para que se dê, estar. Conviver, dando e recebendo. Amo-te sim amo-te. Contudo há mácula em mim e em ti e em nós. Não sei se será mais ou menos mácula em ti do que em mim ou se mais em nós que nos outros, ou se tanto em nós como nos outros, não. Há-nos mais e menos maculados. É de mácula que se fala, não é uma montanha estática, é um iceberg flutuante. Girante, gritante gripante, que mostra a espaços cada uma das suas múltiplas faces.

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olhai e vede