domingo, 28 de novembro de 2010

Diálogos

És tu que estás ao centro.

Do lado direito está um ente, que parou por ter chegado ao cruzamento. Olhas através dos olhos dele e vês do outro lado, ao meio está o caminho do meio, que veio de trás e segue em frente, ele está do lado direito, e vês pelos olhos dele, que do lado esquerdo estão doze indivíduos, que também pararam por terem chegado à encruzilhada. Tu estás ao meio e vês à direita um indivíduo que olha em frente e vê doze indivíduos. Tu estás no caminho do meio, como é o caminho do meio se te virares de lado o que vês não é mais do que um reflexo pálido de ti mesmo, misturado com a impressão forte de que algo está por detrás de ti. Viras-te: vês uma multidão de seres ao fundo. Voltas a olhar em frente, ainda ele do lado direito a olhar para os doze do lado esquerdo. Todos te vêem, todos esperam alguma coisa. Entretanto a multidão que vias atrás de ti já avançou, já estás no meio dela, voltas a virar-te, olhas de soslaio para o reflexo pálido de ti misturado com a impressão de que eles ainda lá estão, e de facto estão, mantém-se a multidão atrás de ti, infinita, a perder de vista, mas já te invadiu, já estão onde tu estás, todos na encruzilhada, e ele está lá, a ver-te a ver-vos e a ver os outros doze do outro lado, todos esperam. Tu chegaste à encruzilhada e paraste, porque viste aquele ente parado do lado direito, viste que ele estava a ver doze entes parados do lado esquerdo, que todos esperavam, que todos te viam. Sentiste, quando te viraste de lado, que qualquer coisa estava por detrás de ti. Era uma multidão que agora está contigo. Todos pararam porque chegaram a uma encruzilhada.

Vês caras familiares, ele, que está à direita não te é desconhecido, conhecê-lo de outras paragens, outras encruzilhadas, eles, tão pouco lhes distingues as feições, sabes que são doze e que pensam muita coisa. E no meio da multidão descobres uma avó uma tia um pai uma mãe uma irmã um irmão um tio um avô uma avó afinal tens duas avós e dois avôs e primas e primos e gritas e escutas o eco do teu grito nos olhos de alguém e aí tens o citado amigo sexo e números, tens o pecado a luxúria e a dor, eles esperam e tu não esqueceste.

Os teus sonhos crescem sob todas as formas de matéria, eles continuam lá, à espera.

Esperam pelo dia em que todos juntos e em silêncio olhes para a direita e o vejas a ele, que olha para a esquerda e os vê a eles, e digamos com vossa licença, e toda a multidão passará, tu passarás, eu passarei, e ele passará a estrada, juntar-se-á aos doze que o esperam e juntos caminharemos rumo à nova encruzilhada.

Sem comentários:


olhai e vede