quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Diálogos

Diz lá à gente de que é que tu gostas, gostas muito não é, gostas muito, de lá ir, de andar de cá para lá não gostas, eu quero lá saber se ele é homossexual, é com certeza e sim esconde a falta de qualificações para o cargo que ocupa não esconde a falta de interesse nem a falta de jeito esconde a opção que tomou ou a que não tomou porque não quis ou não teve coragem, não, não quero que ponha a boca num megafone e grite eu sou homossexual, não, não quero isso, seja o que ele quiser que não me incomoda, ali sou diferente, é só aqui, lá fora só não viro mulher, mas o que é isto e depois a pseudo arrogância, a amostra de maldade, o tom áspero, o membro constantemente na boca, o membro como justificação para tudo, a máscara de patrão, o abuso de autoridade, que autoridade essa que abusa ridículo, como pode abusar do que não tem, sabe lá ele o que é ou o que representa, procedimentos quem cumpre os procedimentos, aqui ninguém cumpre os procedimentos e tu cumpres os procedimentos ó preto, Angola todos pró chão cumpres preto, amas as caixas como amas as mulheres, subiste na vida, preparas as coisas, tens que ir mais cedo para preparar as coisas que coisas tudo, tudo o quê, a salada o pão a sopa, come sopa Márcio come sopa, um depois do outro e o resto e o tempo, não cumpres os procedimentos, quem és tu para sequer me dirigir a palavra, preto Angola vai-te juntar ao outro que retornou, vai dar pão e alface e sopa às criancinhas de barriga gorda com moscas em redor da boca, espanta-as com essa palma espanta as moscas com amor como apanhas as caixas como cortas o pão espanta as moscas dá-lhes a alface e a sopa enche-lhes as barriguinhas gordas, África, vai-te embora se te sentes mal, isto é de todos que me importo eu que já tenhas feito a cama que tenhas subido na vida mudado de máquina ó homem da máquina que me importo eu com isso eu não bebo cachaça e tu se queres dormir vai prá tua terra África, há gente a mais, se reduzissem o número de pessoas, estou-me nas tintas pró frigorífico e pró carro e para o aniversário e para a convenção social politicamente correcto bem-educado fica bem, estou-me nas tintas para as aparências, para as relações postiças e para o que as pessoas pensam de mim, numa relação a primeira coisa que o relacionando deve fazer é despir-se, dispa-se ele do frigorífico e das convenções e do politicamente correcto e das aparências e podemos começar, caso contrário é para esquecer que nada levará além de um cumprimento que lhe devo pelo facto de ser humano, mais do que isso não me exijam não me peçam não me cobrem que eu não dou, nada, e estou-me nas tintas para o frigorífico e para o saldo bancário e para o aval ou não aval a minha vida não depende de nada disso nem está aí nada que me possa interessar, portanto enfiem isso tudo onde mais vos agradar e não me peçam nada porque eu não dou. Se quando te encontrasses comigo não estranhasses que estivesse calado um momento antes de falar, um momento só, para te sentir, para te ver por dentro, para pensar-te ser os fluidos que emanas vê-los ver-te por dentro visitar-te nos sete planos que habitas antes de abrir a boca devias esperar que fizesse isso antes de abrires tu a boca, antes de me dirigires a palavra deverias inspeccionar, saber com quem falas ou com quem falarás se for caso disso porque nada te obriga a falares comigo, se da tua inspecção a mim concluíres que não me queres dirigir a palavra não me importo nada, até te agradeço por não me tirares dos meus mundos do meu universo para o teu ou para o chamamento desse teu ego desse teu centro que nem tu sabes que existe, para ser eu esses fluidos que desconheces visitar as salas e os castelos vazios dos planos que não habitas onde mora o teu ser esperando por ti onde moram aqueles que não és, cala-te não fales para mim como podes pedir-me ou esperar ou como pode nem sequer te passar pela cabeça que nunca deverias ter falado comigo, toda a construção e todo o complexo da fala deveriam ter sido dominados pelo sentido primeiro, um momento só, apenas o tempo necessário para te sentir para te ver para te ver por dentro para saber quem és e o que me trazes para saber o que sentes em relação a mim para saber das tuas intenções e quiçá descobrir-te, um projecto a dois comigo. Dá-me tempo dêem-me tempo prestem-me atenção palavras fúteis e vãs as que saem da minha boca quando falo convosco contigo com ele, palavras ocas e despidas de significado, ditas pela minha boca mas não por mim. Quem me escutará pergunto, quem terá como eu o desejo de parar só por um momento para me ver para saber quem sou para me analisar à exaustão antes de falar comigo, quem neste mundo de surdos e de cegos da alma poderá alguma vez chegar ao pé de mim e esperar aquele momento antes de abrir a boca, quem, pergunto perguntas perguntam, sim é fundo profundo o meu trauma de vós, ó gente.

Guardo na minha sensibilidade a marca do primeiro contacto convosco, aquele momento em que pela primeira vez um de vós esperou que eu dissesse alguma coisa, guardo-o sensitivamente. gentes de cá e de lá porque de todos os lados me chegam vozes, de todos os lados me vem gente e mais gente, estou no meio da multidão olho para trás e vejo a multidão, olho para o lado e sei que estás lá, à espera, olhando pra mim, e nos teus olhos vejo que olhas para o outro lado da encruzilhada e esperas esperam os outros doze por ti para que te juntes a eles e nós tu eles eu e a multidão avancemos rumo à nova encruzilhada. Vejo gente por todos os lados olho para trás e eles lá estão olho para ti e para eles através de ti e quando me volto já estou no meio deles, estão atrás e dos lados e em mim, avançam como carnívoros, conhecidos e desconhecidos avançam com garras e com pezinhos de lã e vós também pretos e brancos avançais para mim, uns estão parados e esperam, outros vão andando dum lado para o outro e esperando outras coisas, de mim do outro do complexo do mundo, pairam e intensificam desvitalizam e manobram atormentam e possuem, também a vossa marca é marca em mim ó seres desse lado, tatuada a sangue fontes de sangue feridas abertas incuráveis como chagas o sangue brotará até que passes até que ele passe até que passe o corcunda e o mendigo e a prostituta e os mafiosos passem e o gang da rua estreita passe, passe o presidente da junta e os presidentes da república e os terroristas os suicidas o bin laden até que todos passem eu não passarei eu não irei a lado nenhum eu não me moverei do mesmo sitio e ele continuará na esquina se não for esta há-de ser noutra que é igual a esta por ser esquina e não sei porque voltas os outros doze já estarão com ele e tanta gente à espera deverá fazer com que haja menos atrasados e então poderemos andar mais depressa, quiçá não será essa a lógica, quanto mais perto do centro maior o poder de atracção do mesmo, portanto os últimos passos devem ser dados sem o serem, porque entretanto já se me foram os pés a ti a ele e a todos porque só quando, toda essa gente à espera deverá fazer com que haja menos atrasados vamos andar mais depressa sim eu serei o último porque ainda falta aquele de que se estão sempre a esquecer, aquele que está lá, no oposto dos opostos e carrega com ele o peso do cancro divino. É profundo vem das profundezas o meu trauma de vós ó gente. Porque é que não esperas só um momento antes de falares comigo porque não esperas, nem sequer pões a hipótese de que eu esteja um momento calado antes de abrir a boca para te analisar para te estudar à exaustão da minha extra-sensibilidade estarias exposto ao olhar mais analítico que podes imaginar e que direito tenho eu dizes tu, o mesmo de que tu te vales para me dirigir a palavra sem me analisares, sem me dares aquele momento necessário a que veja sinta e me decida a falar contigo, é falta de alguma coisa sim, desse tempo, não lhe chames outra coisa pois se é tempo que ele é, se é disso que se trata. Atamanca-te lá com o painel prateado e a digitalização para dedos grossos só não te vejo mais porque não quero porque não o mereces porque não me deste tempo para que eu te visse agora não quero ver-te, tu de mim nada viste e nada alguma vez verás, quem me viu ainda, eu não quero ver, é profundo vem das profundezas o trauma que tenho dos da tua laia dos que, come chocolates e gelados doçaria confecções caseiras doces regionais receitas da avozinha, come, come, come e dorme e tem digestões difíceis, tudo é a mesma coisa o absurdo e o surreal de um encontro matinal com um desconhecido que parece alguém que tu sabes que está morto, sem nunca teres conhecido, não conheces ninguém assim, pois eu parece-me ter conhecido ter visto e tê-lo ouvido falar comigo, esse esperou um momento, avisou até com antecedência que vinha, senti-o muito antes de o ver de me aperceber dele da sua presença física, bateu-me à porta, deu-se à verdadeira boa educação, analisou-me e deu-me tempo para analisá-lo enviou até informação dele projectou-se em mim de dentro para dentro falando de dentro para fora também. Portanto quando começou a falar foi comigo que falou, e eu respondi-lhe ainda que pouco porque sabia que o queria mais ouvir a ele do que a mim, isso sabia porque já tinha ouvido bater à porta e quando alguém nos bate à porta dizemos quem é, e dizemos quem é porque esperamos que essa pessoa se identifique, se quer entrar então vamos lá a identificarem-se antes de entrarem por mim adentro como cães selvagens, porque isto é propriedade privada, quem é o dono não vos interessa, batam à porta. E depois o que se espera de quem bate à porta, que se identifique, lá está o olhar atento para a pessoa que bate quem é, de quem se trata, o que me quer, por quem sois, ao que vens, diz de tua justiça, só um momento aquele momento necessário para que se efectue a pergunta e se predisponha o ser à resposta, seja o que for que vais dizer não me importa, não quero saber, não me interessa, se não sei quem tu és são vazias as tuas palavras, ocas, e tudo o que disseres cairá em saco roto, sacos rotos é o que vocês são e tenho-vos um trauma profundo, que vem das profundezas e quem me quererá ouvir quem me escutará, dá-me esse tempo dá-me, dá-te a ti também é teu ninguém to vai roubar se fizeres uso dele, e assim ver-me-ás e saberás com quem falas ou saberás que comigo nunca deverias ter falado nunca deverias sequer ter-me dirigido a palavra, vamos lá, é só um momento no complexo do mundo.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Diálogos

Tudo na vida parece ser um prazer imediato, tento fugir ao prazer imediato, mas logo volto a ele compulsivamente, tudo é imediato e efémero, o amanhã é tão inatingível como a plenitude, com a diferença de que o amanhã chega, a plenitude é que não.

Um dia, sim acredito, um dia estarei, estaremos, estarás livre, de todas as influências.

Livre, livre

Estarás estaremos livres dessas dependências de corpo de alma presos, amotinados, e que poderei eu fazer por ti, por eles, por vós, enquanto eu próprio for amotinado, que nos ajudem os anjos, os puros os intocados, que estejam connosco em toda a parte soprem, soprem sussurros, a junção das almas torna-se mágica, quem menos espaço ocupa no complexo do mundo mais observa, mais espaço ocupa dentro de si, mais é sendo nada, observando, ó espectador da vida, olhas os outros como personagens desse teatro complexo da vida, olhas com olhos analíticos teces teses crias-lhes uma personalidade que é tua, mais tua que deles, pois nos teus pensamentos são mais do que na realidade que eles habitam, um pode não ser, mas há linhas, elas estão lá, o que será que eles vêem, será que a ideia que faço da ideia que têm de mim, a minha personalidade dentro deles, uns nem pálidos reflexos atingem, mas outros que junções farão, que mágicos são os encontros e quanta calma é precisa, aonde vamos, está tudo louco, só terrorismo al-quaeda bin laden estamos aqui a brincar às carochas às baratas aos papeis, enovelando caganitas aos cantos de castelos voláteis, inspirados e expirados nesse ar pesado do complexo do mundo, ó verdes campos ó montanhas longínquas, também não vos queria que faria eu com toda a vossa pureza, os regatos, aquilo que é plácido, locus amuenus para que vos quero, horror tragédia e drama, stress, stress, stress saberão os marcianos o que é o stress, não sabem saberão, a angústia, extraterrestres, armas de destruição maciça, monopólios consumismo, onde está qual é o sabor, há pão para todos, que espécie de protecção que criação ou doença esta, o que sou eu no complexo do mundo, o que és tu estrela pornográfica rock super estrela anticristo Cristo o salvador da humanidade e se ele falha a missão quanto tempo terá para a cumprir e discípulos foram doze agora quantos são os que o seguem, tudo é a mesma coisa tempo, tempo, tempo. Isto com o tempo vão se pondo em prática aqueles pensamentos que outrora não passavam de pensamentos, ideias vagas flashes de viagens impossíveis agora materializados na voz dele, tornados emoção no meu tom, na resposta, no eco das visualizações premonições cabala do absurdo no complexo do mundo, a verdade é que é assim que elas acontecem, e que eles vêm e vão e eu vou ficando, estou bem pois com certeza, não haveria eu de estar bem se tudo é a mesma coisa e uma coisa não é diferente da outra nesta essência de que falo pelo facto de serem ambas parte de uma mesma coisa assim da perspectiva de que falo delas, como as vejo, como, descobrem-se novos modos de olhar, serão prismas serão os olhos serão as coisas a dúvida persiste o que muda, é o ser é o espaço que ele ocupa no complexo do mundo, o que é o que ocupa o que muda, ai senhores nó unhaca, reflexos ecos, outrar-se para ser a folha em branco onde encaixa o recorte dele, eis que se vê confrontado consigo quando me olha, a folha branca, o confronto, não é comigo é com ele que se assusta, recorte folha branca, quantos são quantos são venham todos que ele é o primeiro a fugir, e eu sou muitos todos aqueles que forem precisos para que ele tenha medo, muito medo, e dê a debandada. Ele eles todos ah como é fácil abraçar a humanidade inteira, primeiro ele, eles, o outro, primeiro o que está perto o que é nosso, sim que nada é nosso de verdade, mas se dissermos que temos alguma coisa que de mais nosso teremos que esse espaço onde o nosso ser é, onde o nosso ser fica, agarrado às paredes como aos corações dos homens, conservando a pedra e transmutando as emoções desses que temos por serem o espaço onde somos.

Vejo-te com três olhos, olho para ti com três olhos e vejo mais que tu que só tens dois e olhas para mim e procuras na minha cara o terceiro olho que não sabes. Chega-me doce, o cântico chega-me doce, o cântico chega-me melancólico, o canto chega-me doce e melancólico é um cântico a um deus que não conheço, calaram-se as vozes do cântico, não as da minha cabeça, uma acção é um acto de responsabilidade porque em pensando nunca agimos, aplique-se pois o pensar só depois de agir à guisa de lição ou resenha daquilo que se tenha feito, para mim a vida não é projectável, contudo cá estou eu em mais um dia neste mapa cuja cartografia luto por compreender e em que os relevos são as marcas da dor do bater do meu coração. Passo pela segunda vez pelo trilho dos tijolos doirados e vislumbro a construção que todos os dias é feita de todos, a cada novo estrato peças boas e más desde a base até ao topo, eu sou o tijolo universal, aquele que pode ser colocado em qualquer ponto da obra, adaptado e moldado aos contornos da posição, não perco a qualidade original, característica do material de que sou feito. As diferentes posições mostram diferentes prismas e a certeza de que tudo é a mesma coisa, reflexo do espelho divino que do lado de lá esconde tudo o que buscamos quando olhamos para nós mesmos conforme os nossos olhos vemos mais ou menos do que ele reflecte quanto menos virmos de real mais iremos ver de verdadeiro, isto é, real da realidade das coisas por fora.

Até porque não há nada que não se aprenda, se não sabes, porque não poderás aprender, haverá algum conhecimento velado a ti a nós, porque estamos aqui, não quis ele saber mais do que deveria, não houve uma qualquer intenção usurpadora num seu acto, de uma pretensa inveja do conhecimento alheio, pois que ele via, com certeza que via claramente visto, o funcionamento intrínseco daquele a quem supostamente invejou. Ou então já falamos aqui de uma forma de ilusão talvez a primeira de todas, o ver algo que não estava lá, que o fez dar existência a uma coisa que não tinha, não é esse o pecado mor, fazer uso de poderes divinos, esse um deles, o de criar.

E agora divinos são os poetas e os anjos porque criam, e se uns criam amor e ódio e outros amor apenas é porquê, que criação esta que nasce e cresce aborto que vive, devemos parar e escutar muito atentamente para ver as criações dos anjos e aceitar finalmente que só eles podem criar porque só eles estão livres do mal, então e que faremos nós com o nosso poder criador, será ilusório, será que não criamos nada porque tudo já foi criado, e o que não foi criado não pode ser criado porque em nada podemos pensar que ele já não tenha pensado, portanto se ele pensou deu ser e se é ainda que em qualquer outro lugar que não à nossa vista então não criamos nada somos copistas. Haverá algum conhecimento velado a nós aquelas coisas que nos parecem turvar a vista a ruptura da capacidade de raciocinar com clareza perante certos factos números que se tornam invisíveis e indecifráveis caracteres que se liquidificam substituindo-nos o sangue, impedindo-nos de ver mais longe, haverá conhecimento velado a nós, basta sermos humanos e sabermos que há anjos e sabermos que os anjos sabem o que nós não sabemos e sabermos que estão mortos e estão aqui sabermos que a morte não existe é mais uma das ilusões que fazem parte de nós desta mente que tomamos por corpo deste corpo que nos ata a alma, corre como uma substância tóxica é-nos velado porquê, ainda não agora talvez mais tarde, insiste vai mandando postais, pode ser que um dia te saia a lotaria, a sorte é a relação mais absurda entre os mortos e os vivos tapada pelo reflexo incógnito da humanidade, onde está ele, o reflexo, e esta mente que constrói monopólios e armas de destruição maciça, e este corpo que consuma atentados terroristas e guerras santas e guerras frias e guerras que duram cem anos, e esta alma que proclama a guerra contra o terrorismo e que esvazia os bolsos de uns enchendo de armas de destruição maciça os bolsos de outros para encher os seus bolsos, seres de outro mundo desse terceiro que tanto se fala, como um mundo de cartaz onde morrem pessoas para serem números traços de estatística cartazes e capas de revista infantes de barriga gorda com moscas em redor da boca, gente escura metida em barcos comendo farofa para vomitar de seguida por causa dos balanços do barco dos balanços das ondas do mar revolto no barco comendo o vomitado da farofa que vomitou morrendo, números estatísticas, saindo do barco para invadir o mundo e proclamar justiça, raças povos credos religiões culturas povos raças homens gente justiça credos religião deus diabo terrorismo mente ó mente tudo aqui defronte do ecrã com cheiro e sabor qual é o sabor riscos chuva emoção tudo é a mesma coisa uma dentro da outra sete planos sete um plano quantos são sentido das coisas entendamo-nos são sete os nossos é um o dele e em todos os sete o dele será cumprido e todos os sete serão ele e estarão nele porque só ele existe no fim de contas e tudo é a mesma coisa. Porque tens tristeza na cara, que cara é essa, esse rapaz aí contigo, que estás sempre tão bem e agora, abra-se a cabeça, vem-te com o recorte, a folha em branco onde encaixas o recorte de ti, reflexos, é o confronto contigo, são os medos as ânsias o recorte na folha branca, o confronto com o que salta à vista, não sou eu são os medos é aquilo que projectas no ar é o que se interpõe, dádivas dele que ninguém pediu ou talvez tenha pedido, marcas de encontros reflexos projectados no ar, queria que fosse assim, ela está sempre tão contente, queria que fosse assim, carpe diem, este momento com calma, feliz não tristeza no rosto, porquê esse rapaz aí ao teu lado, o espaço vazio que propositadamente deixei vazio, o teu recorte, eu não eu a folha branca, festividades várias consumismo saber viver comprando punhados de almas como punhados de abóboras que se partem estalam retorno aqui não se rouba nada só se desvia e vens tu cheio de azedume, viro-te a mesa, viro-te a outra face, estalos, risos, o último e o primeiro, a colecção de dedais de outros tempos a caixa de costura, tantas vezes uma caixa de outra coisa qualquer aproveitada como o bebedouro das galinhas não o do ganso o das galinhas uma caixa de gelado de noz de marca espanhola, os espanhóis ao vento do mediterrâneo por detrás da janela do mundo que somos nós portugueses alguma coisa de conquistador lhes chega trazida pelo vento, ares do mediterrâneo, de África, Angola, todos no chão, por onde é que se pega no fio, põe-se na boca para aprumar o cuspo torna-o hirto para entrar no buraco da agulha por onde passam os camelos mais facilmente que os homens ricos, monopólios, terrorismo, armas de destruição maciça.


olhai e vede