Não. Não quero nada. Nem me apetece isso nem não me apetece isso, estou como que sem apetecimento ou por outra, apetece-me agora o que ainda não posso satisfazer, tenho que me desenvencilhar de uma série de empecilhos, recheio supérfluo e oco que enche o meu espaço e turva os meus ecos. Móveis que por mais que lhes altere a disposição sempre alterarão a fluidez daquilo que deve fluir; sempre perturbarão a expansão do meu ser enquanto permanecerem comigo, ou eu com eles. Não quero que desapareçam. Quero simplesmente que a vontade deles reja a vida que têm e nada mais e que a vivam enquanto for caso disso e que empreguem nessa vivência essa vontade de que falo e volto a falar porque vontade é algo mais que vontade. A outra coisa que já era antes de ser manteve-se, e juntamente com aquilo que foi modelado pela vida caminhou e cresceu e encontrou-se.
O resultado desta operação é um valor inatingível por essas forças que de tudo quanto são me deram, mas que não podem albergar nada mais que isso. Eu continuo.
Não posso sofrer restrições de quem me quer manter preso no passado. Porque o pensamento das pessoas interfere na realidade factual.
E a imagem que fazem de nós reflecte-se na convivência e no que dela advém e o que dela advém é um tolhimento da liberdade, um aprisionamento da alma a velhos padrões de comparação, há muito ultrapassados. Então dá-se uma cisão. Não posso ser completo. Tenho que ser em função do que cabe nas paredes da casa que não possuo.
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