Eles continuam a pedir, é insustentável este clamor que exala dos seus corpos, o ambiente começa a ficar irrespirável na sala preciso abrir as janelas e preciso que se levante alguém que apele fortemente a algo de inegável em mim para que eu convide, (terá de ser alguém sedutor), um indivíduo de olhos profundos que escolha agir no mundo onde se encontrará comigo, de acordo com as leis que o regem, a ele e a mim porque somos um, para que eu o convide, anda descobrir a vida comigo anda esquecer tudo o que viveste só para lembrar outra vez anda, vamos ser agora quem realmente somos, vamos esquecer o que é para ser esquecido vamos lembrar só o que queremos lembrar, que se levante a voz possante de um indivíduo viril e exclame: Então e a responsabilidade, no esquecer do que fomos estará a irresponsabilidade, querer esquecer as consequências do que se foi, querer apagar o passado apagar o futuro consequência do passado das acções desse mundo onde agimos, nesse mundo onde agimos ao sabor de reflexões tantas vezes irreflectidas tendo em conta aquilo que é preciso ter em conta para atingirmos o objectivo que dizemos querer atingir, esse objectivo o único objectivo aquele que me proponho: ser aquilo que sou.
À voz que se levantou respondo que a consciência de existir é em mim a responsabilidade pelos meus actos, entre outras coisas, que não mencionarei agora por motivos que me abstenho de referir porque não preciso de razões para estar onde estou, nem para ter ido onde fui e onde vou todas as vezes que me apetecer, sei que é preciso, sei que é necessária uma explicação uma justificação, para o facto de eu ter ido, nas mentes de quem me viu no sítio aonde fui faz-se necessária a presença de uma justificação ainda que não me a peçam e muitos pedem, mesmo para os que não pedem, a minha acção tem, pela lei que rege a posse dessa ferramenta, uma reacção da parte das pessoas envolvidas, porque não nos podemos esquecer que estamos a falar do mundo onde agimos e nesse mundo existem sempre outras pessoas, pessoas que fazem com que a nossa realidade seja aquilo que é, eu não sou separadamente de ti, nem dele, nem de ninguém, eu sou em conjunto com a humanidade inteira.
E que a palavra justificação deixe entrever que preciso de me justificar, que pareça que é minha intenção dizer o que disse acerca do que fiz ou do que faço onde fui para onde vou de onde vim de onde venho, estou constantemente a ir e a vir de sítios num outro mundo, o mundo de dentro da minha cabeça, é o lugar mais apropriado para estar, a âncora daquilo que sou, imaginem isso como um sítio muito, muito longe, é preciso percorrer quilómetros para lá chegar, quase como se o sítio estivesse nos quilómetros percorridos e não num ponto em particular que se atinja ao fim de um certo tempo, se contemplo esse ponto então devo poder atingi-lo, qual é a diferença, é só pensar e já lá estou nesse cantinho da minha cabeça, é um ponto, uma coordenada sem nome, onde se encerram, não falarei mais de mim, não agora, ir e vir faço-o a cada momento é isso que sou, vai erguer-se um velho corcunda ao fundo da assistência para dizer que o veículo físico é a possibilidade de o fazer permanentemente, sendo o invólucro e o receptáculo das emissões e recepções desse ponto dentro da minha cabeça, visto que a minha cabeça é só uma parte do todo que é o meu corpo lugar onde se encontra esse ponto dentro da minha cabeça, ele já disse, e eu concordo.
Qual é a conjugação planetária, quem rege o ciclo de envolvimento, o enlace dos corpos no espaço, as forças gravitacionais duma pluralidade infinita de centros emissores e receptores de energia, quem comanda as operações, quem está no teatro da operação, quem se senta numa cadeira e diz, ide, faz o que queres fazer, eu mando tu obedeces tu mandas eu obedeço quem manda agora vamos, preciso que se levante alguém, uma voz, precisaremos de hierarquia, como estão dispostas as peças da engrenagem, qual é o encaixe, sinto o desejo de manifestar um ser sublime, dotado de uma perfeição perfeita, que nunca acaba, que não se corrói com a passagem do tempo, não a abalam os conflitos os confrontos os encontros as separações nada o abala a ele ao anjo ao chefe ao grande ao líder, como lhe querem chamar, é esta a hora de vos perguntar, a vós, a minha assistência, como lhe quereis chamar, porque assim como o chamares ele virá, grandioso e absoluto. Criem-se agora uma pluralidade destes indivíduos, à razão de um para um, um por cada um de vós, e o que sucede está patente, bem visível, palpável numa realidade perceptível, para lá das muitas que cada um de nós cria.
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