Deveria dizer o que é isto, seria lícito insurgir-me, dizer basta a tanta incompetência, tomar este café a transbordar como uma ofensa directa à minha pessoa, insulto das tuas mãos com frieiras para as minhas mãos com gretas, gretas não golpes, seria, eu pedi um café cheio não um café a transbordar, o pai frisa, quase cheio e vai para trás quando não o satisfaz, não satisfaz, eles deviam ter ficado em casa eu disse foi uma estupidez terem vindo, não, não somos gémeos verdadeiros e nota-se bem ele tem mais cara de estúpido que eu, aquela rua com nome de médico sempre a subir, lá em cima era a casa da Dra. não, a rua tinha outro nome, a casa dele era cá mais em baixo, no princípio mesmo, disse que ia, fui sem avisar com o pensamento na consola que divertimento, como rolar na relva com ciganos,
quem é aquele rapaz não te quero com rapazes assim,
e nunca mais rolei na relva, mas fui a casa dele, a porta aferrolhada, montanhas de tempo à espera, que podia eu fazer, esperei, tosse espirros estou doente uns minutos de jogo estava mesmo mal, lá subi a rua, os velhos esses que põem um sorriso para os clientes que interessam um de óculos outro sem óculos o sem óculos põe um sorriso para quem interessa, senhoras casadas e assim, a mim põe-me um ouvido para a boca, dificuldade diria sacrifício em ouvir-me, uma flanela limpa o balcão as mesas e tudo o resto, sempre a mesma flanela sem detergente só flanela deveria insurgir-me, aquela casa de banho não passaria numa inspecção de saúde, deu-me uma dor de intestinos, as portas só abertas até ao urinol, podia dar-me a chave, quero a porta fechada não quero a chave lá pendurada, sim minha senhora, uma chave daquelas que parece latão com uma argola pesada parecida com qualquer coisa que não sei o que é, retrete sem tampa luz automática mas com interruptor que alguém desligou depois de ter urinado e eu ás escuras no fim do processo, deveria insurgir-me contra isto, deveria dizer-te cala-te com esses assuntos fala-me de outra coisa, este cheiro a catinga estas vozes, são mais de meia dúzia e já se fazem sentir, as palmas brancas, os olhos negros sem fundo, bichos somos bichos como ratos vindos de porões de outrora, parece que o cheiro é todo esse, da comunhão de fezes com homens, horror não meu na boca deles, vão-se embora e fica o cheiro agarrado aos estofos mais pesado que o ar carregando a atmosfera, faltou-te um cromossoma para a deficiência como à professora de filosofia que se babava, um fio espesso de baba a escorrer do lábio de cima para o lábio de baixo enquanto falava, não há paraísos dizia ela, agarra-te ao futebol e ás motos, assuntos de soberbo interesse como dedos grossos e unhas roídas, cabelo pastoso caspa couro cabeludo cor de marmelo não gosto de marmelada.
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