Volto a ter-te colada à testa, pensei que com o tempo, todo o dia passou e nada, todo o tempo que passou e nada, colada à testa, como um diálogo permanente, não era a ti que se referia o bruxo que fumava uns atrás dos outros, tu és a que me deixou, a que abandonou o barco, a que olhou e canelas magras, a que entrou e beijo já não, que te vou deixar, vou abandonar o barco, porque não estou preparada, o nosso amor é verde, são verdes, se fossem maduras, dá-lhe das dela, porque continuas, porquê os palácios de cristal e os castelos de areia, o cheiro a pele, o membro, não o meu membro o teu membro, os pêlos a púbis o cheiro, o teu membro, as imagens em catadupa coladas à testa enquanto passeio à beira-rio, diz que foste para os lados da Graça, confissões em encontros repetitivos, psicologia criminal último ano e trabalho e que mais agora, a metade de uma linguiça, se não chegar há aqui mais, confissões de uma mente conturbada, deveria ter ido para Cacilhas, não há barcos ao domingo, assim me parece, onde tudo isto me levará, quando voltar tudo igual, passadas as primeiras horas, passada a primeira impressão os inevitáveis comentários, faltará a coragem para mudar, pensar nisto é como pensar na morte, no fim do mundo, na inexistência de tudo, um balde de cal e sete palmos abaixo do chão, nada para trás nada para a frente, condicionantes e confronto, lagartas gigantes vindo de cá para lá.
Juntar-se a multidão de roda de ti para te ouvir dizer que é chegada a nova era, era do aquário idade do ferro, procurar por ti mesmo, onde está a capacidade de discernimento onde está a coragem, sinto imensa falta de ti e não tenho coragem.
É terrível a aceitação das coisas, o passar do tempo, convicto de que há um plano por detrás de tudo, onde está, quem o planeou, quando é que o disse e eu onde é que estava quando foi dito, quem mo dirá agora para que o saiba, penso nele, assumo-lhe a existência, paralelamente a tudo isto uma outra coisa, tendinites disfarçadas em braços ao peito, é terrível a aceitação das coisas, passar o tempo convicto de que é verdade uma alucinação colectiva, que o tempo é a sucessão das coisas, ó capacidade de sequencialização, uma coisa defronte da outra sem nomes, só pontos, coordenadas no espaço uma rota, sangue, falta de glóbulos vermelhos no sangue da alma, anemia psíquica, estado adiantado de abulia, trono sem lei nem rei, não fui eu que disse.
Para onde caminham as coisas, até onde a ilusão chupada do complexo do mundo.
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