Ou então sou eu que tenho de dar a volta por outro sítio canalizar de forma diferente estas energias irritativas, almofada de jade lavada, porque é que umas vezes sim outras não a síncope, preciso encher-me de algo mais que ar inspirar personalidade, onde está o reservatório, a paciência, nesse quadro que não sei pintar, para quê convencer-me a ser outra coisa, para quando a aceitação daquilo que sou, tão mais fácil e feliz a vida, uma coisa defronte da outra coordenadas sem nomes apenas pontos no espaço, alguém se esqueceu de por a sinalização setas direccionais onde estão eles, os que o seguem nas palavras para marcar o caminho, quem disse que caminho, quem disse que me mexia pode parecer que vou daqui para ali mas estou sempre no mesmo sítio.
Estou sempre à espera de ser outra coisa. Vivo com o pensamento de que o momento seguinte trará o meu novo ser, aquele que verdadeiramente se parecerá comigo. Assisto impávido às falhas daqueles que sou porque o outro que virá a seguir é que é perfeito, deixo para ele a felicidade e resigno-me a esta dor que é mim mais que eu, uma dor de viver de pensar de existir, um peso contraposto por mais dor só dor a toda a volta,
estende os braços, estende os braços
A vida é dor a morte uma passagem para a dor maior, no fim e no princípio apenas e só dor e a palavra nunca perde o significado por mais que a repita,
ele sabe ele sabe
É conjugável em todos os modos sob todas as formas géneros pessoas e números, deus é dor, o diabo é dor, aquilo que não é dor para lá caminha, está intrinsecamente ligado a ela seja porque veio dela seja porque enquanto ela existir nada mais existirá plenamente.
Há originais num lugar ignoto, peças de um puzzle que a nossa mente dispersa, fragmenta, conseguimos cópias, imperfeitas reproduções, tentáculos de um polvo sem cabeça. Às imagens fictícias captadas num dia de nevoeiro juntamos o desejo contínuo de estar para além do crepúsculo. Na auto-destruição e nas variantes a ela semelhantes encontramos a realização imediata de nós mesmos, é só o que buscas é só o que te apraz, o cumprir de algo que nos soa a velho e profundo porque tantas vezes batido, vidas boémias, antros de mulheres com espartilhos e lacinhos cor-de-rosa, virou-se de costas para que a apartassem, os seios em exuberância, as meias pela coxa as ligas, vinho, estás embuchado bebe vinho que a água enferruja.
Gostas mais de carne ou de ossos, gosto mais de carne, mas não me importo de roer os ossos, queres uma maçã rói, a casca da maçã faz bem aos dentes, nada dessas modernices de pastilhas, casca de maçã e os dentes como lavados, espera pelo casório para ires ao dentista senão o cão, o crédito, mais vítimas da sociedade de consumo, não, não quero isso, não queres põe à borda do prato.
Sim dessa estirpe que nunca se contenta, que não sabe o que fará amanhã nem sequer daqui a pedaço, és lindo não vês, o lábio fino não sem lábio o lábio fino, faz lembrar as estrelas os do topo do mundo, serão esses os alguém os que muitos conhecem, os que são referência, eles vivem o que os outros sonham, o que sonham eles o que sonho eu que sou parecido no não querer chegar onde eles chegaram, no não querer estar aqui,
ele sabe ele sabe,
Que não é o sítio, não é o estar aqui ou ali que trará nada, mas amanhã uma coisa diferente no despertar de mais um sol uma palavra diferente uma revelação a resposta, pode ser sempre no outro dia porque não pode ser de outra forma, chegar a velho e descobrir que tudo não passou de sonho, como se não sonho como se não ambição só desassossego, modificam-se os passos deles dentro de mim, as paisagens mudam porque tudo está igual eu é que mudei eu é que sou outra coisa naqueles insólitos sinais da mão do destino que ninguém repara, respirar de mais qualquer coisa que não ar, que me enche de personalidade um eu que tem muitas não pessoas não coisas espectadores dentro de mim, o público que bateu palmas aos concertos ao vivo, os que disseram, olha o apresentador vai nu, olha é androgínico, o lançamento do disco do gira-discos como disco voador, as casas e as divisões subterrâneas, o metal o ferro, é a idade do ferro esta que vivemos, esta que vivo e respirar ar não me basta, saem todos e eu fico, não gosto de Maria vai com as outras, é lindo não vês os lábios finos a mudança o vento que faz evoluir as raças pela minha fonte adentro defronte de mim uma outra coisa, a verdade, sempre uma coisa defronte da outra coordenadas sem nomes só pontos no espaço sem fim e eu viajante e eu errante não estados contemplativos não espiritismo carma acção e reacção lei do absurdo que nos rege a vida, aquela estirpe de pessoas que não programa porque não pode não luta pela segurança dos próximos dez anos porque não sabe onde vai estar nos próximos dez minutos, sou igual à multidão, estou no meio deles e nada me distingue. Não uma propensão natural para o desastre, uma atracção daquilo que é ruim, sempre na mó de baixo, a roda gira, eu sou como a multidão, onde está ele para que me junte para que o siga, nada a mais que ninguém, quantos sinais são precisos para me identificar, sou português e que mais sou, que cheiro tenho, com quem me pareço, já procurei nos álbuns, já fui o que encontrei não sou mais, espanei-lhes o pó porque lhe sou alérgico, uma sensação de queda, desaire, constante debate luta contestação não quero uvas não me ofereças Manuela não me faças cócegas Ruca, não sou como os outros meninos, não me dou com eles, não gosto de brincar em conjunto, não sei jogar à bola, não sei saltar à corda, não sei falar como deve de ser, eles gozam comigo, atiro o pescoço para trás em síncope, já foste ao médico pergunta a dona Manuela, não dona Manuela, não sei o que é isso, não sei a que se refere, não consigo assumir o que não assumo, sim que lá andei depois tive que desistir porque era muito caro, dois contos e quinhentos a consulta, veja bem, havia um menino que não dizia os erres, tu tens mais dificuldade é nos pês não é, não dona terapeuta, tenho dificuldade de vez em quando percebe, umas vezes sim outras não, para lhe contar não sei o quê coordenadas sem nomes pontos no espaço, qualquer coisa defronte dos caixotes do lixo, pescoço para trás em síncope, está mais ó menos, estás desgraçado queria dizer, ele está melhor daquilo, não está na mesma não vês, és lindo não vês, qual é o sabor, porque é que fugias das aulas de educação física, quem vai fazer a aula venha lá para aqui, eu não ia para ali, não sei fazer o pino não sei dar cambalhotas, até que atestado por causa da asma das alergias, então estás à belenenses, nunca respondi nada não respondo nada, tenho muitos problemas e não assumo nada, não resolvo nada, não passo da cepa, viro a cara mudo de cara tiro os óculos e fico com outra personalidade.
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