terça-feira, 5 de abril de 2011

Diálogos

Mancha púrpura.

Qual é a cadência, a frequência vibratória a quantos graus é, onde está a escala, qual é, interrogo-me, nesta e nas outras, que outras de que falo qual é a maneira correcta, a busca incessante os passos as vozes a mancha púrpura, Índia coração distante homenagem respirar falta de ar, quem me esganou os gasganetes, vinha vestido de castanho cor castanha por assim dizer, daquelas calças de fazenda e a camisola de lã castanha, subindo muito hirto com a minha cabeça segura entre as mãos pelo pescoço, estrafegou-me disseram-lhe que só podia entrar no céu se levasse um menino com ele, porque só através da pureza de um menino ele podia ver os pecados que cometeu, talvez a criança e só a criança, menino o menino, pudesse conseguisse ver o que era preciso ver para entrar no céu, o sítio que ele queria entrar, disseram-lhe e ele andou em busca pôs-se em busca e não descansou tentou e tentou e fracassou, apertou os gasganetes à miúda, era um menino não fui eu que disse, foram eles, era um menino, é de um menino é que tu precisas, e onde está o menino, não, não foi à primeira nem à segunda foi desta, agora é que foi, agora é que vai, será que foste, onde estás, falo para a tua presença exterior a mim, falo a ti, como individualidade pungente em mim, nela relíquias possessões corpos hirtos e pescoços em asfixia.

E depois quantos, já que a porta está aberta, não será bem assim, portas abertas há muitas e quem lhes bate, quem quer entrar ou quem passa porque ia a passar, espreita e entra por curiosidade ou por pressentimento de que é por ali, como a realização dum sonho, o destino que se cumpre, o que ordena, onde está, onde estão agora, será lícito falar-vos, como individualidades pássaros, um momento para passar o pássaro sem cor e sem nome para que passe, olha não vês o voo dos pombos não sentes, nos reflexos prateados das asas não vês, deixa passar já passou, cheira-me a índias, masturbação orgasmos múltiplos e púbis raspadas com gel de banho.

Onde preciso ir, as vozes que quero ouvir, eu não sou, eu sou ele e ele és tu e eu, sim, como se trazem as coisas para uma realidade unívoca, qual realidade unívoca, com quantas realidades se faz um, quantas são, qual é a verdadeira, quem vem distingui-las, quem tem o discernimento, eu pareço ter perdido o meu, eu, mas quem sou eu, não deverei também eu sabê-lo antes de dizer que sou, o que procuro, será que verdadeiramente procuro alguma coisa, olhei as estrelas e vi que a espera que havia já não está cá, e no lugar dela estou eu olhando as estrelas, então o que olha e onde estou, porque espero o que espero agora que deixei de esperar o que esperava, quero ir por caminhos fáceis ou difíceis, quero a esquerda ou a direita, o que será que ele quer, que ele quer para mim, que ele quer para isto, para si, quererá alguma coisa, não será característico dele e portanto de mim não querer nada, não será essa a essência dele, qual é a distância que me separa dele digamos de mim, até quando a dicotomia e como ultrapassar isto, sim é preciso continuar, sim eles dizem sempre a mesma coisa e enganam-nos sempre com as mesmas luzinhas, era após, era desde o principio dos tempos, quem sabe o que isso é, desde quando nos enganam, luzinhas e espasmos do maxilar, sempre os mesmos sintomas, sempre a mesma panóplia, quem compilou este catálogo, quem nos fez parte das substâncias que agora precisamos, precisamos compreendem, não podemos viver sem elas, temos a nossa existência dependente delas, o que existe para lá delas não precisa delas, porque é que uns precisam e outros não, será lícito que pergunte perguntes perguntem, porque é que não foi para todos, quem somos nós, e que nós é este, estamos todos no mesmo barco, para não dizer que somos todos irmãos, filhos do mesmo pai, não se fala na mãe para não complicar, as imagens são poucas e misturam-se, onde ia, nós dependemos eles ou não, se sim, porquê, acordo e sei que preciso, acordo e dirijo-me ao estômago aos pulmões à boca à bexiga ao recto choro, uma tristeza recalcada pelo ânus, sou dependente do sangue que me percorre as veias, das substâncias de que é constituído, da matéria primária, elemento primeiro da constituição dos meus átomos, igual a tudo isso que está fora de mim e que preciso que me venha correr no sangue.

Faço isto faço aquilo agora faço isto e penso que está bem, vejo-o nas vossas mentes, a construção que edificam quando falam para mim, vejo a distorção sou obrigado, não posso, posso que faço, faço isto faço aquilo, quando é que vêm ver-me por dentro, onde está a escala o juiz o níquel, que me equilibre, sete centros de energia em equilíbrio, quantos caminhos, ele foi-se embora e agora, está morto, ou invoco os mortos ou acredito que estão vivos e assim já não os invoco da morte, mas de uma realidade alternativa, para nós, não alternativa para eles, invoco-os dessa realidade que me dizem ser a minha, não fui eu que disse, são eles que dizem, que é minha, mais que esta que considero não alternativa, porque preciso, e não serei nada até que tudo me corra nas veias ou até que as veias sejam todo o universo, mas como a espiral converge para o centro e o centro não sou eu, mas ele, será a primeira hipótese a verdadeira, pondo de parte todas as outras que ponho de parte nem sequer as considerando, o que é que isto faz de uma realização tão importante, deixa passar o pássaro, deixa que voe ele sabe para onde tem de ir, não aprendes com o voo das aves elas vão e vêm, buscam, onde está o modelo, se somos copistas nada mais que copistas, se não sabemos nem podemos criar, mas só imitar, onde está o modelo perfeito para que imitemos, não há outra forma de sermos perfeitos, aprender, aprender o quê, não se aprende a ser perfeito, não se aprende nada, o conhecimento é uma leitura de uma memória esquecida, não podemos saber tudo o que deveremos saber, mas perfeitos só perante um exemplo, e agora como segui-lo, há que comparar a todo o tempo, matar toda a gente, das cinzas ressurgiria esse que seria perfeito e então eu e ele e então só o veria a ele e poderia ser igual a ele, agora são tantos, todos dizem ser o um, aquele que tudo sabe que tem mais do que o outro, são tantos, ó multidão, todos procuram pelo seu exemplo para serem, entre todas as outras coisas que excluo deliberadamente, perfeitos.

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olhai e vede