Vivemos cheios de imposições. A vida em si é uma imposição. Passamos a vida a tentar libertarmo-nos da imposição que é a vida e das imposições que a vida trás, mãe no topo da hierarquia das coisas, o que podemos nós perante ela, pobres criaturas, míseros animais falantes, seres de um conto infantil, terráqueos sem esperança de outras vidas, mortais sem olhos para o futuro, o tempo que nunca chegaremos a ver, o sucedâneo de nós mesmos, a inevitável continuação, acredita, acreditem, acreditas, não há fins, só eternos começos, só um retorno de coisas estragadas que se reciclam, para de novo serem postas à venda, retornadas para o retorno o fim, sim o fim do que não tem fim, a eternidade é um conceito passivo, se não morrermos o que vamos fazer, fazemos todos parte desse plano que ninguém entende, não me vou distrair com os outros, ainda que me dêem razões, todos os argumentos válidos e inválidos mais as opiniões, nada, as opiniões dos homens, os raciocínios geniais dos homens, nada, não, não vou seguir-me por tais leis, se a vida é minha se algo tenho que seja meu (duvido frequentemente disso) então reneguei esse algo pelas minhas convicções, quais são elas, a não regência pelos princípios deles, a entrega e a abnegação à imposição da vida, o desapego, tudo nas mãos dele, já tem a faca e o queijo, fique também com a tábua e o pão e o vinho, dê-nos só na medida do que formos necessitando, dia a dia, porque o mais será erro, o mais será perdição, pecado, conta em débito no profundo de nós, expiação interminável.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Diálogos
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