Agora a presença do que se imaginou está lá dentro e quem entrará, tão mal que te ficam esses gestos e essa postura, o que tinha para dizer disse-o no escuro a criaturas sem ouvidos, a construção que querem ver autodestruiu-se no momento em que apareceram, não foi para vocês que eu cantei, não eram vocês que me estavam a ouvir quando falei e disse, agora não tenho nada para dizer, fica tão mal, não é de bom-tom, qual é o caminho que é desenhado, a pessoa de mim que constroem, para que cresça é necessário que me oiçam, mas e se eu já disse tudo, quem lá estava, não eram vocês, era outro público outros espectadores outra resposta, foi para eles que cantei foi para eles que falei, não mais agora, calar-me-ei, ficarei mudo e quedo para ver se assim qualquer coisa muda, para ver se quando a porta se abrir e a vossa resposta falar eu tenha o que lhe perguntar, talvez assim a voz não se cale, só não sei o que direi ao público que sempre me acompanhou, àqueles para quem desde a infância canto, o que dirão eles quando a voz se calar, talvez nem digam nada, talvez seja só mais um murmúrio daqueles que não oiço porque sou mouco, ela está lá sempre à espera, quando chega fica alegre, fica contente, esboça um sorriso, e tu sempre pronta a dominar, com uma palavra grave sempre, cuidado com aquilo, anda mais depressa, não te chegues tão perto, e lá se vai o sorriso, até à próxima vez, não sei como resiste esse teu sorriso, um dia lembrar-te-ás da tua infância e de quando estavas à espera, contente e alegre, a influência dela será transportada para outros dias, para um presente que ainda não conheces porque é futuro, que se mantenha a tua alegria no sítio dela, os ajustes ficam para quando o juiz voltar da pausa. Ele também aprendeu bem a lição, mal entra procura avidamente o lugar, depressa o acha, é diferente o espaço dele, ninguém o vê, o que verá ele, sei que se senta depressa ou vai depressa para o seu lugar, são pessoas com existências à parte, a mim também me deveria ter sido dada uma existência à parte, mas fui condenado a ser igual aos outros, não sendo, sou mais um sendo uma sombra de mim, tudo o que sou não é para o mundo, a falha torna-se mais perceptível à medida que aumenta a necessidade do que vem de vós, o meu caminho não é igual ao vosso, a prova está em mim, na minha existência.
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Diálogos
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olhai e vede
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