segunda-feira, 11 de abril de 2011

Diálogos

As recordações sequenciais as imagens do passado escape, qual é o sabor, vamos por favor mais um degrau, não tragas isso que é meu é a tua herança, mas ninguém morreu ainda, então será lícito que espere que morram, tenho que vos dizer que não quero que esse dia chegue, que não quero esperar por esse dia, que acho isso ridículo, que me estou nas tintas para as convenções o frigorifico afinal dá jeito, ó estro ó semente, ele chama eu não vou, se for para ir não vou mas compro, vou comprando vou indo, como vais, bem muito obrigado e um dia a morte o ataque cardíaco herança de família, não é preciso cortar pescoços há o cancro, gangrena não há e a fome, tens medo, o que virá a seguir, não quero ver não quero saber vou fazer o que sei fazer vou copiando este e aquele isto e aquilo não sei fazer mais nada isto ou eles a falarem pela minha boca eles é que podem criar alguma coisa, o que é preferível, não há opções é à vez, retire a sua senha olhe desculpe não tirei senha e agora apelar à boa vontade e à fé, esperança que não morre, de um porvir radioso, outras coisas, como se reconhece o fim, estás lembrado, coisas de jeito, juízes casos bicudos soma, acha o perímetro a área total e a permilagem, dados concretos por favor, são precisos para o avançar do processo, ó réu perpétuo raça cigana, bati-lhe dei-lhe com uma chinela, todos olharam de lado porque é que o fizeste, não sabes, é aquilo que vive de lado, aquilo que chega aos olhos quando se quer ver não sei o quê, e eu verei, saberei que está cá, porque me confundem, será que sou eu que me confundo, o que mostro, o que quero mostrar, o somatório de tudo isto igual a ananás com iogurte, sim pois, lava a cara, de cara lavada, eles vão é pelo aspecto, há quem vá com o discurso pensado, depois pode sempre correr mal ou ficar parado, sentir o ambiente para, aquele momento para depois falar, eu faço assim não sei fazer doutra maneira, claro que pensarei como não, a antecipação das coisas, para que serve, e caminhos que correm paralelos, os anos que passam o princípio o meio e o fim das coisas, algo concretizado, reforma, não, separem-me as águas por favor, ó tabiques, eles que são bons ou maus já não me lembro, o juiz foi fazer a pausa para o café.

Pedacinhos de osso por entre o ar que se respira, um novo sítio, mistério, um acordar diferente, um simples pensamento, não posso dizê-lo, mas tenho vontade de dizer outras coisas, por aqui não vou mais que não é preciso, dizer só aquelas palavras agradáveis, qual é o pão, a relação com as coisas diferentes, é daí que parte tudo, quem pode dizer isto ou aquilo não, não vou por aí, não fui eu que disse, chega de tanta volta, eles é que sabem e eu vou reflectindo, sendo assim já que não posso ser doutra maneira, mas que espécie de construção é esta que se desmorona com uma palavra, com um gesto, mais um andar, o que de facto importa.

Ligaste-me, para que servem os toques eu não dava toques, davam-me com o intuito de me fazer saber que pensavam em mim, diziam e agora como estarão as vidas delas e deles, memórias dentro da minha cabeça, estou preso aqui, com a boca e os ouvidos virados para o mesmo sítio, precisarei de um impulsionador, o que me dirão, será por aí, será desta que vem o que está para vir e depois continuar ou não calar, não me posso calar não estou cá, mas nada está parado tudo continua, até que me sente novamente, a espera é sempre a resolução última e o fim do que não encontrou outro fim. Venham de lá esses estímulos, às vezes basta um aroma serpenteante num fundo negro, um toque daquela mão ardente como o sol que arde, daquela mão que impulsiona, que revela que ali pode estar o que não está aqui e então corre, vida que sente calor quando mais não pode sentir. Demos então a volta ao carrossel e estamos outra vez no sentir como fim último da existência, o resto que ao lado ou à margem caminha, diluiu-se nesses entretantos de dissecações, tornou-se moléstia da qual a consciência mãe achou por bem livrar-se, um olhar sincero pode significar o casamento entre duas almas, na leveza de um toque está a consagração do amor e no rebordo redondo e vermelho de um banco está um eixo imaginário entre mim e a minha loucura. Não, a vida é algo mais, nós somos algo mais, eu sou algo de maior. Eu não quero isso para mim e não me venham dizer, não queres mas tens de gramar, aguenta não chora, porque não, comigo não levarão a melhor nem que me dilua nesta tinta e nada mais seja que tinta que exclama e clama e grava na memória de alguns para sempre, liberdade vida verdade sinceridade honestidade, lutai por isto, lutai, vida liberdade, basta de come dorme e trabalha, sede dentro e fora de vós e uns com os outros, acabai com o que está mal até amanhã à noite, um e mais outro e todos os dias das vossas vidas. Eu farei a minha parte. Não tenciono por fim ao mal, mas se nada fizermos agora teremos, abram os olhos, teremos que fazer nesse amanhã que renegamos e afastamos, eu quereria agora esse amanhã como um manto espesso que tudo submergisse, limpando almas e corpos levando tudo, mas não há, o processo é de purificação e começa aí, nesse ponto negro que não ousas espremer, sim pois, veio a onda mortífera, quantos foram embora, cento e sessenta mil dos contados, fora os não contados os desaparecidos os raptados, os que o mar levou os que os peixes comeram, que há muito tubarão e peixe carnívoro para aqueles lados, sim pois, foi lá que aquilo veio e levou tudo, leva quando vem e leva quando vai, quando vem parte janelas e abre caminhos que percorre quando volta, é mar regressa ao mar, rasto de destruição e morte, putrefacção e náusea, que erro cometeram aqueles que lá vão, qual é o desígnio, revolta da mãe ou do pai efeito de que causa, o mal do homem mas que homem se assim é, tudo é a mesma coisa, uma acção desse homem capitalista sem escrúpulos, uma criança morta do outro lado do mundo vejam isto, e agora reconstrução e agora o que faremos, o que fará, deixará ele de ser corrupto, pensarão eles em parar de destruir o pulmão do mundo, concluirá o mundo que se morre da sede de lucro, digam-me, ou isto é a prova de que a humanidade é um ser inteiro e é justo que eles morram, pagam os pecados dos pecadores, os que foram e os que ficam, os que agora vivem por entre os escombros e os cadáveres e a poeira nauseabunda atirando-se como cães famintos às trouxas atiradas por homens camuflados, lembrem-se, são os pecadores que agora os alimentam, são eles que agora se juntam à mesa oval e debatem quantos milhões poderão dar para reconstruir para matar a fome, mas pensarão eles em mudar o curso da história em travar a revolta da mãe ou do pai regenerando-se, pensarão em poupar o pulmão do mundo, pensarão, a mão que mata a mesma que ajuda, a voz que relata a desgraça a mesma que gritou a dor e morte a mesma que oprimiu, sim pois, têm de vir as ondas purificadoras, mas porque levam inocentes no lugar de pecadores, até ao dia em que levem todos e depois, quem separará o trigo do joio, o juiz foi fazer a pausa para o café.

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