Ele terá ido onde quer que tenha ido, que me importa isso, tantos outros sítios, onde tanta outra gente foi sem que eu o saiba, porquê ter de assistir ás viagens daquele, seria igual a qualquer outro sim, não, então porquê ele, um breve momento para o voo de um pássaro sem cor que leva com ele algo que me pertence, ele quem aquele, o que fará ele, qual será o sabor depois dele ter partido, vejo o dia em que ele partiu, há qualquer coisa de repetitivo, os gestos o esgar do maxilar as unhas a forma dos dedos o corpo os pés, a maneira de pôr os pés, as axilas as virilhas, o membro, a púbis. Nada me é estranho, tudo me é familiar como se ele já se tivesse ido embora, como se já tivesse seguido o seu caminho não sei para onde, para lá onde tem de ir, eu onde vou com isto, não sei, eu o quê, onde está para onde foi, essa presença de mim que sei sem precisar falar disso, será automático o processo, o que os regula, onde está a tabela o gráfico a sequência, onde estão o que fazem, quem fez de mim isto que sou, onde estão os pais a mãe, o pai o pai a mãe a avó a árvore a raiz o esqueleto, onde está o que teria sido, porquê eles, que escolha essa e qual o grau de consciência, se foi será que posso lembrar-me dele, onde está a memória, onde estão as emoções, de sentimentos a pessoas mortas ou nascidas noutros lugares, mundos como poções metidas em frascos, qual é o armazém, quem lá trabalha ó hierarquização das coisas, sim diluir-me no que poderia ter sido, onde está a vontade para o ser, de onde vem, de onde era suposto que viesse, se não a tenho de quem é a culpa, se optei por não criar de quem é a culpa, quem cria, teremos nós algum poder criador ou só aquele que criou tudo pode criar e criar é uma coisa que só podia ser feita uma vez e já foi feita por ele, então e agora o que fazemos,
copistas somos copistas
Para que lado está, já não sabes de que lado te falam, então pode morrer uma pessoa sem que um se aperceba, o que quererá isto dizer, porque não me cheirou a podre, não te cheirou, se calhar não cheiras-te bem, terás entupido propositadamente as fossas nasais as vias respiratórias para que não te cheira-se, carrasco, quando degolaste mais um, guilhotina, e agora, onde está, qual é o sabor o que deixou e o que é agora,
fantasma
O que era antes, o que de facto muda se as coisas que importam são imutáveis, mudamos nós mudará a nossa percepção das coisas e do imutável, a cada passo uma nova fasquia, como uma miragem que se metamorfoseia, porquê ver palmeiras porquê ansiar água, sede quem tem sede, quem viu palmeiras e camelos, quem não viu antes cactos montes de areia e cactos, terá pensado em abri-los, como faria, onde está a parte a seguir, qual é o seguimento, porque é que não há agora, sempre só uma visão do que tem de ser, qual é a concomitância o grau, onde está, para que quero tanto saber, deixem-me da mão e depois o que faria, o que quero e se quiser não querer e querer, qual é a periodicidade, calendarização do absurdo, quem previu os meus devaneios, o que é que isso faz dele, quem pode julgar, então está ou não presente o derradeiro e o único, será lícito, esperar pelos tempos do apocalipse, ver anjos papudos de caracóis loiros tocando trombeta em cima de um candeeiro de rua, passarinhos deambulando em fios que ligam postes de electricidade, uma concentração por baixo da ponte, os errantes, os pactos entre as hostes, não fui eu que vi, eu não estava lá eu não fiz nada, eles chegaram e depois foi o que aconteceu, que poderia eu ter feito, não, não me interessam as razões, será possível, a interrogação da possibilidade das coisas é demasiado coincidente com a sua confirmação, será a mesma coisa, Pingo Doce e Gestiretalho, até quando, porquê, pergunto perguntas perguntam, brecha na sucessão para deixar passar a caravana, os índios a índia cheia de índios a lavarem os corpos as vestes e as almas no rio onde os cães a matarem a sede, convivem todos de joelhos o tempo inteiro, um dia com a adaptação evolutiva devida, deixarão de ter membros inferiores, por comodidade do processo, e depois as alegrias, terás alegria ó autóctone, em pôr o pezinho na água, em ver se está fria ou quente ou como está, onde estará a tua alegria, se me dissesses talvez eu a descobrisse, e viesse a concluir que nenhuma das duas me deixa alegre, poderás tu sentir alegria em molhar o pezinho, porque não me dizes, passa lá, não há deserto, não há cactos nem montes de areia, não há, foi uma miragem, continua o teu caminho.
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