segunda-feira, 28 de março de 2011

Diálogos

Roeste a corda, o que poderia ter sido resolvido com um golpe sofreu vários sim, assim é, o que importa se no fim o resultado for o mesmo e se eu desse uma volta a tudo isto, assim daquelas de cento e oitenta graus, ficava virado para ele e as voltas de trezentos e sessenta fazem-nos voltar ao ponto de partida, mas será que eu volto ao ponto de partida será possível, acho que não, não importa. Esta foi uma volta de cento e oitenta e está dada. Agora o que mudou, para vos dizer é necessário que passe, que passe tempo sobre ela, um não consegue falar do presente, desse tempo que vive porque não vê, se visse não o viveria ver é não viver. De que forma, então quando vejo não estou vivo, estarás vivo, mas estarás vivendo, é essa a questão, estarás vivendo, enquanto vives vês, verás o que vives ou será preciso que passe que passe o tempo por ti e pelas coisas, que passe para que vejas o que passou não o que vives porque se o vês já não o vives ou ainda não o vives estás a ver e não podes fazer as duas coisas ao mesmo tempo, não poderei, quem me diz que não posso, que impossibilidade é essa, onde está qual é o sabor, as voltas de cento e oitenta graus, quer-me parecer que o ponto de partida já não é o mesmo, será outro, será outra coisa, esta é a casa é o sítio é a base, a partir daqui tudo será diferente, poderá dizer-se e será lícito, diferente de quê em quê como e porquê, já não volto ao ponto de partida é outro ponto, sequências base caminhos alternativos, onde está o níquel, já leste a escala, onde estão essas reacções, respostas às pessoas e aos acontecimentos o que é, porque digo isto e oiço aquilo, como foi que disse, és um reles um ordinário um chulo um imbecil ameba protozoário não fui eu que disse e tu ouviste e eu ouvi porque estava lá e nada fiz, nada fez porque não lhe competia fazer então ficou calado para fora sentado por fora ouvindo até que me disseste eu não vou, isso vi eu que tu não ias, que não vais que não sais do mesmo sítio e eu o que lá estava a fazer e porque vi, agora tenho a certeza sim a experiência das coisas será lícito, ouvir e nada fazer sentir e nada dizer o que dizemos, o que dizemos de nós o que dizemos dos outros onde está, serei capaz de viver uma vida como a tua, qual é a vida que vivo, é através de vós sem dúvida, qual termo de comparação é a engrenagem da maquinaria mesmo, são as peças vitais para que se movimente e rode a roda da vida o que determina, a fortuna a desgraça o que determina, quem determinou porque reages reajo reagimos assim às coisas, pergunto perguntas perguntam, eu não quero reagir assim dizia ele, eu não quero isto eu já vi este filme, já passei por aqui o que estou aqui a fazer, não queria ter cá voltado, quem me trouxe o que fiz de mal não, um não se interroga sobre o que fez de mal, um não vê o que fez enquanto não passar o tempo por ele e pelas coisas, de quanto tempo precisas quem to dá e depois de tudo o que fica, a morte e uns sapatos, os mais belos da tua vida calçados para entrares no céu, memórias da meia-noite, quem rouba vai para o inferno para a rua, mas que aparato, o material os produtos as luvas de borracha e os produtos dentro do saco de plástico, ele na rua ladrão bandido terrorista, ainda cortava aqui o pescoço a algum, volte lá para a terra dele, os bandidos vão para o inferno e para a rua, mas onde estavam os bandidos e quem me diz que este bandido não estará melhor no inferno ou na rua do que no sítio onde estava de onde veio ele, do céu não foi de certeza, e para onde vai se é bandido e os bandidos vão para o inferno ou para a rua, então o que é isto, quem é o juiz, onde está, porque é que há céu e quem os dividiu, contentem-se com o que quiserem eu pergunto compreendem. Masturbem-se bebam álcool consumam drogas vejam televisão desinformação cultura armas de destruição maciça, eu também o faço e depois se no fim o resultado for o mesmo o que interessam os meios o que está pelo meio, quem avalia a acção, quem são os espectadores da nossa vida que olharão para ela como uma memória para acharem bonito ou feio o que acharão, quem serão eles para achar alguma coisa, então haverá mais do que uma natureza de seres e o que é que isso faz de nós compreendem, raciocínios sequenciais método lógica estatística e métodos quantitativos tira o gorro da cabeça rapaz, não comas pastilha elástica ou se comeres não faças balão, e tu onde estás como será a nossa vida, mudar de página por aqui ou por ali que diferença faz, sim tu sabes tudo, mas tenho de dizer-me tenho de ver-me tenho de saber o que se passa, viver sem saber o que vivo, sem ver, sem ter a consciência toda, a lucidez toda o tempo todo, o que é isso, onde está o níquel, por quem me tomo, de quando em vez olho para as mãos e vejo o tempo, que coisa tão directa que de tão directa ser só a percepciono com qualquer coisa de indirecto, o que importa se no fim fica a noção com que a penso, são as mãos que me fazem ter o pensamento ou é o pensamento que faz com que olhe para as mãos enquanto estou a tê-lo compreendem, galinhas malucas e ovos postos por libélulas gigantes onde estão, só tu me compreendes, já te devo ter tecido uma elegia noutro sítio qualquer, mas a minha paixão por ti afinca-se, se é que esta frase faz sentido para alguém, também o que quero dizer não tem assim muito sentido compreendem, não esperes de mim, porque esperas de mim não, não vou dizer, não vou fazer, não me vou mover, não sairei do mesmo sítio, estou sentado levantar-me para quê, porque ímpeto por quem vos tomais te tomas se tomam trauma de vós reflectido na cara dele, onde está já engoliste, o outro injectava, injectava o quê, veneno queria ele dizer, sim pois de que outra injecção falaria ele senão essa, andam lá muitos e estão no meio de nós pois sim, sim pois, como disse, como desculpe não percebi, de onde vem, leste para lá frio câmaras frigorificas bebidas brancas e gelo, já fizeste gelo já, fizeste ou não fizeste, já devo ter tecido uma elegia à paixão que sinto por ti, o pior é a diarreia cerebral, as bufas, onde está o ânus, por ventura ter-se-á tapado com a falta de vontade.

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