Parecem iguais aquelas duas os gestos a disposição das coisas das crianças como coisas, vamos de carro de praça que eu pago, pagas, pago, à luta com as contas que vencem sempre, à luta com o choro das crianças como coisas, que afectam que são a vida, as crianças ensinam-nos a viver, descobrem a vida descobrem os mantos e deixam-nos nus outra vez como ele como eles estavam nus e não sentiam vergonha, o que veio depois, qual serpente qual quê, é um lagarto sem patas é a variação genética é uma probabilidade entre todas é o acaso que não existe o rodar da tômbola a roda da fortuna é uma roda pois é e roda, umas vezes está, ora em está em cima e em baixo, era bom que ficasse em cima, seria, este é o mundo do devir tudo o que deve teme e vem, acaba por vir, o que mais temia me veio e ele também veio e agora está aqui, morto, mas ao nosso lado, e quem o segue, quem são agora os seus discípulos, onde está a mensagem, as mentes agitam os costumes, eles passam coiotes, os passos transformados em sombras, outrar-se, ser aquilo que só se ouviu, ai agora sou pois sou, dou por mim a sê-lo mais do que ele alguma vez o foi e parece que foi só porque o vi que sou, quantos são quantos são venham todos que ele é o primeiro a fugir, Inverno, muito vai chover ainda, roupa sobre roupa eles estão sempre safos nós é que é pior temos que combinar as coisas, que descriminação esta, homens e mulheres, mulheres e homens, ela que saiu da costela dele para lhe fazer companhia, se éramos um porque somos agora dois.
Faço uma força estupidamente absurda, as ideias ao serem ditas perdem-se, ao serem realizadas cumprem-se. O que vem depois passa a ser o que estava antes, aqueles marcos onde nos achamos, deles seguimos para o que será a seguir, somos nestes breves momentos aquilo que somos, no momento a seguir seremos aquilo que seremos partindo do que fomos, não podemos ser a partir do nada, fomos sempre alguma coisa. Eu guardo memória do que fui muito para além do que consigo lembrar-me. Vejo consubstanciadas muitas dessas memórias sob diversas formas nesse futuro que parte do ontem. Exaustão. Onde ficas tu, terei já estado em ti, terei podido já dizer-me exausto ou a minha mente sensível protege-me do teu fim com esses mecanismos de defesa que bloqueiam as passagens da escadaria em caracol como braços com mãos que puxam agarram-se ao corrimão e puxam largam a espiral da ascensão trazida do profundo ignoto da minha essência. E belo, poderá um levantar-se e dizer sem se olhar ao espelho sem se ver reflectido em parte alguma, sou belo, o que é belo, são paisagens no interior de nós reflectidas no corpo de outrem, são vozes que cantam a nossa música em coro, são tudo coisas que escorrem por cima das cascatas desse líquido substancial, são o ar e o vácuo, matéria preta. Vinde a mim conhecimento do universo extensão profundidade compactude da vida, vinde. Sede através desta massa que não compreendo através destes mecanismos que ignoro, sede. Sede plena e totalmente para que ganhe a minha individualidade de ti e possa ser plenamente também. Uma estranha paz invade-me. Não, não é estranha. Conheço-a bem, tenho vindo a namorá-la, ó sucedânea da liberdade que me impus, não preciso falar dela, não me destabiliza não sinto revolta e sei que não é por fraqueza que não o sinto antes por força e uma espécie de alheamento ou desapego que por consequência de outras opções adquiri. Então a ideia não é fazer deste mundo o reflexo translúcido do outro, como assim, eu explico por outras palavras por todas as que forem possíveis esta ideia, então não é, o mundo um reflexo do que somos por dentro, não podemos encontrar nada fora que não tenhamos já encontrado dentro e o pensamento visto por fora deve ser igual ao visto por dentro, da diferença entre um e o outro nasce a ilusão e o mal como forma de ignorância, mal como entidade mal como condição humana, eu não tenho opinião, todas as opiniões são válidas desde que justificadas, não vejo distinção entre a tua opinião e a dele uma vez que ambos se justificam ambos me justificam, tão validos os argumentos de um como os de outro desde que ambos acreditem neles ou pelo menos sejam convincentes na mentira, sim pois, também a mentira é uma justificação e esta serve para tudo. Mas não era nada disto que estava a dizer. Dizia que me sinto em paz mas temo, temo pelo momento futuro em que o outro vai ser eu em vez de mim, e lá se vai isto comigo pró buraco até que volte, mas tu morreste não me esqueço, e o outro que era para ti morreu contigo, quando o chamares serei fantasma, o fantasma dele para ti eu serei, sim e a par com isso vamos ver se conseguirei ser eu ainda ou que outro nascerá das cinzas do que matei. Da ressurreição o fantasma, o que pretendo é que te afastes não por medo mas por falta, e que instintivamente procures noutro lado o que deixaste de encontrar aqui.
O fantasma do eu que estava contigo mostrar-te-à o caminho ou pelo menos que há um caminho, e tu sem saberes nada disto nem como irás lá ter, ficarei contente quando lá chegares e quando sentir a distância correcta entre ti e eu, quando vir que o novo ser cresce no espaço que será dele, livre sem precisar falar em liberdade.
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