Mas nem à minha loucura dou a expressão que ela merece, nem ela é plena em mim, nada é pleno em mim há alguma coisa plena em alguém, não, no ser humano nada é pleno, a plenitude é um atributo que não há, que só há no mundo que não há e que busco que buscas que buscamos, é por buscar o impossível que sou louco e infeliz e triste, se buscasse o possível o material e o realizável seria feliz porque o alcançaria, assim estou condenado e escravizado até que a morte me liberte para a nova escravatura, até que cesse de existir e me torne naquilo que não é. Ser é não viver, contudo no ser está a verdadeira vida, a verdade está na negação de tudo o que existe, no contrário do universo está deus, tudo é uma inversão, vivemos do outro lado do espelho e estamos do lado de cá a olhar para nós do lado de lá e a cuidar que o que vemos é a nossa imagem reflectida e não deixa de ser se fossemos simples não precisaríamos de espelhos que espécie de bicho se contempla o pior é que nem é a nós que contemplamos porque não somos o que vemos ao espelho, no pensar que somos aquela imagem que está uma grande estupidez, então o que somos, somos o que não podemos ver, somos aquilo que não está, porque não está sujeito ao espaço ou ao tempo o problema está nas concepções, a alma está dentro do corpo, mas quantos corpos foram abertos em que saíssem almas de dentro deles, nada mais se vê senão entranhas iguais àquilo que está por fora, então onde está ela, não está, mentaliza-te não está, contudo existe e ela és tu e esta concepção que é qualquer coisa para lá do mundo e da realidade é a porta da verdade porque toda a verdade é assim, contrária ao mundo, invisível intocável e inatingível.
Mas achas bonito o que se está a passar, e acho bonito, o que eu vejo é uma grande discrepância, vejo vontades e ausência dela, vejo decisões que pretendem mudar toda uma vida e vejo mudança de decisões, não vejo nada, não vejo nada do que quero ver, tento achar a cada pensamento o porquê de mais um pensamento, continuo à procura de um fio condutor, ainda dentro de mim a luta de clãs e titãs pela posse da verdade aquilo que é não se consubstancia evapora-se foge e volta a chover sobre mim num ciclo do qual a cada novo ciclo me julgo liberto.
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