quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Diálogos

Perante a imponente fachada não sentimos outra vontade senão a de nos tornarmos pequeninos, do tamanho de um ovo que nos caiba na palma da mão, para aí nos agarrarmos e nos protegermos daquilo que sabemos ser tão grande e tão capaz de nos pôr capazes será que nos achamos capazes de ser capazes.

Passando o que é passado, o passado não é passível de ser passado por cima então, antes de ter acordado já sentia aquilo que me pareceu um gesto brusco vindo de ti causado pela sensação do que virias a sentir como reacção à minha reacção ao teu gesto brusco de pegares no comando e acenderes a televisão, eu que pensava que dormias ou pelo menos dormitavas, ou carpias as dores e prazeres numa de sorna, pegaste no comando com um gesto violento assim me pareceu, e logo as vozes cuspidas pelo aparelho vieram como facas irritantes irritando os meus ouvidos trazendo-me de lá, desse refúgio esconderijo onde estava escondido, irritação, não queria de lá sair, e logo trazido por um sentimento que senti antes de vir, porque a sensação foi que a ti algo te tinha trazido e forçado a ouvir as vozes irritantes, eu não queria voltar e não voltei, não voltei, não voltei. Porque não entregar tudo nas mãos dele e dormir porque não, porque afinal é a vida ter tudo isto nas mãos porque viver é ter tudo isto nas mãos e a nós para concretizar e os meandros da burocracia e o enleio e o engodo para combater com a integridade de nós, cuidado que te passam a perna, agora já querem setenta e cinco, mais os quinhentos que entretanto tinham sido adiados, mas que serão devolvidos aquando do acto da escritura, sim palavreado de quem compra de quem possui tudo meios para esse fim sublime eterna busca não nos esqueçamos tudo meios ó busca eterna ó almejar perene disso que nunca haverá só aproximações não sim talvez mas afinal o que é a vida senão ter tudo isto na mão ou querer ter tudo isto na mão e não deixar para mais ninguém ter na mão porque esta é a nossa vida a minha vida a vida que eu escolhi aquela que quero ver realizada na concretização do meu ser do nosso ser destino inseparável carma comum venha a nós o teu reino e seja feita a tua vontade mas pelas nossas mãos ela terá de passar não terá sido para isso que nos criaste para que passem por nós a tua vontade e os teus desígnios destes mundanos também tu saberás sabes de tudo mas como entregar-te o que quero que me pertença o que quero que seja meu a razão do meu viver e da minha labuta sim um meio sempre um meio não nos esqueçamos de que é um meio e de que nada está atingido pois os impérios conquistam-se para mais impérios se quererem conquistar mas que quero eu afinal quero viver quero amar quero a simplicidade de tudo isto através da minha complexidade quero dissecar o mundo pelas palavras quero querer o que quero amar viver não há descanso há muito para ser feito e sou eu quem vai fazer tudo claro eu sem ti nunca nada disto faria como pôr todo este sentido em causa mais uma vez ainda outra vez por causa de quê não entendo como não me entendes como não estás do meu lado agora ontem sempre mais uma derrocada não a estrutura não abala até chegar o dia em que me digas acabou. E eu fique morto sem saber porquê a pensar que tu me conhecias a pensar que tu sabias a pensar que eu sabia eu não domino eu não me domino isto sou eu mais as coisas que estão para além de mim e que sempre farão parte da minha vida desde as profundezas que não albergo ao zénite fora de mim mais do que eu a energia que me usa é admitir que o que expresso está para além de mim é admitir que o que amas é mais do que eu e muito do que amas não sou eu como muito do que não amas, onde estou eu no meio disto em todo o lado e em parte alguma refugiado escondido no esconderijo nem sempre às vezes quem sabe quem assume quem é o que é ser sabes ó senhora da razão e das convicções inabaláveis eu que moldo que espelho que crio que transmuto eu isso que ainda tens por descobrir por aceitar por compreender por amar por achar por enfrentar eu todos os teus medos eu todos os teus monstros os que exorcizas-te e os que tens por exorcizar eu todo o mal e todo o bem dentro de ti eu essas perfeições dele por realizar eu essa miscelânea de todos eles sem ser nenhum, sem ser, prometendo pela imagem de mim que sonhaste, que sonhas, que amas, e eu, e eu como força criadora sonhadora enaltecedora de mim mesmo e do que é belo amante de qualquer coisa fora do normal fora deste antagonismo da vida que presenciamos todos os dias eu fora deste mundo eu projectado na saudade que tenho dos tempos a que pertenço da moral da força eu incapacitado pelo caminhar da gigantesca engrenagem eu oprimido por me sentir sendo em outro lado eu ausente de tudo isto eu lá nesse mundo que sinto e cheiro e provo eu afagando os teus cabelos negros ao vento e falando de amor sem depois sem amargura por vir sem monstros para decapitar sem mecanismos de defesa para ultrapassar pureza e essência eu saudade de ser verdade eu vontade de renegar a tudo o que me mete nojo eu tornado balázio na cabeça de todos quantos me enojam eu caos eu personificação da dualidade da humanidade eu eternamente a carpir como mártir que não sou o pecado que ninguém conhece. E eu, em vários mundos a sentir a gastar a dádiva do criador brincando como os outros brincam sendo através dos outros mais do que outros são sendo eu lendo e recitando palavras do livro que lê quem sabe e quem pode eu a boca do mundo dizendo da natureza de ser mortal e sonhando, sonhando com o fim com o princípio com a ausência e a presença do que está ausente eu noutro lado eu a teu lado eu só a teu lado eu a renegar a tudo sabes que não posso sabes que ele me espera olha para mim e espera sabes que sem ti nada será possível podes escolher mas tudo já está escolhido não aconteceu mas ele já sabe de tudo. Cansaço. Falta de sono. Inutilidade. Caos. Basta. Dir-se-ia que a caminhada já cansa, eu diria que ainda não começou. Mas torna-se complicado com estes momentos em que forças grossas me puxam por grosseiras cordas e me invertem o ser, não podes deixar que isso aconteça tens de respirar fundo e fechar a porta verás que logo te apercebes que outra se abre e por ela entram a luz e o branco, vamos fechar de vez esse portal escuro, essa porta dos fundos essa escotilha para o porão deixemos as ratazanas na sua vida, elas não podem pisar o barco, comem-nos o sustento e ratam-nos as vestes, cada coisa no seu sítio e na minha alma não há sítio para o mal. Então onde está o mal da minha alma, de uma vez por todas o que está tem que ir sendo filtrado reciclado e devolvido à proveniência e à providência e mais nenhum entrará porque nós não somos compatíveis porque a nossa natureza é o bem e o que é grande somos de constituição dual artriticamente infinitamente pequenos e infinitamente grandes mas a nossa essência não é infinitamente pequena nada tem de pequeno o bem não é pequeno o amor não é pequeno o amor não é pequeno e no fundo e despindo o superficial é isso que somos é isso que sou portanto em mim não há lugar para o infinitamente pequeno e nas minhas acções não pode haver nada que leve ao infinitamente pequeno, não busco não busques o prazer efémero não busco não busques a ilusão busco busca a realidade e a vida no amor incondicional.

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