Tudo na vida parece ser um prazer imediato, tento fugir ao prazer imediato, mas logo volto a ele compulsivamente, tudo é imediato e efémero, o amanhã é tão inatingível como a plenitude, com a diferença de que o amanhã chega, a plenitude é que não.
Um dia, sim acredito, um dia estarei, estaremos, estarás livre, de todas as influências.
Livre, livre
Estarás estaremos livres dessas dependências de corpo de alma presos, amotinados, e que poderei eu fazer por ti, por eles, por vós, enquanto eu próprio for amotinado, que nos ajudem os anjos, os puros os intocados, que estejam connosco em toda a parte soprem, soprem sussurros, a junção das almas torna-se mágica, quem menos espaço ocupa no complexo do mundo mais observa, mais espaço ocupa dentro de si, mais é sendo nada, observando, ó espectador da vida, olhas os outros como personagens desse teatro complexo da vida, olhas com olhos analíticos teces teses crias-lhes uma personalidade que é tua, mais tua que deles, pois nos teus pensamentos são mais do que na realidade que eles habitam, um pode não ser, mas há linhas, elas estão lá, o que será que eles vêem, será que a ideia que faço da ideia que têm de mim, a minha personalidade dentro deles, uns nem pálidos reflexos atingem, mas outros que junções farão, que mágicos são os encontros e quanta calma é precisa, aonde vamos, está tudo louco, só terrorismo al-quaeda bin laden estamos aqui a brincar às carochas às baratas aos papeis, enovelando caganitas aos cantos de castelos voláteis, inspirados e expirados nesse ar pesado do complexo do mundo, ó verdes campos ó montanhas longínquas, também não vos queria que faria eu com toda a vossa pureza, os regatos, aquilo que é plácido, locus amuenus para que vos quero, horror tragédia e drama, stress, stress, stress saberão os marcianos o que é o stress, não sabem saberão, a angústia, extraterrestres, armas de destruição maciça, monopólios consumismo, onde está qual é o sabor, há pão para todos, que espécie de protecção que criação ou doença esta, o que sou eu no complexo do mundo, o que és tu estrela pornográfica rock super estrela anticristo Cristo o salvador da humanidade e se ele falha a missão quanto tempo terá para a cumprir e discípulos foram doze agora quantos são os que o seguem, tudo é a mesma coisa tempo, tempo, tempo. Isto com o tempo vão se pondo em prática aqueles pensamentos que outrora não passavam de pensamentos, ideias vagas flashes de viagens impossíveis agora materializados na voz dele, tornados emoção no meu tom, na resposta, no eco das visualizações premonições cabala do absurdo no complexo do mundo, a verdade é que é assim que elas acontecem, e que eles vêm e vão e eu vou ficando, estou bem pois com certeza, não haveria eu de estar bem se tudo é a mesma coisa e uma coisa não é diferente da outra nesta essência de que falo pelo facto de serem ambas parte de uma mesma coisa assim da perspectiva de que falo delas, como as vejo, como, descobrem-se novos modos de olhar, serão prismas serão os olhos serão as coisas a dúvida persiste o que muda, é o ser é o espaço que ele ocupa no complexo do mundo, o que é o que ocupa o que muda, ai senhores nó unhaca, reflexos ecos, outrar-se para ser a folha em branco onde encaixa o recorte dele, eis que se vê confrontado consigo quando me olha, a folha branca, o confronto, não é comigo é com ele que se assusta, recorte folha branca, quantos são quantos são venham todos que ele é o primeiro a fugir, e eu sou muitos todos aqueles que forem precisos para que ele tenha medo, muito medo, e dê a debandada. Ele eles todos ah como é fácil abraçar a humanidade inteira, primeiro ele, eles, o outro, primeiro o que está perto o que é nosso, sim que nada é nosso de verdade, mas se dissermos que temos alguma coisa que de mais nosso teremos que esse espaço onde o nosso ser é, onde o nosso ser fica, agarrado às paredes como aos corações dos homens, conservando a pedra e transmutando as emoções desses que temos por serem o espaço onde somos.
Vejo-te com três olhos, olho para ti com três olhos e vejo mais que tu que só tens dois e olhas para mim e procuras na minha cara o terceiro olho que não sabes. Chega-me doce, o cântico chega-me doce, o cântico chega-me melancólico, o canto chega-me doce e melancólico é um cântico a um deus que não conheço, calaram-se as vozes do cântico, não as da minha cabeça, uma acção é um acto de responsabilidade porque em pensando nunca agimos, aplique-se pois o pensar só depois de agir à guisa de lição ou resenha daquilo que se tenha feito, para mim a vida não é projectável, contudo cá estou eu em mais um dia neste mapa cuja cartografia luto por compreender e em que os relevos são as marcas da dor do bater do meu coração. Passo pela segunda vez pelo trilho dos tijolos doirados e vislumbro a construção que todos os dias é feita de todos, a cada novo estrato peças boas e más desde a base até ao topo, eu sou o tijolo universal, aquele que pode ser colocado em qualquer ponto da obra, adaptado e moldado aos contornos da posição, não perco a qualidade original, característica do material de que sou feito. As diferentes posições mostram diferentes prismas e a certeza de que tudo é a mesma coisa, reflexo do espelho divino que do lado de lá esconde tudo o que buscamos quando olhamos para nós mesmos conforme os nossos olhos vemos mais ou menos do que ele reflecte quanto menos virmos de real mais iremos ver de verdadeiro, isto é, real da realidade das coisas por fora.
Até porque não há nada que não se aprenda, se não sabes, porque não poderás aprender, haverá algum conhecimento velado a ti a nós, porque estamos aqui, não quis ele saber mais do que deveria, não houve uma qualquer intenção usurpadora num seu acto, de uma pretensa inveja do conhecimento alheio, pois que ele via, com certeza que via claramente visto, o funcionamento intrínseco daquele a quem supostamente invejou. Ou então já falamos aqui de uma forma de ilusão talvez a primeira de todas, o ver algo que não estava lá, que o fez dar existência a uma coisa que não tinha, não é esse o pecado mor, fazer uso de poderes divinos, esse um deles, o de criar.
E agora divinos são os poetas e os anjos porque criam, e se uns criam amor e ódio e outros amor apenas é porquê, que criação esta que nasce e cresce aborto que vive, devemos parar e escutar muito atentamente para ver as criações dos anjos e aceitar finalmente que só eles podem criar porque só eles estão livres do mal, então e que faremos nós com o nosso poder criador, será ilusório, será que não criamos nada porque tudo já foi criado, e o que não foi criado não pode ser criado porque em nada podemos pensar que ele já não tenha pensado, portanto se ele pensou deu ser e se é ainda que em qualquer outro lugar que não à nossa vista então não criamos nada somos copistas. Haverá algum conhecimento velado a nós aquelas coisas que nos parecem turvar a vista a ruptura da capacidade de raciocinar com clareza perante certos factos números que se tornam invisíveis e indecifráveis caracteres que se liquidificam substituindo-nos o sangue, impedindo-nos de ver mais longe, haverá conhecimento velado a nós, basta sermos humanos e sabermos que há anjos e sabermos que os anjos sabem o que nós não sabemos e sabermos que estão mortos e estão aqui sabermos que a morte não existe é mais uma das ilusões que fazem parte de nós desta mente que tomamos por corpo deste corpo que nos ata a alma, corre como uma substância tóxica é-nos velado porquê, ainda não agora talvez mais tarde, insiste vai mandando postais, pode ser que um dia te saia a lotaria, a sorte é a relação mais absurda entre os mortos e os vivos tapada pelo reflexo incógnito da humanidade, onde está ele, o reflexo, e esta mente que constrói monopólios e armas de destruição maciça, e este corpo que consuma atentados terroristas e guerras santas e guerras frias e guerras que duram cem anos, e esta alma que proclama a guerra contra o terrorismo e que esvazia os bolsos de uns enchendo de armas de destruição maciça os bolsos de outros para encher os seus bolsos, seres de outro mundo desse terceiro que tanto se fala, como um mundo de cartaz onde morrem pessoas para serem números traços de estatística cartazes e capas de revista infantes de barriga gorda com moscas em redor da boca, gente escura metida em barcos comendo farofa para vomitar de seguida por causa dos balanços do barco dos balanços das ondas do mar revolto no barco comendo o vomitado da farofa que vomitou morrendo, números estatísticas, saindo do barco para invadir o mundo e proclamar justiça, raças povos credos religiões culturas povos raças homens gente justiça credos religião deus diabo terrorismo mente ó mente tudo aqui defronte do ecrã com cheiro e sabor qual é o sabor riscos chuva emoção tudo é a mesma coisa uma dentro da outra sete planos sete um plano quantos são sentido das coisas entendamo-nos são sete os nossos é um o dele e em todos os sete o dele será cumprido e todos os sete serão ele e estarão nele porque só ele existe no fim de contas e tudo é a mesma coisa. Porque tens tristeza na cara, que cara é essa, esse rapaz aí contigo, que estás sempre tão bem e agora, abra-se a cabeça, vem-te com o recorte, a folha em branco onde encaixas o recorte de ti, reflexos, é o confronto contigo, são os medos as ânsias o recorte na folha branca, o confronto com o que salta à vista, não sou eu são os medos é aquilo que projectas no ar é o que se interpõe, dádivas dele que ninguém pediu ou talvez tenha pedido, marcas de encontros reflexos projectados no ar, queria que fosse assim, ela está sempre tão contente, queria que fosse assim, carpe diem, este momento com calma, feliz não tristeza no rosto, porquê esse rapaz aí ao teu lado, o espaço vazio que propositadamente deixei vazio, o teu recorte, eu não eu a folha branca, festividades várias consumismo saber viver comprando punhados de almas como punhados de abóboras que se partem estalam retorno aqui não se rouba nada só se desvia e vens tu cheio de azedume, viro-te a mesa, viro-te a outra face, estalos, risos, o último e o primeiro, a colecção de dedais de outros tempos a caixa de costura, tantas vezes uma caixa de outra coisa qualquer aproveitada como o bebedouro das galinhas não o do ganso o das galinhas uma caixa de gelado de noz de marca espanhola, os espanhóis ao vento do mediterrâneo por detrás da janela do mundo que somos nós portugueses alguma coisa de conquistador lhes chega trazida pelo vento, ares do mediterrâneo, de África, Angola, todos no chão, por onde é que se pega no fio, põe-se na boca para aprumar o cuspo torna-o hirto para entrar no buraco da agulha por onde passam os camelos mais facilmente que os homens ricos, monopólios, terrorismo, armas de destruição maciça.
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