domingo, 19 de dezembro de 2010

Diálogos

Interrompo-me para falar de grandes dias daqueles dias sobre os quais, não te interrompas, se criam grandes expectativas porque de facto são dias diferentes dos outros dias em que por um determinado propósito uma determinada conjectura se desenha, mormente se juntam pessoas que raramente se juntam e todas partilham desse propósito comum que é comum não por ser de todos, mas porque é de um e outros estão em volta, é esse o clima especial, porque é uma altura única em que um centro se cria e depois é ver a esfera da gravidade de nós a saltar de um campo magnético para o outro. Afinal onde estão as coisas boas da vida, onde está o bem e a beleza, senão num gesto fraterno ao transeunte que se cruza connosco, numa palavra de atenção à empregada de balcão que nos serve, ah mas ele ia com má cara e o dever dele é parar quando eu quero passar, porque eu estou na passadeira, ah mas ela é paga para isso, não, toda a parte emocional de tudo não é paga, não é obrigatória, mas é necessária e regulada por outra coisa, que não um código de leis ou o cá e lá do poderio económico, isto está acima disso, sobre todos os pontos de vista, sim, deve começar entre portas, entre quatro paredes e um tecto, mas deve estender-se aos espaços abertos, às ruas cheias de gente, à multidão dos transportes públicos, às bichas na segunda circular e à entrada para o prédio que alberga a nossa casa, onde tudo deve começar, dentro de nós, de nós para connosco, trabalhemos todos pela realização desse fim único, fim de tudo isto, uma palavra terna, um acto de companheirismo, uma consciência de que estamos todos no mesmo barco e que individualismos só nos levarão para mais longe do objectivo que é o encontro pleno com o centro de nós, a junção do nós convosco num mesmo centro que é ele. Se as minhas prioridades não agradam aos cabeças de monopólio, aos usurpadores e aos insensíveis não estou nem aí para isso, já era de prever que não agradariam, mas também eles terão que passar pelo que digo, pois não falo por mim, nem por ti, mas por todos. E não, não quero nada, só vos digo que não passo enquanto não passarem todos, que não vou a lado nenhum enquanto tu estiveres perdido, enquanto ele andar a enganar o mundo, enquanto tu não reconheceres e ele não reconhecer que há apenas um caminho e que ele passa pelo centro de vós, pela verdade pela integridade e pela consciência de que tudo é a mesma coisa. Muitos já lá estão, fazem visitas diárias à sua casa, porque sabem que habitá-la só quando todos tivermos passado e todos são o universo inteiro, vede quão grande será a minha espera, a vossa espera, a espera dele, que espera pelos outros doze, quão incomensuravelmente grande é a nossa espera, se não começarmos já não haverá tempo e as consequências de ter de haver mais tempo não serão boas para ninguém. É o que vos digo. Isto e outras coisas porque não consigo deixar de dizer, vivo para dizer coisas e vou descobrir e agir de todas as maneiras possíveis para dizer o que vejo, porque vejo que o que vejo não é visto e que as verdades da vida estão diante dos vossos olhos e eu que chego de lá vejo que acenam para vós quando fazem precisamente o contrário, quando não querem ver nem ouvir nem encontrar o vosso caminho, perdendo-se nesses mundos que para vós são infinitos, só até ao dia em que deixam de o ser, em que o coração pára e o corpo apodrece e os impérios caem para darem lugar a novos impérios e a novos corações que batem nesses mundos, nesses corpos, ó força dai-me força, vamos juntar-nos clamo por vós almas que como eu querem a salvação da vida, juntemo-nos porque juntos talvez possamos fazer qualquer coisa a tempo de evitar o pior. Esperança senhores esperança, mas que coisa é esta aí, não entres aí, sais por essa porta, não olho para ti, sei como sais ou basta-me pensar que sei, não quero confrontos, não quero verdades, estou bem assim, esperança cinematográfica, assim e assado acontecerá que futurologia esta, o que é caso é que elas acontecem, mas porque é que eu não acreditei no que vi, é sempre aquela impressão que fica de desconfiança de mim mesmo, mas porque é que eu não lhe respondi, aí já outro galo canta, outros factores intervêm, porque quando se trata do ele e dos eles é outro galo que canta.

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