Diz lá à gente de que é que tu gostas, gostas muito não é, gostas muito, de lá ir, de andar de cá para lá não gostas, eu quero lá saber se ele é homossexual, é com certeza e sim esconde a falta de qualificações para o cargo que ocupa não esconde a falta de interesse nem a falta de jeito esconde a opção que tomou ou a que não tomou porque não quis ou não teve coragem, não, não quero que ponha a boca num megafone e grite eu sou homossexual, não, não quero isso, seja o que ele quiser que não me incomoda, ali sou diferente, é só aqui, lá fora só não viro mulher, mas o que é isto e depois a pseudo arrogância, a amostra de maldade, o tom áspero, o membro constantemente na boca, o membro como justificação para tudo, a máscara de patrão, o abuso de autoridade, que autoridade essa que abusa ridículo, como pode abusar do que não tem, sabe lá ele o que é ou o que representa, procedimentos quem cumpre os procedimentos, aqui ninguém cumpre os procedimentos e tu cumpres os procedimentos ó preto, Angola todos pró chão cumpres preto, amas as caixas como amas as mulheres, subiste na vida, preparas as coisas, tens que ir mais cedo para preparar as coisas que coisas tudo, tudo o quê, a salada o pão a sopa, come sopa Márcio come sopa, um depois do outro e o resto e o tempo, não cumpres os procedimentos, quem és tu para sequer me dirigir a palavra, preto Angola vai-te juntar ao outro que retornou, vai dar pão e alface e sopa às criancinhas de barriga gorda com moscas em redor da boca, espanta-as com essa palma espanta as moscas com amor como apanhas as caixas como cortas o pão espanta as moscas dá-lhes a alface e a sopa enche-lhes as barriguinhas gordas, África, vai-te embora se te sentes mal, isto é de todos que me importo eu que já tenhas feito a cama que tenhas subido na vida mudado de máquina ó homem da máquina que me importo eu com isso eu não bebo cachaça e tu se queres dormir vai prá tua terra África, há gente a mais, se reduzissem o número de pessoas, estou-me nas tintas pró frigorífico e pró carro e para o aniversário e para a convenção social politicamente correcto bem-educado fica bem, estou-me nas tintas para as aparências, para as relações postiças e para o que as pessoas pensam de mim, numa relação a primeira coisa que o relacionando deve fazer é despir-se, dispa-se ele do frigorífico e das convenções e do politicamente correcto e das aparências e podemos começar, caso contrário é para esquecer que nada levará além de um cumprimento que lhe devo pelo facto de ser humano, mais do que isso não me exijam não me peçam não me cobrem que eu não dou, nada, e estou-me nas tintas para o frigorífico e para o saldo bancário e para o aval ou não aval a minha vida não depende de nada disso nem está aí nada que me possa interessar, portanto enfiem isso tudo onde mais vos agradar e não me peçam nada porque eu não dou. Se quando te encontrasses comigo não estranhasses que estivesse calado um momento antes de falar, um momento só, para te sentir, para te ver por dentro, para pensar-te ser os fluidos que emanas vê-los ver-te por dentro visitar-te nos sete planos que habitas antes de abrir a boca devias esperar que fizesse isso antes de abrires tu a boca, antes de me dirigires a palavra deverias inspeccionar, saber com quem falas ou com quem falarás se for caso disso porque nada te obriga a falares comigo, se da tua inspecção a mim concluíres que não me queres dirigir a palavra não me importo nada, até te agradeço por não me tirares dos meus mundos do meu universo para o teu ou para o chamamento desse teu ego desse teu centro que nem tu sabes que existe, para ser eu esses fluidos que desconheces visitar as salas e os castelos vazios dos planos que não habitas onde mora o teu ser esperando por ti onde moram aqueles que não és, cala-te não fales para mim como podes pedir-me ou esperar ou como pode nem sequer te passar pela cabeça que nunca deverias ter falado comigo, toda a construção e todo o complexo da fala deveriam ter sido dominados pelo sentido primeiro, um momento só, apenas o tempo necessário para te sentir para te ver para te ver por dentro para saber quem és e o que me trazes para saber o que sentes em relação a mim para saber das tuas intenções e quiçá descobrir-te, um projecto a dois comigo. Dá-me tempo dêem-me tempo prestem-me atenção palavras fúteis e vãs as que saem da minha boca quando falo convosco contigo com ele, palavras ocas e despidas de significado, ditas pela minha boca mas não por mim. Quem me escutará pergunto, quem terá como eu o desejo de parar só por um momento para me ver para saber quem sou para me analisar à exaustão antes de falar comigo, quem neste mundo de surdos e de cegos da alma poderá alguma vez chegar ao pé de mim e esperar aquele momento antes de abrir a boca, quem, pergunto perguntas perguntam, sim é fundo profundo o meu trauma de vós, ó gente.
Guardo na minha sensibilidade a marca do primeiro contacto convosco, aquele momento em que pela primeira vez um de vós esperou que eu dissesse alguma coisa, guardo-o sensitivamente. gentes de cá e de lá porque de todos os lados me chegam vozes, de todos os lados me vem gente e mais gente, estou no meio da multidão olho para trás e vejo a multidão, olho para o lado e sei que estás lá, à espera, olhando pra mim, e nos teus olhos vejo que olhas para o outro lado da encruzilhada e esperas esperam os outros doze por ti para que te juntes a eles e nós tu eles eu e a multidão avancemos rumo à nova encruzilhada. Vejo gente por todos os lados olho para trás e eles lá estão olho para ti e para eles através de ti e quando me volto já estou no meio deles, estão atrás e dos lados e em mim, avançam como carnívoros, conhecidos e desconhecidos avançam com garras e com pezinhos de lã e vós também pretos e brancos avançais para mim, uns estão parados e esperam, outros vão andando dum lado para o outro e esperando outras coisas, de mim do outro do complexo do mundo, pairam e intensificam desvitalizam e manobram atormentam e possuem, também a vossa marca é marca em mim ó seres desse lado, tatuada a sangue fontes de sangue feridas abertas incuráveis como chagas o sangue brotará até que passes até que ele passe até que passe o corcunda e o mendigo e a prostituta e os mafiosos passem e o gang da rua estreita passe, passe o presidente da junta e os presidentes da república e os terroristas os suicidas o bin laden até que todos passem eu não passarei eu não irei a lado nenhum eu não me moverei do mesmo sitio e ele continuará na esquina se não for esta há-de ser noutra que é igual a esta por ser esquina e não sei porque voltas os outros doze já estarão com ele e tanta gente à espera deverá fazer com que haja menos atrasados e então poderemos andar mais depressa, quiçá não será essa a lógica, quanto mais perto do centro maior o poder de atracção do mesmo, portanto os últimos passos devem ser dados sem o serem, porque entretanto já se me foram os pés a ti a ele e a todos porque só quando, toda essa gente à espera deverá fazer com que haja menos atrasados vamos andar mais depressa sim eu serei o último porque ainda falta aquele de que se estão sempre a esquecer, aquele que está lá, no oposto dos opostos e carrega com ele o peso do cancro divino. É profundo vem das profundezas o meu trauma de vós ó gente. Porque é que não esperas só um momento antes de falares comigo porque não esperas, nem sequer pões a hipótese de que eu esteja um momento calado antes de abrir a boca para te analisar para te estudar à exaustão da minha extra-sensibilidade estarias exposto ao olhar mais analítico que podes imaginar e que direito tenho eu dizes tu, o mesmo de que tu te vales para me dirigir a palavra sem me analisares, sem me dares aquele momento necessário a que veja sinta e me decida a falar contigo, é falta de alguma coisa sim, desse tempo, não lhe chames outra coisa pois se é tempo que ele é, se é disso que se trata. Atamanca-te lá com o painel prateado e a digitalização para dedos grossos só não te vejo mais porque não quero porque não o mereces porque não me deste tempo para que eu te visse agora não quero ver-te, tu de mim nada viste e nada alguma vez verás, quem me viu ainda, eu não quero ver, é profundo vem das profundezas o trauma que tenho dos da tua laia dos que, come chocolates e gelados doçaria confecções caseiras doces regionais receitas da avozinha, come, come, come e dorme e tem digestões difíceis, tudo é a mesma coisa o absurdo e o surreal de um encontro matinal com um desconhecido que parece alguém que tu sabes que está morto, sem nunca teres conhecido, não conheces ninguém assim, pois eu parece-me ter conhecido ter visto e tê-lo ouvido falar comigo, esse esperou um momento, avisou até com antecedência que vinha, senti-o muito antes de o ver de me aperceber dele da sua presença física, bateu-me à porta, deu-se à verdadeira boa educação, analisou-me e deu-me tempo para analisá-lo enviou até informação dele projectou-se em mim de dentro para dentro falando de dentro para fora também. Portanto quando começou a falar foi comigo que falou, e eu respondi-lhe ainda que pouco porque sabia que o queria mais ouvir a ele do que a mim, isso sabia porque já tinha ouvido bater à porta e quando alguém nos bate à porta dizemos quem é, e dizemos quem é porque esperamos que essa pessoa se identifique, se quer entrar então vamos lá a identificarem-se antes de entrarem por mim adentro como cães selvagens, porque isto é propriedade privada, quem é o dono não vos interessa, batam à porta. E depois o que se espera de quem bate à porta, que se identifique, lá está o olhar atento para a pessoa que bate quem é, de quem se trata, o que me quer, por quem sois, ao que vens, diz de tua justiça, só um momento aquele momento necessário para que se efectue a pergunta e se predisponha o ser à resposta, seja o que for que vais dizer não me importa, não quero saber, não me interessa, se não sei quem tu és são vazias as tuas palavras, ocas, e tudo o que disseres cairá em saco roto, sacos rotos é o que vocês são e tenho-vos um trauma profundo, que vem das profundezas e quem me quererá ouvir quem me escutará, dá-me esse tempo dá-me, dá-te a ti também é teu ninguém to vai roubar se fizeres uso dele, e assim ver-me-ás e saberás com quem falas ou saberás que comigo nunca deverias ter falado nunca deverias sequer ter-me dirigido a palavra, vamos lá, é só um momento no complexo do mundo.
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