Tenho a noção do longo caminho que tenho pela frente, uma sensação do tempo diferente daquele que é marcado pelos ponteiros no mostrador do relógio, consciência da continuidade das coisas, a necessidade de perceber a verdade do que se passa. Uma renovação no horizonte, o fim de um ciclo, com ele um leque de novas possibilidades que se desenha, uma interminável folha em branco e eu uma caneta que abano freneticamente na esperança que ainda corra tinta. A chaga aberta no meu peito permite-me continuar a indagar, exige-me que continue a procurar, desperta-me do sono para que não baixe os braços. A incapacidade de realização promete continuar a fustigar-me. Oportunidades que se sucedem e que deixo passar a cada dia, até que seja capaz de perceber com tudo o que em mim percebe, que o momento certo é o agora, e que o amanhã que espero passa por mim todos os dias. Porém uma perceção subtil do plano acompanha-me ainda, o propósito da sucessão dos dias, a engrenagem do universo, presença imensa e constante, capacidade de sintonia, fechar os ouvidos por um momento, ser capaz de ler nas entrelinhas, fico parado por um momento, quando me apercebo que no horizonte está mais uma encruzilhada, e logo, mais rapidamente do que esperava, alguém age, alguém pinta na tela em branco, rabisca qualquer coisa e me diz, anda, vem por aqui. A vida mostrou-me que não devo negar algo que desconheço, por isso, por mais vontade que tenha de me encaracolar e responder - não, não vou por aí, desta vez decido ser diferente. Abraçar-te, parar por um momento para te ouvir quando entras na sala e dizes, - vamos lá ver uma coisa, quando eu estava calado, a tentar calar as vozes que dizem, - isto está mau, enquanto eu receoso do desconhecido, a tentar prestar atenção para dentro e tu – se a pessoa não fizer nada, a cabeça tranquila na almofada só fazendo tudo o que está ao meu alcance, e eu a pensar, mas que alcance, a apetecer-me dizer-te – não, mas o tempo roda com os ponteiros no mostrador, e mais qualquer coisa roda dentro de mim, e a memória ainda que por vezes difusa vai permitindo que qualquer coisa se sedimente para que agora outras reações, para vencer o ciclo, quebrar o feitiço, deitar abaixo as barreiras, abrir as comportas – chega, dizes tu, controle e domínio dizes tu, equilibra-te para que te possas superar, não fui eu que disse, mas o livro é o mesmo, a verdade é só uma, e muitas, tantas quantas as almas deste e dos outros mundos, as maneiras para lá chegar.
segunda-feira, 4 de julho de 2011
O Plano
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olhai e vede
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